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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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 Eu mereço! Deus castiga!
Finalmente já estou na minha nova casa. Mais pequena da que a que tinha antes mas muito aconchegante e arrumadinha! Fui viver para um alto da Amadora, zona tranquila que me embala com o resmalhar do vento das árvores. Então mas o cabrão do galo?? Será possível?? Vim eu do Alentejo para viver num sitio superpovoado e acordar de madrugada com as goelas daquela aventesma?
Pior- o bicho tem o relógio desregulado. Começa a cantar a meio da madrugada. É o meu acordar número 1. Quando estou a pegar no sono outra vez, o animal parece que adivinha: puxa outra vez dos pulmões até se fartar. Cala-se, o estropício, quando efetivamente tenho de levantar-me. Próxima missão: descobrir onde está o energúmeno e envenená-lo. Naturalmente, estou a brincar (até porque tenho um medo de aves que me pelo). Mas que chateia, chateia!
Vai daí, acordei com os olhos todos inchados. Nem sei de quê. Deve ser de adormecer e acordar por causa da dita vizinhança com bico. Já tive melhores humores. E para ajudar à festa, logo de manhã, a minha Caetana aproveita a sala ainda vazia à espera de móveis para fazer daquilo um salão de baile, cantando - e ecoando - o «Toda a Noite» do Tói - música que me comunica com o sistema nervoso.
Sabem de quem é a culpa, né, Sónia Vasconcelos, Suzana Santos e Susana Batista????!!!!
Alguém conhece umas termas baratinhas? 

 

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Sabem aquelas pessoas que entram nas nossas vidas sem se fazerem anunciar, e, de repente, todo o nosso dia a dia passa por elas? É a minha Suber - a Susana: alcunhei-a de Suber quando parti o braço e a boa da rapariga fez quatro meses de minha motorista (Su - de Susana+Uber=Suber, perceberam?)
Pois que, se eu sou uma casa cheia (e modesta também), ela é uma mansão de Manhattan.
Quando está nos dias dela...sai debaixo (salvo seja!)
Hoje faz anos e só lhe desejo a felicidade que quero para mim. Ou não fosse ela já grande companheira de barracadas.
Há uns meses, estava eu de braço ao peito, deu-me boleia para o metro. Chovia a potes e íamos devagarinho quando, atente-se, o carro que seguia à nossa frente despistou-se, foi bater contra outro veículo que estava estacionado e esse carro parado 'atropelou' uma senhora carregada de compras que ia no passeio. A bela da Suber, bombeira para tudo e todos, não faz mais nada: pára o carro a seguir a uma curva - capaz de vir outro atrás e dar-nos uma panada-, corre para ver se a senhora atropelada pelo carro estacionado estava bem.
Aquilo deu uma raia desgraçada, até porque a senhora sofria do coração e, por telefone, a sua filha pedia-nos para chamar a ambulância porque a senhora sua mãe não se podia enervar.
Entretanto, a Suber pegava-se com o senhor que se despistara, com uma outra individua que vira o sucedido e já dizia que o homem estava bebâdo...Até que chegou uma outra rapariga, conhecida da desgraçada que levou com o carro em cima. «Ainda bem que apareceu, que a senhora está muito nervosa. Ver alguém amigo sempre a acalma», dizia eu, encharcada até aos ossos enquanto a Suber chamava a polícia.
Chega então a autoridade. Diz a rapariga chegada por último: «Olha quem vem da polícia: é o meu marido!»
«Melhor ainda», respondi eu: «É sempre bom ter alguém conhecido nestas situações.»
Dispara a dita moça: «Está em todo o lado este filho da p...$%». Ups - aquilo estava mau para aqueles lados, também!
Tudo para vos contar como é a Suber: coração maior que a boca (e se ela é grande...a boca), capaz de dar a roupa do corpo a quem precisar. Ah: e ainda levei uma descompostura por não ter logo saído do carro como ela, debaixo de um dilúvio medonho, e de não ter ação para ser mais interventiva na caricata situação, mesmo maneta. 
Obrigada por tudo maquetrefe!
Parabéns minha Suber!

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A minha Gertrudes é que tem razão! A necessidade é mestra de engenhos!
Saí do jornal A BOLA, a minha vida durante 18 anos, por ter por prioridade acompanhar o crescimento da minha Caetana. Vim para casa, sem vida profissional definida, e tive de inventar uma profissão para mim: sou agora produtora de conteúdos media. Soa bem, certo? Sempre fui uma idiota (grandes ideias, entenda-se). Agora inventei uma segunda ocupação: fitness tester! Só não cabo dentro de um frasquinho (como os testers das perfumarias...perceberam?)
É que, croma dos ginásios (apenas por ser assídua, não por ser grande atleta) já perdi a conta à malta que começou comigo a fazer aulas e que agora virou instrutor de fitness (só não tento o mesmo caminho, pois, lá está, os 41 atrapalham ligeiramente...). Todos eles, após as aulas, através das redes sociais me abordam para saber o que achei: «Elsa, gostaste? O que tenho a melhorar? Achas que puxo muito? Como são as minhas vozes de comando?...). E eu respondo, toda feliz, de considerarem a minha opinião. Mas isso não me poderia dar dinheiro: fitness tester - hum? Fitness Hut?????? Fica a dica.
Entretanto, hoje, na aula de body attack, já introduzi uma enorme inovação. Fui para lá arrastar-me, cheia de contracturas, mas, para melhorar ainda mais o descalabro fisico, esqueci-me dos ténis de saltos! Só tinha mesmo os de spinning - os tais que não encaixam na bike, nem em lado algum. E não é que aquilo até alivia as dores dos gémeos e da corrida? Capaz de me rasgar toda....
Agora sentei-me! 
Alguém tem uma grua para me tirar do banco da cozinha?

 

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São as pessoas que fazem os sitios e o resto é conversa! Se há coisa que sempre me irritou foi ver malta sem qualquer perfil no atendimento ao público. Imagino que seja chato estar a levar com conversas e berbicachos um dia inteiro, mas todos temos a nossa cruz, certo? Fui passar a manhã à  Loja do Cidadão para tratar de contratos de água, luz e gás. Em Marvila aquilo é sempre mais acelerado, ainda que dentro do desesperante...
Não basta aquilo ser uma confusão de senhas e balcões, eis-me chegada a uma amiga, enxonfrada do piorio, a verdadeira cara de enjoada: aquelas que nos olham por cima das lentes dos óculos, que não disfarçam o aborrecimento e que nem bom dia dizem. Catano! Ali estive a partir pedra mas nem os dentes lhe vi. Passei para a EDP. Uma molatinha tão linda, tão atenciosa... «Olá, sou a Andreia. Desculpe a demora. Está tudo bem consigo? Vou ajuda-la já!» Bonita que era! Um encanto de miúda!
Mas tive de voltar à enjoada do gás. Só para fazer uma pergunta. Nem para mim olhou: «olhe desculpe, corre-lhe mal a vidinha?»
Não me ouviu. Entrei no espirito da cena e desabafei com a senhora ao lado: «Irra, que mau modo! Todos lhe devem e ninguém lhe paga».
«Pois... não sei a quem é que ela sai. A mim não é!»
Fosga-se! Tiro no porta aviões....

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Raios partam as mudanças! Catano! Já nem me sinto! Tenho mesmo de voltar ao ginásio!
Já experimentaram levar um colchão de 2,00 m x1,80 m, de uma quarto andar abaixo - sim que aquela bizarma não cabe nos maravilhosos elevadores - , enfia-lo numa carrinha, voltar a levanta-lo para iça-lo até um terceiro andar, de novo pelas escadas? Aquilo pesava arrobas e quando uma pessoa mais precisa de fazer força o que acontece? Larga-se a rir! Lá se ia o bom de ser grande e espadaúda! xSenti várias vezes que o colchão ia cair-me em cima, deitar-me escadas abaixo e partir-me o espinhaço todo ao ponto de não precisar de casa mas apenas do museu dos ossos (ao menos ia para Évora)! Enfim, missão cumprida.
E agora como se seca um colchão gigantesco que apanhou chuva - sim que nem São Pedro me valeu! 
Alguém me sabe dizer se aquilo do emplastro leão funciona?
Acho que prefiro um matacão, morenaço, de mãos grossas a apertar-me o lombo (desculpa aí Zé Luís!)Ok, contento-te com uma caminha fofinha, lavadinha... e sequinha!

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O que eu gostei daquilo! Da lavandaria self service...
Pois que com a mudança de casa, já não sei o que fazer a tanto trapo. Pensei, já que ando em limpezas, ficava bem lavar edredons e cobertores, certo? A minha Gertrudes nem dormia se soubesse que fiz mudança sem limpeza a fundo. Pois estou a portar-me bem e lá decidi a ir uma lavandaria self service para tratar rapidamente da roupa de cama. Passei lá toda a manhã. Musiquinha chill out (Smooth FM, já com uns sininhos de Natal à mistura), cheirinho a detergente perfumado e uma surpreendente tranquilidade e paz conseguida só de observar os tambores a rodar. Que terapia! Dei por mim a rodar a cabeça à velocidade da máquina e a ser feliz com aquele momento: tão bronca que sou!
Até me lembrei daquela anedota do japonês a olhar para o aquário e a explicar ao alentejano que «a mente de japonês mandava na mente de peixe», explicando, assim, o porquê do Nemo andar à roda dentro da grande taça de vidro. O alentejano quis experimentar a mandar na mente do peixe e ficou ele a abrir e a fechar a boca, qual anfíbio. Perceberam? Foi a mente do peixe que dominou a do alentejano - ah, ah ah (um dos grandes atributos dos alentejanos é saberem rir-se de si próprios).
Assim estava eu a olhar para a máquina de lavar, que me hipnotizou! Gostei daquilo.
Acho que lá vou passar umas manhãs...

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Estou em mudança de casa! Já agora mudava mesmo era de planeta - estou com uma azia que nem me aturo! DETESTO! Tranquintanas para um lado e para o outro, carradas de lixo para lá e para cá, a míuda ora tem fome, ora esfola já as paredes acabadas de pintar... Um grita, outro bufa, mais suspiros, ais e uis.... Uis mesmo que já estou toda escalavrada - unhas todas partidas e dedos gretados de andar a arrancar autocolantes das paredes, canelas todas roxas de empilhar caixas, caixotes, escadotes! Por Dios!
Mas eis-me chegada ao novo ninho. Querem ver que já me conhecem?
Abre-se a porta do elevador e prende-me à atenção o bilhete colado no espelho: «é favor não bater as portas. Há mais pessoas a morar no prédio! Se quiserem batam com a cabeça nas paredes mas é favor segurar as portas!»- lê-se! 
Parece que a vizinhança já está chateada antes mesmo de eu chegar. Ainda assim já adivinhou que precisava de esborrachar a minha grande mona nas paredes ou mesmo enfia-la numa daquelas gigantescas e industriais máquinas de lavar tal a fartação de andar neste frenesim.
Acabada de ler o bilhetinho em alto e a boa da minha Caetana....PUM! Porta- PUM!
Tenho um feeling que vamos ter problemas...

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Detesto! Abomino ir às compras ao supermercado! Pago a quem o poder fazer por mim! Irrita-me sobremaneira. Transformo-me. Viro Bicho, literalmente. É das necessidades para as quais tenho de preparar-me psicologicamente. Então se tiver de ir a uma grande superfície...Quando estou no corredor dos utensílios de casa e tenho de ir buscar iogurtes à outra ponta apodera-se de mim uma zanga....
Em supermercados mais maneirinhos, a coisa escapa. Ainda assim, já fiz levantamento das horas mais calmas lá da zona para não fazer sofrer o meu sistema nervoso. Mas é em vão. Dou por mim a filar logo a caixa mais vazia, a espreitar para ver quem é o funcionário mais despachado, a passar discretamente à frente das velhotas que têm muito tempo para ali estar (penso eu)! Faço cara de enxonfrada se ficam a olhar para a minha habitual marca de produtos láteos e não permito dividi-los com ninguém porque tenho lá de comprar logo como se fosse para um regimento.
Outro dia, na caixa do Pingo Doce dos Moinhos da Funcheira, até tive vergonha dos meus pensamentos. Tanto fiz por me despachar que fiquei logo atrás de uma senhora que deveria estar a demorar só para me testar: «Ai desculpe mas enganei-me na marca do detergente. Vou só ali trocar.»
«Olhe, esqueci-me do papel higiénico. Está já ali...»
«Desculpe, tenho de procurar o número de contribuinte.» 
«Também não sei o multibanco de cor...Deixo ver se encontro o papel onde tenho escrito!»
Iam-se-me esticando os caracóis. Obrigada, Senhor, por me ensinares o valor da humildade, pensava eu, já com os meus iogurtes no saco, enquanto me dirigia para o carro.
Uai...e a chave? Querem ver....
Voltei para cima. Nada de chaves do carro.
Eis senão quando volta a bendita senhora: «Levei por engano. Estava em cima do tapete da caixa...»

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8.....

 

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Olhem que linda, a minha Caetana a ler um livrinho! Parece, né? Lamento desiludir-vos mas trata-se da maneira mais inteligente que a minha tufão arranjou para esconder estar a mascar pastilha! A moça é ardilosa! E muitas vezes safa-se! Eu ainda a apanho umas quantas vezes em falso. Já o paizinho dela...
Uma destas manhãs tive de sair bem cedinho, deixando-a entregue ao pai, que ficou incumbido de a levar à escola. Como sempre faço, deixei escolhida a roupa que a Caetana haveria de vestir na manhã seguinte, depois de atenta leitura à metereologia e respetivas previsões de chuva e frio.
De manhã, até pedi foto ao pai. Estava tudo como planeara.
«Despachou-se rápido. Chegou ao pé de mim já de casaco vestido e tudo. E assim esperou por mim», contou-me o paizinho. Achei aquilo muito estranho - quer sempre ficar a dançar antes de ir para a escola - é um castigo para se calçar e enfiar o casaco...
À tarde, quando a fui buscar, tal não é o meu espanto quando vejo que vestira apenas a sweat de linha por baixo do casaco, ignorando a camisa quentinha que lhe tinha escolhido para levar por baixo. Quis ir em corpinho bem feito - agora cá roupa, parece que está tudo parvo - e para o pai não lhe dizer nada, vestiu logo o casacão às 8.30 horas da manhã. O que lhe faço? Hum?
Vou dar-lhe com o livro na tola e obriga-la a cuspir a pastilha!

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Pois que, como prometido, aqui venho deixar as últimas do meu Halloween nos Moinhos da Funcheira!
E não é que tenho jeitinho para ser maléfica? Espetamos uma carga de nervos e pânico aos putos que, por certo, houve muitos que tiveram de dormir com os pais (e é tão bom...) Havia crianças a chorar...
«Você tem uma voz muito assustadora...» dizia-me uma miúda, encantada com a minha personagem. A verdade é que, com o corropio do dia a dia, esquecemo-nos de brincar. E faz-nos falta brincar também...em adultos!
Claro que a minha Caetana já andava envergonhada com as minhas figuras: «Cala-te mamã!». «Já chega», dizia-me, enquanto olhava para mim trajada de morte/sacerdotisa/qualquer coisa sem nexo, vendo-me encalhar e quase ir ao chão, tantas as vezes que tropecei no vestido/túnica, nos algodões que faziam de teias de aranha e nos lençois pendurados que nos embrulhavam sozinhos e nos faziam comichão e cócegas.
Por falar em quase ir ao chão: indiretamente voltei a fazer porcaria. Sabem quando pomos muita tralha nas costas da cadeira: casacos, mala pesada....e depois quando largamos a cadeira cai para trás? Nem mais - foi o que aconteceu quando a minha amiga Suzana ia sentar-se. Ela que estava tão jeitosa vestida de criada/mordoma, caiu desamparada, de cú, ficando só com as perninhas a dar a dar... Caiu-nos logo a máscara que largamo-nos a rir qual jokers!
«Não sabes pensar?», dir-me ia o meu pai, esse anjo que me pôs na terra!
E depois foi só gomas, rebuçados e sugus e nem uma abóbora para aproveitar para a sopa! Raios...

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