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Bichanando

Onde uma sempre jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma sempre jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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'Atão', acham vocês, depois de tudo o que já vos contei, que eu é que sou a mais tantan, toto e tonhó da família? São capazes de ter razão.
A verdade é que não há nenhum que se escape. Nem o cunhado que a minha irmã me arranjou. O Toninho. É uma jóia de moço e os meus sobrinhos tiveram sorte com o pai que Deus Nosso Senhor lhe arranjou (a minha irmã Isabelinha também tem lá os seus encantos). Voltamos a passar o Natal em casa deles. E sempre voltam à memória histórias antigas. Sempre me rio ao lembrar-me do dia em que a minha irmã pediu ao marido para ir às compras ao supermercado e lhe encomendou queijo mascarpone. O bom do Toninho, bem mandado, lá foi, ligando, pouco depois, desesperado, que não encontrava o que ela lhe pedira: o tal queijo.
Chegou a casa, vermelho como ele só, a desfazer-se em desculpas: «Andei à procura, à procura e trouxe este que é o mais caro. Não sei se era o que querias...»
«Mas porquê o mais caro?», questionou a boa da Isabelinha.
«Tu é que pediste, o mais caro...»
«MASCARPONE, Toninho, mascarpone....»
Ah, ah, ah....homens!

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Ora que o Natal, com crianças é sempre uma animação! Ó gritaria, ó excitação, ó dor de cabeça.... Então que a minha Caetana é uma menina superfeliz e não poderia eu ter maior benção. Mas cá está, a genética é lixada e a moça saiu apurada demais. Muito pior que eu, muito pior que a Gertrudes (se é que é possível!) 
A casa dos meus pais em Beja é mini. Parece de bonecas (e é mesmo, que eu e a minha irmã somos duas bonequinhas - ih, ih, ih). Só não é à prova de Caetana! Imaginam a minha tufão a correr por ali fora como se tivesse muito espaço... Ontem, até fazia vento! Não me perguntem como, que ela nem sequer tocou no móvel da sala que tinha uma jarra de cristal com flores. Ela apenas lhe passou ao lado. Parecia um filme de Hollywood em slow motion... ela a correr, cabelos a esvoaçar e a jarra a tombar, devagarinho, às voltas, cai não cai a balançar no móvel, até estatelar-se, por fim, no chão e partir-se em mil cacos. E lá piscavam os olhinhos dela, com medo de represálias , atónita, sem perceber como tinha escaqueirado os biblots da avó.
«Foi sem querer mamã...eu nem lhe toquei!»
«Eu sei filha. É o teu magnetismo!»
«Meu quê? Mas eu não pedi isso....»

 

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Nunca passei um Natal sem os meus pais e irmã- e que esta minha benção se mantenha por muitos, longos e bons anos. Hoje volto a poder desfrutar deste privilégio e não há um único Natal em que não me lembre da Barbie Cintilante.
Já vos disse que brinquei com bonecas até aos 18 anos, certo? E sempre adorei Barbies. Era miúda e o meu maior desejo era ter uma Barbie Cintilante: boneca com vestido esvoaçante cheio de coraçõezinhos que brilhavam no escuro. Naquele ano estava em pulgas. Abrimos as prendas e nada. Percebi que os meus pais não ma podiam dar. Tentei fazer cara alegre com o que me calhara no sapatinho mas acho que não consegui disfarçar. Foi quando a minha mãe me mandou à cozinha. Lá fui, de beiço, e eis senão quando, no escuro, só vejo o cintilar da Barbie, já fora da caixa. Ainda hoje, quando fecho os olhos, sinto aquela felicidade tão genuína. Aquele amor de agradecimento pela enorme surpresa. Aquela euforia de quem só lhe apetece cantar, dançar, gritar.... Custei a adormecer nessa noite, encantada com as luzinhas do vestido da boneca que sentei num cadeirão verde, ao lado da cama. Era menina.
Agora -hoje-, só de passar a quadra com eles, cintilo. Eles são a minha Barbie.
E de lá para cá, ganhei uns bonecos bem mais brilhantes e barulhentos: o meu João Duarte, o meu Dé Filipe, a minha Caetana...
O que mais vos desejo esta noite é que todos vibrem com o cintilar da mais inocente Barbie, com o brilho das mais significativas das festas, com o quentinho, felicidade e   sorriso da criança de Natais passados. Acreditem que cintilante é o olhar dos nossos.
Um Santo e feliz Natal para todos!

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Ora cá vai mais uma tirada da minha Caetana, sempre perspicaz, sempre muito dona da sua razão. Há dias juntamos roupas e alguns alimentos e fomos entregar a uma Instituição (Sol Fraterno) que apoia famílias carenciadas e meninos doentes. Fiz questão que ela viesse comigo e percebesse que, apesar da mãezinha dela por vezes ser exagerada (moderadamente, vá), não a engana quando lhe diz que há muitas crianças que não têm a sorte que ela tem. Caetana ficou a olhar e assistiu a uma pequenina de três anos a ficar bem feliz com dois casacos usados que tinham sido seus. Portou-se bem a minha menina. Acontece que connosco estava um muçulmano e ela ouviu-o dizer que não festeja o Natal. «Porquê mamã?»
«Porque é muçulmano.» 
«E não gosta de prendas?»
«Gosta filha, mas isso são questões religiosas.»
«E não come chocolates?»
«Acho que come filha, mas o Natal não são prendas e chocolates. É sim amor e ajuda aos outros como estamos a fazer.»
«Mas continuo sem perceber porque é que ele não festeja o Natal. Eu também sou moça humana e gosto!»
Certo!

Tal não é a moenga...

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Aish que a minha miúda saiu mesmo à mãezinha dela. Acho que vou processar-me a mim própria por passar à minha filhoca os genes do destrambelhamento.
A minha Caetana é uma valente. Poucas vezes chora de dor (graças a Deus) e quando o faz é porque está mesmo aflita. Uma destas tardes começo a ouvi-la gritar na casa de banho. De aflição. Que foi filha??? E ela nada. Só chorava, tapando a cara. Ao menos, desta vez, não tinha sido eu a deitar-lhe lixivia no nariz pensando ser soro fisiológico (já vos contei que troquei os frascos...) 'Atão' não é que a boa da moça deitou óleo de alfazema nos olhos? Produto natural que lhe dou para por atrás das orelhas para afastar os piolhos (já não sei que faça à praga). Agora expliquem-me: como é que a gaiata verteu aquilo nos olhos quando emborcou o frasco na nuca e, para mais, tinha os óculos na cara? Acho que esta vai bater-me aos pontos. Deus a guarde! (descansem, depois o ardor passou- uma coisa é certa: não vai ter piolhos nos olhos!)