Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

teleferico.jpg

Todos nós passamos na vida por momentos de profunda tristeza. Acontece quando nos despedimos de alguém que sempre fez parte da nossa vida. É o ciclo da existência, mas custa sempre! Momentos em que dá sempre jeito ter por perto um ...Bicho!
Apesar de ser o maior chorão de todos, quando lhe dá a força, mesmo de forma inconsciente, é impossível não rir perto dele.
Estavamos juntos, em pesar, quando nos lembramos de mais uma saída do pai.
E ainda nos rimos ao lembrar o dia em que veio a Lisboa e conversavamos defronte do prédio da minha tia Dulce que vive nas ruas acima do Jardim Zoologico.
Dizia, então, o Bicho nessa altura: «Vá lá, apanhamos bom tempo, há muito que aqui não vinha, bla, bla, bla e até apanhamos aqui uma procissão!»
«Uma procissão pai?»
«Sim, atão não a vês?»
«Não - onde está a procissão?»
«Atão não vês ali ao fundo os altares?»
«Pai: aquilo é o teleférico do Zoo!» 
Ah, ah, ah, ah
Sério - só aquele homem! E ainda me rio só de lembrar-me da cara dele quando se apercebeu da calinada que tinha dito. 
Tal não é a moenga...

MyEmoji_190124_110459_45.gif

 

20190403_184003.jpg

Ei! Aish! Catano! Eh lá! Para tudo que o João Pinto faz 40 anos!
Acontece aos melhores, é certo... Pinto! Já vos falei dele inúmeras vezes. O amigo (de polo verde na foto), instrutor há 20 anos, o único que me diz: « Elsa Marina vai para a porra», que eu não me chateio. O único que me diz : «treinas tu há tanto tempo para continuares assim?», e eu não me irrito. O único que me diz: «não queiras fazer flexões e trabalhar esses braços que essa gelatina endurece sozinha», e eu rio-me. 
Se eu fosse homem, queria ser como o João Pinto: poço de energia, a parecer um coelho sem cartilagens a saltar por cima de caixas, a parecer o gorila das pastilhas pendurado nas barras. Sorriso de orelha a orelha e uma paixão pela vida e pelo desporto pura e simplesmente, incomparável! Claro que seria bem mais charmoso, giro, sensível, muito menos desbocado.... e com muitos mais gémeos!
Pensando bem, e tendo costelas alentejanas, é natural que tenhas saído assim, esse grande gajo! Não é para quem quer, é para quem pode (é assim, nem todos somos abençoados com esta dádiva da planície).
Bem, terminando que isto já está longo- dinheiro não tenho para te dar, paciência também não, doces - o que mais tens são babes para te dar açúcar -, portanto, olha - saudinha!
É o que se quer. Adaptando a anedota dos alentejanos: Maria, dá-me o tê amori! Olha - tomo-o!  - João Manuel: toma-a - a minha sincera amizade (sniff)!
Hoje perdoas-me a faixa de agachamentos com esta linda lamechice, certo?
Tal não é a moenga....

P. S - A minha sogra Elisabete também faz anos hoje. Quando for sogra, quero ser como a minha sogra (será que tenho um problema em copiar identidades????)

MyEmoji_190124_110459_6.gif

 

amendoas.png

Já há algum tempo que desenvolvi compulsão por amêndoas!
Anseio pelo dia do meu 65.º aniversário, dia em que, de manhã à noite, estarei na taberna 25 de Abril em Beja a comer pratadas de tarte de requeijão e amêndoa (já me estou a babar). Até lá, tento controlar-me (tarefa hercúlea) na porção destes frutos que, apesar de saudáveis, são gordurosos como o catano.
Já tentei comer quilos e ficar mal disposta de propósito a ver se me passa o vício, já tentei ter o pacote intacto e ficar a olhar para ele a ver se não me ganha, já tentei comprar só sete de uma vez mas acabo por ir sete vezes ao supermercado. Tenho de resignar-me: as amêndoas ganham-me sempre. Ou ganhavam, pois encontrei o remédio para lhes resistir. Tinha almoçado só uma sopinha, vinha esganada a sonhar com elas, torradinhas....
Entrei, fui direta à cozinha e, assim que meti a primeira na boca, foi direta ao goto. Até me vieram as lágrimas aos olhos! Ficou-me mesmo entalada aqui a meio do estreito. Quase me bloqueou a respiração. Fiquei embassada e depois engoli-a inteira- o que me doeu. Atão não sou tão estúpida? Pareceu-me mal - eu não merecia, tanto que gosto delas!
A porra da amêndoa aleijou-me. Fiquei sentida. E fui comer pão. Mas eu tenho um coração de manteiga...estou a pensar perdoar-lhes! 
Hoje começam as férias da Páscoa - AMÊNDOAS! Não as quero caramelizadas, de chocolate nem de açúcar - não me estraguem as amendoinhas, por favor!
Mas ainda não sei se estou preparada para voltarmos a ter a relação que tínhamos!

Tal não é a moenga..

MyEmoji_190124_110459_17.gif

 

 

20190403_183907.jpg

7 de abril. Os meus pais - Chico Bicho e Tuta Galamas-, fazem, imagine-se, 45 anos de casados! Cristo! Por Dios! É obra! Naturalmente, são, para mim e para a Zabelinha, um motivo de orgulho, mas, verdade se diga, tal cifra já não se usa!
Ela, acelerada como ela só, fiel a rotinas, à vidinha que domina, ao cantinho dela que nunca pode perder de vista. Ele um bem dispostão, cheio de vontade de passear, de falar com pessoas, de rir de cantar...
Lá se encontraram, acharam piadinha um ao outro e tiveram duas lindas rebentos.
Uma inteligentíssima, discreta, elegante, cheia de sensibilidade e bom senso, outra, pois a outra: enérgica, bem disposta, trapalhona, nervosa, destrambelhada (já me disseram que me rebaixo muito a mim própria nas minhas prosas, que sou má para mim mesma - atão mas querem que diga que sou um hino à quietude e harmonia?)
E já lá vão 45 anos. Se lhes perguntarmos o balanço, ou coisas giras do namoro, a Gertrudes dirá... «Ó sei lá eu disso agora. Lembro-me cá do que aconteceu no tempo da outra senhora...»
O Bicho responderá...«Ó sei lá eu disso agora....» A diferença é que o meu pai não sabe porque, efetivamente, não se lembra sequer do que jantou ontem. A minha Tuta é porque quando Deus nosso Senhor distribuiu a lamechice ela tinha desmaiado.
Juntos são um prato. «Frasquinho - lá estás tu outra vez com a porcaria da televisão na mesa verde (snooker)», grita a Gertrudes.
«Epá, esta mulheriiiiiiii», desabafa por vezes o Bicho quando já não sabe o que lhe dizer!
Ainda bem que naquela Évora do antigamente o galã do Chico se embeiçou pela Gertrudes (devia estar ainda calada - ah, ah, ah - também foi assim que enganei o Zé Luís!)

Parabéns mês pais!
Que seja sempre a mesma moenga...

MyEmoji_190124_110459_6.gif

 

MyEmoji_190124_110459_45.gif

Ok. Tenho um sério problema com o parque de estacionamento do Forum de Linda a Velha. O tal onde já bati, já parti o espelho do carro....e por aí fora. É que nunca vi nada tão apertadinho - em termos de estacionamento que é o que estamos a falar, certo?
Ora, quando chego, depois do ginásio, esbaforida, trolley numa mão, casaco na outra, mala a cair do ombro, chaves do carro presas nos dedos, ticket do parque nos dentes e muitas vezes com a mochila do computador às costas, quando chegou ao carro e tenho de apertar-me toda para caber no espacinho entre veículos para abrir a porta do meu...porra!
Há dias que são mais difíceis que outros.
Não há muito tempo, caiu-me tudo das mãos, disse uma asneirada, voou-me o ticket da boca e, lógico, que assim que abri a porta do carro....'badum'! Porradinha no que estava ao lado. Passados uns segundos, o vidro começa a baixar. Raios que estava alguém lá dentro! Começo a esboçar o meu sorriso malandro, de criança que fez mT%&%$a, a ver se me safava mas o rapaz era trombudo. «Desculpe, foi mesmo sem querer.»
«Foi, foi...»
Acreditam que a bestonga nem chegou à frente, nem atrás, nem se sensibilizou com a minha dificuldade? Será que estou a perder qualidades e o meu sorriso também já não faz efeito? (Tudo passa com a idade...)
Eu não sou de desejar mal a ninguém - Deus me livre - , mas pode ser que tenha uma daquelas valentes descargas de tripa.

Tal não é a moenga...

lentes.jpg

Já não será novidade falar-vos da minha hipermetropia e do meu astigmatismo, verdade? Nem do quanto sou toupeira, nem de como a minha vida mudou depois que consegui usar lentes de contacto, certo? É o céu! Mas, por vezes, há pequenos imponderáveis!
Fui para o ginásio, esfalfei-me como sempre, fui tomar banho e quando limpava o cabelo, devo ter dado a mim própria um 'sarrafianço' tão grande que até me saltou a lente do olho direito. Ou saltou ou está ainda cá metida dentro do pálpebra - estou à espera de acordar com o olho inchado, com um derrame ou qualque coisa do género. 
Lá segui a minha vidinha, com uma lente sim e outra não. Já experimentaram ver nestas condições? É um atrofio... E conduzir? A verdade é que até tirei bem as medidas aos pilares daquele parque onde, sem qualquer condicionalismo, escavaco o carrito.
Vim devagarinho, a olhar para 7 e a ver 14 - como se diz no meu Alentejo - e depois, para mal dos meus pecados, tive de ir ao banco. Assinaturas, NIF - aqueles números pequeninos - e eu a puxar os papeis todos para o lado esquerdo - para o olho que tinha lente. Se a minha letra já é feia, tenho a certeza que a senhora do banco desconfiou que estivesse a fazer qualquer falcatrua. Até me perguntou se me sentia bem...
«Ligeiramente tonta», respondi, com dores de cabeça do esforço de focar a vista - uma só vista! 
Bem, foi só mais um pequeno momento de tensão na minha existência. Só espero mesmo que a lente não me tenha entrado pelo organismo acima. Vai ser bonito vai!
Tal não é a moenga....

MyEmoji_190124_110459_33.gif

 

Continuo a dar voltas à minha caixa córnea na tentativa de inventar novo projeto profissional, na tentativa de desvendar que caminho seguir, em como utilizar a escrita para , além de diversão, fazer dela o meu ganha pão (estou a pedir muito, né?). Embrenhada nestes meus pensamentos, socorri-me da minha melhor amiga - a Caetana! «Filha - se a mãe escrevesse livros infantis, que história gostarias que fosse?»
«A história de uma princesa!»
«Raios partam as princesas! O que há mais são livros de princesas. Pensa lá em qualquer coisa diferente, mais original.»
«Então as aventuras de uma menina!», sugeriu-me a minha filhota, de oito anos, metendo, de seguida, as mãos na anca e dirigindo-se a mim como se me quisesse engolir: «Mas olha lá, essa menina não era eu! Não vás arranjar outra maneira para contares a nossa vida!»
Vejam bem, a raspelha - a miss varina que é conhecida como o jornal da escola. A menina que foi comigo à depilação e logo contou ao vizinho no Pingo Doce que «a mãe tinha tirado pêlos das partes privadas!» Eu mereço...
Tal não é a moenga....

MyEmoji_190124_110459_17.gif

 

20190403_083850.jpg

Vocês desculpem mas isto hoje é para abardinar (acho que esta palavra não existe).
Então que fui comprar cravinho para fazer uma receita caseira repelente de piolhos - as escolas continuam minadas com a praga e já estou por tudo para não ter mais bicheza cá em casa (para Bicho basto eu, certo?)
Álcool etílico, vinagre e cravinhos. Eis a fórmula para evitar que a minha piquirrita traga amiguinhos para casa. Fui comprar os belos dos cravinhos e, confesso, fiquei pasma a olhar para a imagem - é que, bem, digamos.... faz lembrar.... não sabia que o cravinho tinha esta forma...assim, percebem o que estou a querer dizer... olhamos para os cravinhos e rimo-nos porque parecem....parece....pois! Isso!
Enfim...como sempre se ouviu dizer - as iludências aparudem! 
Tal não é a moenga....

MyEmoji_190124_110459_1 (1).gif

 

net.jpg

Caetana Pulquéria anda cá!
Aparece a miúda encolhida.
«Já tens oito anos. Não há criadas cá em casa. Migalhas por todo o lado, papéis no chão - arruma-me tudo já!»
O discurso é recorrente, certo?
Caetana Pulquéria, anda cá já (e aqui já estou irritada) : «Tu e aquela porcaria do slime deixam tudo pegajoso. Raio de brincadeira mais parva. Que graça tem aquilo que se cola a tudo, deixa-te as mãos todas pintadas e grudentas e ainda estraga a roupa toda com a cola e as purpurinas? Muito gostas tu de andar a colar....» 
E continuava a praguejar contra aquela nhanha que todas as miúdas apreciam e que, de facto, se alapa a tudo.
Prosseguia eu no meu sonoro monólogo - pois, porque acredito que ela já não me estivesse a ouvir há muito-, quando me responde a boa da Caetana: «Elsa Pulquéria, chega aqui! O que aconteceu à tua net que está toda suja e pegajosa? Isto é pastilha colada?»
Ups!
E saí de fininho...
Tal não é a moenga...

MyEmoji_190124_110459_6.gif

 

pinoquio.jpg

Ora hoje que é dia de brincar, vamos lá falar a sério! Dia das mentiras! 
Para mim sempre foi dia que nunca me deu grande sainete já que sempre espetei petas toda a vida. Agora - façamos a distinção. Sempre foram as chamadas mentiras piedosas- ou para não magoar alguém ou para me safar de alguma.
Nunca menti com intuito mesquinho ou por malvadez. Sempre foram mentiras tipo as da minha Caetana quando diz que já lavou os dentes e nem viu a escova!
Mentiras do tipo quando era adolescente dizer à Gertrudes que tinha milhentos trabalhos de grupo e ia para as matinés da Pandora dançar (acho que esta ela já sabe). Mentiras quando dizia que tinha escola ou qualquer outro afazer e ia com o meu grupinho para a ramboia ou para a Vidigueira beber copos de vinho. 
Ou quando dizia aos meus pais que me tinham partido os óculos na escola (sempre toupeira) e era eu quem me sentava em cima deles de propósito para não ter de os usar! Mentiras como dizer-vos que sempre estou sorridente e bem disposta quando muitas vezes o cabrão do espelho olha para mim e grita-me: «amiga, vai-te esconder debaixo das mantas que ninguém tem culpa dessa tromba!»
Gosto de uma boa mentira. Gosto sobretudo de apanha-las! Há umas muito bem esgalhadas, diga-se em bom da verdade! Contem-me a vossa melhor tanga para eu me rir! Façam-me esse favor!

Tal não é a moenga...

P.S - Mimo matinal da Caetana: «Mamã, tens o cabelo todo castanho e ainda nem tens rugas...»
«Sim, sim filha, quem me dera!»
«Então não é dia das mentiras?»
Bah.....

MyEmoji_190124_110459_1 (1).gif

 

Pág. 3/3