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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Bem, estivadora também não, catano!
Mas acho que qualquer profissão era preferível a estar ali especado, horas a fio, entre patamares de autarquia. Passo a explicar- as funções/obrigações/torturas inerentes à minha atividade de dirigente desportiva - sou vice presidente do CDCRMF-, confrontam-me com várias realidades. Lá tive de ir, mais as minhas parceiras de masoquismo, reunir com forças vivas da região. Deslocamo-nos onde tínhamos de ir, fomos simpaticamente recebidas, até termos de aguardar no 7.º andar (lá fui eu de escadas até ao topo do edifício). Bem, a questão não é essa - é que há um desgraçado que fica ali todo o dia, no meio do andar, sentado numa secretária agarrado a um tablet . Ora- não passa ali muita gente com quem conversar (logo aí, para mim não dava - cristo - muito tempo calada, jamais), depois o silêncio que deve dar cá uma soneira....
Bem, mas aquilo também deve cansar, que o rapaz até tinha um degrauzinho de madeira para por os pés...
Vim para casa a pensar no moço. Pobre criatura ali votado ao esquecimento! Acho que vou fazer uma página de apoio no Facebook.

Tal não é a moenga...

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Acho que o edital que acima se lê foi publicado no ano passado. O que ainda enobrece mais a prosa, pois, se lerem com atenção, frisa a necessidade de adaptação dos tempos à era digital. TOP!
Pois que em Viseu, em Coutos de Baixo, só se pode morrer à quinta e sexta-feiras para que os funerais possam cumprir-se no fim de semana. Está bem pensado- ora que porra. Há toda uma logística para acautelar.
Agora cá bater as botas no início da semana para depois haver confusão na quinta das tabuletas - sinceramente!
Aliás, falecer noutros dias é considerado ato de desobediência civil- lógico! Era o mínimo!
Tudo porque a Junta está na era digital e há que desmaterializar o processo de ir desta para melhor.
Coutos de Baixo está tão acima, tão à frente, tão à frente que, quem quiser visitar a campa de um ente querido, pode fazê-lo on line, a partir do telemóvel ou da App. Ok - isto já é demais para o meu pobre entendimento campónio. Mas há que louvar a vanguarda da referida Junta. E depois dizem que a malta da província é que é tacanha e atrasada! Vai lá vai!

Tal não é a moenga...

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Fala Bicho! É o sonho da minha vida! Ouvir alguém dizer: fala Bicho. Para eu poder dizer as minhas asneiradas à vontade, poder ecoar os meus pensamentos mais aparvatados, contar as minhas anedotas das quais ninguém se ri... Que sonho ter quem me ouvisse mais de quinze minutinhos, vá.
Mas este é o nome de um teatro infantil, em cena na Malaposta (é favor ir ver e contar-me ok; que a minha Caetana não me quer acompanhar e eu não quero ir sozinha aplaudir encenações que já não são para a minha respeitosa idade). Parece que é «uma história muito simples, de bichos que falam e brincam tudo numa linguagem que explora e rima, os sons e, evidentemente, a imaginação. (...) ». Tão eu! Pois claro.
«Caetana, queres ir com a mãe ver o Fala Bicho
«Sim, fala».
«Sim, Fala Bicho»
«Estou a ouvir, mamã. Chata»
«Não, Caetana - o teatro chama-se Fala Bicho!» (É que eu, carinhosamente, costumo tratar o meu pai por Bicho e gosto bastante de quem, também, me trata assim. Daí que a minha fedelha não estranhasse o tratamento pelo apelido). Responde-me ela como se a tivesse ofendido: «Não vou nada! Não me bastas tu?»
Está a ficar um bocadinho altiva. Um bocadinho a dar para o saída da casca. Um bocadinho raspelha atrevida. 
Ai se deixo de falar e começo a dar umas valentes galhetas ...argh!
Tal não é a moenga....

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Ei-lo! Cristo my lord! Por Dios!
Sempre ouvi falar do perfume Patchouly, celebrizado, também, numa conhecida música portuguesa.
Sabia que cheirava mal mas não tinha ideia da dimensão do 'aroma'. Até que o encontrei.
Na minha cabecinha começou logo a rodar a ideia - ih - se eu usasse Patchouly podia ajudar a afastar os piolhos; onde quer que chegasse todos davam logo por mim; quando me perguntassem que perfume usava era grande sainete dizer: «eu? uso Patchouly! »
Achei eu que dava uma brincadeira gira. Até que me vieram as lágrimas aos olhos. Até ia vomitando o almoço que ainda não tinha comido. Irra, fragrância mais disparatada! Que é aquilo? Podre? O esgoto tem melhor odor. Até ali aquela zona do Baixo Alentejo, quando se passa a fábrica do azeite (Oliveira de Azeméis, já agora) cheira melhor que o líquido daquele pobre frasco. Nenhum vidro merece engarrafar aquilo! Para mais ainda lhe dão a denominação de 'Eau de Toilette'. Porra! Mas ainda o vou buscar! Só para chatear umas quantas pica miolos que sempre me dão a volta!

Tal não é a moenga...

 

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Já estou mesmo a passar-me! Prestes a pisar o risco e a dar o TILT. Catano- para não dizer uma asneira cabeluda. Cabeluda mesmo - eis o motivo da minha tripe. É que à minha Caetana, cabeluda, não se lhe esgotam as lêndeas. Quem lhe olha para a cabeça deve pensar que aqui a mãezinha é uma desleixada que não se importa com a higiene da criança. Fossem todas como eu! Já perdi conta ao dinheiro que gastei em produtos anti piolhos e anti lêndeas. Desesperada, consultei aquelas clínicas do piolho que garantem mandar-nos as crianças para casa sem resquício de parasitas. Certo! Então mas a minha tufão chega à escola e apanha-os outra vez! Decidi, então, gastar o preço do tratamento na clínica num pente elétrico que, supostamente, agarra lêndeas e apita se encontrar piolhos.
Outra decisão acertada! Aquilo penteia tanto como uma colher de agarrar esparguete! Mas apitar, apita. De três em três segundos. E não é quando encontra piolhos - é para sabermos que o pente está ligado! A boa notícia é que a miúda não tem piolhos  senão o pente parecia Las Vegas tantas as luzes e os apitos. A má notícia é que, com o dinheiro que dava para encher o frigorifico uma semana, esturrei-o numa m#%&$&%$&da que ainda deve fazer cócegas às lêndeas. Aquela bicheza na cabeça da minha Piqui chamam-lhe um figo! Devem estar a fazer uma rave com os filhos da mãe dos apitos do pente, género a música The Night Train dos meus tempos de rambóia! Moche!!!!

Tal não é a moenga....

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Sério- o meu anjinho da guarda é imbatível! Ontem, dia da mãe, voltei a apanhar uma sova nas palmas das mãos de tanto aplaudir a minha Piqui e demais ginastas do meu clube - O CDCRMF - Centro Desportivo Cultural e Recreativo dos Moinhos da Funcheira do qual sou vice presidente (estão carecas de saber, né?)
Mais um torneio de acrobática e lá fui a caminho de Murches (Cascais). 'Murche' ando eu, catano, e tenho de aguentar-me. Tão estouvada andava, sem perceber porquê, que estacionei o carro, entrei no pavilhão carregada com a minha mochila mais a lancheira da moça, mais um saco com o fato de treino do clube que a minha vaidosa não quis vesti-lo porque tinha calças e queria ir de pernas ao léu..bla, bla, bla...«Ó Elsa, não te falta nada?» Perguntou-me o meu amigo João. Irra? Mais? Que me falta agora, raios? Tão só o telemóvel.
Não me perguntem onde o deixei - se em cima do carro, se ficou no chão do parque de estacionamento...
Mas a sorte que tenho de haver sempre quem me apare os golpes! Tenho mesmo de começar a beber uns chazinhos de camomila ou de passiflora para ver se assento a cornadura.
Porque é que Deus Nosso Senhor não me fez ajuizada e serena em vez de fixe?

Tal não é a moenga...

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Tuta Galamas! Gertrudes Margarida! A minha mãe!
Lógico que hoje vou estar dedicada à minha Caetana que há dias me enche com cartas, mimos e bêjos.
Sei que nasci porque tinha de trazer ao mundo aquela furacão em forma de criança. Falando em furacões - com tanta tempestade que tem aparecido nos últimos tempos não sei como ainda não batizaram nenhuma de Gertrudes. Só porque não conhecem a minha Tuta! Esta mulheri- é a única que me deixa sem palavras, tal o feitio da criatura.
Se sabe que eu, ou algum dos dela, tem alguma dor, nem que seja de uma unha encravada, nem dorme de aflição. Mas quando está connosco, roubar-lhe um carinho é tarefa hercúlea. Às vezes deito-me no seu colo e invento que tenho comichão só para ver se ela me afaga a cabeça. E até os seus cascudos sabem tão bem! Nunca tivemos hábito lá em casa de dizer amo-te, adoro-te, tal como agora faço questão de dizer à minha Caetana todos os dias ao acordar. Só por uma vez vi a minha mãe super fragilizada e sem defesas: na noite em que me levantei de madrugada para ir para a Suécia fazer o Erasmus. Minha Gertrudes estava sentada na cama, chorava desesperada, pedindo-me que não fosse. Deu-me abraco superapertado e encheu-me de beijos. Acho que não volto a receber demonstração tão pura do seu amor. Por isso, Gertrudes,- é verdade-, vou viver para Nuku’alofa, capital do Reino do Tonga que fica do outro lado do mundo!!!!! Vai um beijinho???

Feliz dia da mãe minha Tuta!
(Amo-te!)

Tal não é a moenga....

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Ora, tinha de ser! Não fosse eu ter saudades!
Já vos falei do Guerra?
Pois que Fernando Guerra, José Fernando de seu nome, foi meu editor e chefe no jornal A BOLA durante largos anos. Quem o conhece sabe a peça de que falo. Sempre tivemos relação especial. De amor/ódio muitas vezes! Quando estavamos para embirrrar um com o outro...ui! Eu não me calava e ele até gostava de ser desafiado!
A verdade é que me ensinou muito (além do curso intensivo de gestão de nervos que me proporcionou).
Muitas vezes fui para casa a chorar, depois de sair do jornal. Muitas vezes chegava à cama e continuava a ouvi-lo falar comigo! Mas, também, quando lhe dava para ser meu amigo...Era alentejanita para cá, alentajanita para lá.  Adorava chamar-me Madre Teresa de Calcutá por sempre defender quem o receava.
Enfim, foram 18 intensos anos. Saí do jornal A BOLA, por decisão pessoal, por a minha filha precisar mais de mim que o jornal, e propuseram-me agora escrever um livro. Um livro sobre um individuo cheio de histórias (ainda não posso dizer muito mais). E o que tem isso a ver com o Guerra?
Nada - se o protagonista do meu livro não fosse igualzinho a ele. Esculpido e escarrado. O cabelo branco com risco ao meio, a estatura, o olhar, a voz rouca e arrastada, o rastilho curto, as reações espaventadas... E este ainda fuma cigarro atrás de cigarro como o Guerra nos tempos em entrei para a Travessa da Queimada. Ainda me lembro da primeira reportagem que me pediu. Depois de lê-la, chamou-me ao corredor - quando alguém era chamado ao corredor já sabíamos que precisaria de consolo. E perguntou-me: «Ouve lá, quem é que escreveu isto por ti?»
Sempre simpático. Levava com cada arranque... E este agora é o mesmo: «Lá está você, menina! Você e essas manias de jornalista...»
Só Guerras na minha vida! Ó karma!
Tal não é a moenga...

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A minha alma está parva!
Outro dia fui a um workshop sobre bullying para pais na escola da minha Caetana. Iniciativa de louvar e fui ouvir, da boca de uma psicóloga, o que se passa na cabeça desta moçada que é muito mais à frente do que nós éramos no nosso tempo (pelo menos eu era uma tapada de uma songa monga)!
Claro que no 1.º ciclo os conflitos pouco passam dos cíumes entre as miúdas, dos pontapés nas canelas, das corridas dos rapazes atrás delas para lhe darem beijos à força. Mas fiquei a saber que no secundário a estupidez tolda o discernimento da malta. Então parece que fazem uns jogos que nem sei como classificar: há o jogo do lenço - consta em apertar os gasganetes de algum pobre coitado com um lenço até a vítima sentir-se mal (muita giro, hã?) ; o jogo do túnel - aquele em que uns desgraçados passam no meio para levar uns valentes calduços-, o jogo da lata e da prata, em que os escolhidos levam com latas na cabeça e com papel prata enrolado em bola que dói para catano, e aquele que me pôs doente, pasme-se, o jogo do poste. Uns estropícios pegam nas mãos e pernas de alguns coitados e correm com eles para os espetarem num poste!
Quanto a elas - obrigam miúdas a emagrecer até caberem atrás de folhas A4 ou A5.
Irra - e eu que pensava que quando, em Beja, pegaram em mim e me levaram o cú à bica, tinha sido vítima de brincadeira atroz! Bem, também não foi lá muito bom ficar toda molhada da cintura para baixo mas também só me aconteceu uma vez que eu era tão anafadinha que eram precisos uns cinco ou seis para me carregarem. Fiquei depois, ainda, a saber que, pelo Alentejo, há uma outra moda ainda mais bonita (!!!!!!) - eles baixam as calças e há uma que faz sexo com todos, perdendo o rapaz que primeiro tiver o orgasmo. Que é isto, pá?
O que nos espera mamãs desta geração?
Eu cá levei umas belas galhetas da Gertrudes que não me fizeram mal algum!
Estejam atentos, é o meu conselho! Acho que vou começar a levar o computador para a porta da escola e trabalhar olhando para estes pirralhos que têm tanta coisa, tanto brinquedo, tanta distração, tanta porra que já não sabem que mais fazer para sentirem-se estimulados. E a culpa é nossa!
Caetana - vou deitar-te tudo fora e vamos aprender costura!
Tal não é a moenga...

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Lembram-se de ter desabafado com vocês e dizer-vos que, depois dos pássaros, gatos e galos, agora eram grilos com fartura debaixo da janela que não me deixavam dormir e que não deveria faltar mais nada para me azucrinar o descanso? Pois, aquilo que eu mais temia aconteceu.
Já vos contei, também, que tenho um medo estúpido de pássaros - aliás, tudo o que tenha bico e aquelas patas metem-me mais asco, pânico e impressão que um leão. Juro! Ora, com estes calores, a boa da Elsa Marina vá-de abrir janelas para a casa apanhar solinho.
Saí de manhã, cheguei ao fim do dia e estava a arrumar coisas na cozinha quando comecei a ouvir um bater de asas. Olhei pela janela - deve ser mais um cromo de um pombo a rasar o estendal da vizinha, pensei.
Assim que me viro - catano - lá estava ele! Um pardal ou um pintassilgo ou que raio era o bichesgo com umas cores maradas. Feio que doía. Cheio de penas e patas. Fiquei logo apavorada.
Pensei ligar ao Zé Luís mas ia gozar-me para todo o sempre (mais ainda). Engoli o medo, corri para a porta... e fechei-me na cozinha. O animal há-de acabar por ir-se embora, pensei. E assim fiz.
Ali fiquei a ver televisão na cozinha até serem horas de ir buscar a Caetana à escola. Com a graça de Deus o pássaro abalou. Voou. Morreu. Foi-se. Escafedeu-se.
Fechei as janelas, respirei fundo e ao ver-me no espelho do elevador reparei que ainda me deixou uma pena no casaco. Deixou foi ADN em todo o lado, o filho da mãe!

Tal não é a moenga...

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