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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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É certo e sabido que o c#$#$# do Covid veio dar cabo do realejo, como se diz em bom alentejano.
A economia vai ressentir-se; isto já estava mau e vai ficar bem pior.
Eu cá continuo, fechada em casa na companhia da minha Caetana que se tem revelado ótima sucessora do ministro Mário Centeno (que até se fala poder sair).
Verdade seja dita: a miúda gosta de trabalhar ( a quem terá saído?).  Quieta é que não aguenta estar (a quem terá saído?). Tem os chamados bichos escarapinteiros no corpo (faz sentido...) Pois que a moça autoencarregou-se de sempre ser ela a tirar cafés. E se eu bebo cafés! Pensava eu que estar em casa era boa oportunidade para reduzir o consumo mas, afinal, tem sido o contrário : mas, depois, também penso - o comendador Nabeiro, um SENHOR, altruísta como ele só, benemérito em todas as situações, um coração do tamanho de todos os Alentejos do Universo, merece que a sua DELTA seja a marca das marcas para que também ele continue a ajudar quem precisa. 
Vai daí que bebo cafés e descafeinados como se não houvesse amanhã (pelos vistos já esteve mais longe de acontecer).

O que eu não estava à espera era que a minha 'Salazar' (salvo seja) visse nisto oportunidade de negócio.
Larguei-me a rir quando chegou ao pé de mim exigindo que cada café tirado e trazido à mesa valesse um euro para o seu  'minalheiro', como antes dizia. Está bem feito, sim senhora. O governo não nos diz para ver nesta grande adversidade, boas oportunidades?
Pior: nem se preocupa quando lhe digo: «filha, sabes que a mãe não está a trabalhar»!
E ela com isso. Por Dios!
Tal não é a moenga!

Cuidem-se!

 

 

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Enfim! Figurinhas! Nada a que já não esteja habituada, certo?! 
Encafuada no Moinho do Guizo, resta-me passear os ténis aqui pelas redondezas e pelos seus depressivos ermos que até causam arrepios: acreditam que encontrei um quintal com montes de tangas- bonecos, panos, ervas e outras cenas maradas- penduradas num género de altar? Vudu? Por Dios!

Lá peguei na minha' mini me' (a Caetana) que é ginasta e atleta mas não pode com uma gata pelo rabo. Dá três passinhos e começa logo a reclamar cansaço. Ou seja, acelerar a minha frequência cardíaca depara-se-me como tarefa hercúlea. Tive, então, a brilhante ideia de fazer marcha para ver se conseguia imprimir alguma  velocidade ao passeio enquanto puxava pela Caetana. Que figurinha. Ainda bem que não encontrei ninguém na rua ou ainda ia parar ao You Tube. Com todo o respeito por esta modalidade olímpica - senti-me uma perfeita 'tantan' (mais ainda). Mas lá me obriguei a percorrer alguns metros naquele esforço - anca para cá, anca para lá... Suar? Esquece lá isso. Só consegui ficar com mossa na crista ilíaca; fémur que desde nascença me obriga a consultas de ortopedia. Sabem que isto de não andar aos saltos está a consumir-me a existência!  Sou estupidamente maluca com o ginásio , mais pelo bem que faz à cabeça que ao corpo... que isso já foi tempo!

Curioso que muitos de vocês mandaram-me mensagens preocupados com o fecho do Fitness Hut e das consequências disso na minha já escassa sanidade mental. Como se me tivesse falecido o hamster!!! Conhecem-me tão bem! Pessoinhas 'mai' lindas do meu coração!

Enfim! Já marchava já. Mas era de casa para fora!
Isto não vai ser fácil!

E esperem lá: chegou a Primavera? E se a dita fosse para o real orifício? Chuva? Nem marchar posso?

Tal não é a moenga!

Cuidem-se!

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'Mê' Bicho! Hoje é Dia do Pai! 
Todos nós dizemos que os nossos são especiais mas acreditem que o meu é, de facto, suis generis. É um bem dispostão, sempre  a rir, a contar anedotas - muitas delas sem gracinha alguma (aproveito para dizer-te). É uma casa cheia. Um sol. Agora é já mais netos, como é normal, mas quando era só eu e a minha irmã, ainda que sem grandes manifestações, ai de quem criticasse as moças do Bicho. 
Receber carinhos do meu pai sempre foi experiência marcante. Literalmente. Antes de chegar ao beijo na bochecha há sempre um puxão pelo braço, um calduço que não dói tão pouco quanto isso (até me chegam as lágrimas aos olhos). Tem a mania de dar-me um palmadão que, devendo ser no rabo, apanha-me sempre a zona dos rins, o meu calcanhar de Aquiles.  Baterem-me no final das costas é o mesmo que ligarem-me a um poste de alta tensão.
Pensando bem - a palmada que era no rabo apanha-me os rins - será que já tenho o befe assim tão descaído? Caraças que isto está a ficar galopante!
Seja como for, já passei muitos dias do Pai sem estar contigo, meu Bicho, mas este custa mais porque, efetivamente, podia por-me a caminho de casa se não fosse o estropício do Covid.
Sei que te vou ligar, dar um beijinho virtual e tu vais responder: «Obrigadinha. Obrigadinha!»
E já que hoje não corro o risco de levar a bela da galheta no lombo: 1) enerva-me estar ao telefone contigo e tu continuares a falar com outras pessoas 2) já paravas de ir para o clube da pesca - dedica-te ao Facebook - convida os meus amigos que eles são fixes 3) Adoro-te e nunca no mundo haverá pai como tu 4) És o meu vírus para o qual jamais haverá vacina. 

P. S - Quando te apanhar estrafego-te.

P. S 2- Espera até eu entrar em estado de emergência.

Tal não é  moenga! 

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Ela chorava e eu ria! 
Publicava o meu amigo Adolfo outro dia no Facebook - «daqui a uns dias, com os putos a estudarem a casa, vai tudo para as janelas aplaudir os professores de hora a hora». Estou contigo moço! Isto é um filme.
Tirando as letras e as línguas, sou burra que nem um calhau às restantes disciplinas (até a função dos caules, folhas e nhanhas que tais tive de 'reavivar' com a minha irmã Isabelinha).
Matemática? Contas? Frações? Agora fazem tudo ao contrário! Vão buscar números de empréstimo que depois subtraem em vez de fazerem cálculos diretos (como?) Por Dios! Caetana, filha, é bom que sejas inteligente que aqui com a tua mãezinha não te safas.

Mas os trabalhos de português...vão correndo. 

Pedia um exercício para escrever palavras no feminino. A boa do meu tufão em forma de criança caminhava para mim, altiva, cheia de personalidade, cheia de certezas para mostrar-me os TPC que, para ela, eram 'peaners'. 
Ficou, porém, toda ofendida quando me larguei a rir quando vi que, para a minha mulherzinha cheia de estilo, o feminino de patrão era...patrã!

Ao ver-me rir, a bela da minha criança largou-se num pranto.
Mais eu ria, mais ela chorava. As lentes dos óculos embaciavam-se e foi difícil resolvermos o dilema e fazermos as pazes. Um abracinho e umas mordidelas no pescoço, polvilhadas com 'bejos' babosos, resolviam mas os tempos não estão para isso - já agora: conseguem não estrafegar os vossos em casa? Eu tento mas quando dou por mim estou a comer cabelos dela (beijos brutos na cabeça!)

Por fim, a minha 'patrã' cá de casa lá se calou! 

Resumindo e baralhando - pensava eu tirar o CAP para dar formação!!! Melhor desistir, não? Pedagogia também já se percebeu não ser o meu forte. Mais um requisito a incluir na extensa lista dos «esquece lá isso, Elsa Marina»!

Tal não é a moenga!

Cuidem-se!

 

 

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Calm is a superpower que eu, definitivamente, não tenho! 
Há sete meses e meio suspendi estas minhas baboseiras - sabem que neste blog não se aprende nada , só vos ajuda a sentirem-se melhor depois de perceberem que há quem seja mais tresloucado que vocês (eu) - , já que, ao abraçar novo projeto profissional, tive de enfatizar o meu lado de senhora responsável, profissional, séria.  Ora, tal não combinava com as histórias estapafúrdias  (mas sempre verdadeiras) que aqui confidenciava.
Porém, agora que já tive de tapar o espelho que nem consigo olhar mais para a minha própria trombeta- e porque desconfio que vá demorar um belo tempo até poder 'vestir' de novo a minha faceta executiva-, volto a desempoeirar o cérebro por aqui - já que não posso dar muito à língua ou desconfio que me atiram do 3.ª andar abaixo.

Por Dios - só passaram poucos dias e isto já começa a descambar!
Para mais a minha casa não é grande. Aliás, nunca vivi com muito espaço (sempre tive medo do meu desarranjado sentido de orientação). Mas isto de ter poucos metros para dar à perna revelou-se problema a resolver assim que este bicho, de seu nome Covid, deixar de ser mais famoso que eu [ah ah ah]!
Eu sei onde estão as ombreiras das portas mas não há dia que não esbarre nelas. As nódoas negras são o de menos. Já parti chávenas de café - vá lá que são daquelas oferecidas pelas marcas ( imaginem que gostava de Limoges!); já entornei um copo de água em cima da mesa cheia de livros e computadores!
Já me deu para fazer máquinas e máquinas de roupa, lavar lençóis e bonecos sem destino o que ainda me comunicou mais com os nervos, ficando ainda mais triste com a condição para a qual não nasci. Sabem bem que ser prendada é atributo que não me assiste (como dizia outro!)

Estou  a ficar, muito, mesmo muito impertinente! Pior, não posso melgar a toda a hora, como sempre foi meu hábito, todos quantos me moram no coração (aish...que já está a dar-me para a lamechice, o que é gravíssimo!)

E agora esta ventaneira, pá?

Nunca a minha expressão alentejana favorita fez tanto sentido: tal não é a moenga!
Cuidem-se!
Eu...  não respondo por mim!

P.S - As futilidades ajudam a aligeirar situações de extrema seriedade.
Todos devemos estar seriamente preocupados. 

 

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