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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Começo a aperceber-me que os meus pais sofreram um bocadinho comigo...E já mulher feita continuei a fazer das minhas. Quando fui para o jornal A BOLA, comecei por integrar a redação do BOLA 7, um espetáculo de suplemento que saía ao domingo com o jornal, espaço para outras modalidades pouco promovidas na imprensa, páginas com um grafismo superatraente. Fui destacada para fazer reportagem sobre pesca do tubarão. Lá fui eu para o Algarve, sendo das primeiras a entrar para o barco. Sim que de avião só ando se me partirem uma tábua de cerejeira na mona mas para barcos estou sempre pronta. Os colegas de outros órgãos de Comunicação Social todos enjoaram. Tomaram comprimidos e acabaram por adormecer. Eu fiquei bem amiga dos pescadores. Lá estava eu na proa a ver os peixes quase saltarem para dentro da embarcação. Tubarões nem vê-los mas atuns...são lindos ao sair da água, espelhados e de cores mil. Como não vi nenhum dentuça dos maus, o capitão do barco deu-me uma cabeça de tubarão embalsemada. Fui para Beja e pensei - que faço eu com isto? Tanto pensei que me esqueci da prenda.
Voltei para Lisboa. Em conversa ao telemóvel com a Gertrudes, queixava-se ela: «ai Noca, que estamos aqui com uma trabalheira...cheira tão mal, não sabemos de onde vem o cheiro do vosso quarto. Já dei volta a tudo, não encontro nada». E eu continuei sem me lembrar do tubarão. Até que me ligou outra vez em pânico: «mas que bichesgo é aquele, Noca?» - e ela então que é medricas com todos os seres que Deus Nosso Senhor pôs no mundo. ..Então, embalsemado, lá pensei que apodrecia? Bah....

 

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 Já subscreveram o meu blog? É só colocar o vosso mail aqui ao lado, por baixo da minha fronhita...ou querem que me IRRRRITE? Hum?
Por Dios...

Há dois dias fui ter com a minha parceira Filipa Reis ao jornal A BOLA. Sinto falta daquela gente que sempre teve paciência para aturar as minhas pachouvadas. Foi quando ela me sugeriu que contasse mais uma das minhas calinadas nas longas, longas horas que têm 18 anos de lidação diária.
Na Travessa da Queimada, em pleno coração do Bairro Alto, ainda hoje existe uma mercearia na esquina. Na nossa altura de moças novas o estabelecimento pertencia ao senhor António. Éramos clientes assíduas, sobretudo para as belas das garrafas de água. Até que a mercearia fechou para obras. Assim que reabriu lá fui eu e a bela da Filipa. Eu, como muitas vezes não consigo pensar antes de falar, comecei com a minha inata simpatia. «Isto ficou muito engraçado. Está bonito, muito melhor... »
«Sim, pintamos, mudamos prateleiras, fizemos algumas transformações...»
«Bem, senhor António, de tudo o mais espetacular é o teto. Ficou bem giro, com esta madeira antiga trabalhada...»
Diz o senhor António: «Pois, o teto foi a única coisa que não mexi!»
A Filipa largou-se logo a rir e deixou-me lá, sem buraco, nem teto, onde me esconder.