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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Epá, eu se não fosse alentejana , esmifrava-me outra vez para dentro da Gertrudes para voltar a nascer em Beja!
Estive na minha santa terrinha no fim de semana da Beja romana - bela iniciativa. Espetáculos pirotécnicos, recriação de profissões, atividades e vestes dos tempos em que a cidade era Pax Julia, barracas e barraquinhas,  trovadores, cantadores, contos, cortejos, danças...bonito! Bom ver a minha Beja cheia de vida! Estava eu nas Portas de Mértola a ver o desfile, a ouvir o rufar dos bombos e a aplaudir um equilibrista numa bola gigante quando passa senhora algo chateada. Critica. Em nervos. Piurça mesmo. 
«É o que é- sempre a mesma moenga (onde é que já ouviram isto?). Lá para a brincadeira estão sempre todos prontos. Querem é palhaçada. Agora trabalhar é que está mau. Trabalhar está quieto. Como é que querem que isto melhore?», dizia a bejense, em alto e bom som, num sotaque bem profundo e cerrado, juntando-lhe alguns imprompérios que nem parecem vernáculo com a doce e melodiosa terminação alentejana. Eu ri-me.
E toda a gente se riu. E a senhora lá prosseguiu caminho, voltando costas à animação, chamando todos de «bando de filhos da...». Filhos pródigos, certamente.
Ah, ah, ah!
Tal não é a moenga...

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Sabem qual o nome mais carinhoso com que trato o pobre do homem que me atura?
Sim, o desgraçado do Zé Luís (a Maria Andrade até já tentou mediatizar a hastag #todoscomozeluis)!
Chamo-lhe NOIVA. O homem demora eternidades para despachar-se. Nunca casamos mas, se o fizessemos, teria de marcar a cerimónia para as 20 horas e por-lhe despertador às seis da manhã! Nunca vi!
Como anda sempre em estágios, jogos, viagens, hotéis e deslocações o seu 'necessaire' é do tamanho de um ecoponto. Fomos para Beja e, como sempre, levei apenas o essencial para mim e para a miúda . O bom do senhor diretor leva sempre sapatos e roupa para sol e chuva, mais duzentas maletas e sacos e o belo do necessaire com produtos de higiene de todas as cores e feitios.
Naquele dia levantei-me com os caracoís todos revoltos e vi uma espuma entre os seus 'detergentes'. Dei uma bombada naquilo, saiu uma espuminha toda consistente e apliquei-a no cabelo, apertando os caracóis. Cheiroso que ficou o cabelo!
«Elsa Marina - isso é gel de banho!», gritou-me!
Arre - como podia eu saber no meio de tanta nhanha daquela, porra?!
Ainda gozou comigo. Capaz de me caírem o resto das farripas...
Ainda têm pena do desgraçado cuja cruz sou euzinha? Hum, Maria Andrade?
E que tal uma hastag #coitadinhadabicho?

Tal não é a moenga....

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Ir a Beja é sempre aquecer o coração . Verdade que já quase ninguém me conhece, nem eu conheço muita gente, verdade se diga! Mas sempre rio com o trato tão particular. «Um café, por favor.» «Quer um cafezinho?», respondem, sempre. «Uma garrafa de água...» «É mais uma aguinha!»
«Arranja-me umas Trident» - «Quais são as pastilhinhas?»
A resposta surge sempre em forma de pergunta, terminando em diminutivo...
Respostas foi o que não ouvi do típico alentejanito que lia o jornal atrás da minha mesa. Boina, casaco xadrez, lá se meteu com a minha Caetana, calando-se depois. 
«Mãe, o senhor está a dormir.»
«Não está nada,filha, está a ler o jornal.»
«Mas nunca mais passa de página?»
Até o ler leva o seu tempo naquela terra - ah, ah, ah!
A verdade- veja-se a fotografia - é que fiquei sem saber se, de facto, o bendito velhote adormecera, cambaleando para cima do jornal, ou se a leitura estava tão interessante que não conseguia despegar-se do periódico.
Saímos  e ele lá ficou. A fazer ou não uma sestinha, louve-se que naquela terra toda a minha gente conserva o hábito de ler o jornalinho. Bem hajam!
Tal não é a moenguinha...

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20190420_172100.jpgFui passar a Páscoa a Beja, minha santa terrinha que me viu nascer e virar nesta destrambelhada que sou, terra abrilhantada pelo meu castelo que vislumbro da varanda de casa dos meus pais. Páscoa bem animada, logicamente, com os meus sobrinhos, filha, e, claro, com o bom do Bicho e a bela da Gertrudes que estavam enxonfrados. E contaram-me porquê. Atentem no despautério. Começa o Bicho.
«Estava eu na loja, aparece-me uma senhora com três pacotes de amêndoas. Bem, não eram amêndoas, eram ovinhos de chocolate...tão bons! Disse-me: olhe, isto é para si. Não conhecia a pessoa, pensei que fosse alguém conhecido da tua mãe, agradeci e pensei - fica um pacote para cada neto. Mas depois, refleti melhor: se vou dar isto à Nana [a minha Caetana], a Noca [eu] joga-se ao ar por causa do açúcar. 'Atáo' abri um pacote, fui comendo e guardei os outros dois pacotes para distribuir por todos os netos. Cheguei a casa diz-me a tua mãe: 'atão' não te foram levar nada? Sim, três pacotes de amêndoas. E onde estão? Um comi-o.»
A Gertrudes interrompe.
«Ó Frasquinho, parece impossível! Porque hás-de ser tão gulerpa? Fui eu que encomendei as amêndoas à Lúcia da mercearia para dar aos filhos do teu sobrinho Luís se ele aparecer por aí. E agora? Tem três filhos e só lhes dou dois pacotes? Sabes que és pré-diabético e só te embutes em doces! És um depósito! Uma plataforma! Pior que um crematório - esmaga tudo!»
A discussão continuava...
«Não foi 'atão' nada... Tive de ir a correr debaixo de chuva comprar mais três pacotes de amêndoas para dar aos gaiatos. Nisto tudo, gastei mais de 20 euros em doçaria. E o Luís não apareceu com os putos! Foi só deitar dinheiro fora», gritava a Gertrudes, possessa com o guloso do Bicho, que, verdade se diga, não tinha como adivinhar que as amêndoas tinham destino reservado.
Resumindo e baralhando: «Onde estão os outros dois pacotes que foram levar à loja, pai?»
«Estão para aí...», respondeu, baixinho, o Bicho, como quem diz: cala-te, continuando a levar esbregues da Gertrudes. 
Uma animação...Nem me deixaram ver a 'Música no Coração' como deve ser...
Tal não é a moenga...

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Dia do Pai: santo Bicho! Haverá homem melhor à face da terra? 
É que não minto quando digo que o meu pai é uma casa cheia. É daqueles que conta anedotas- umas bem secas por sinal-, e fica ali a rir-se daquilo tempo e tempo.
Chora de rir, limpa lágrimas, repete a anedota para continuar a rir-se, chega a engasgar-se de querer falar e rir ao mesmo tempo. E consegue por-nos a todos a gargalhar até nos doer a barriga. Não da anedota que, às tantas, já ninguém se lembra, mas a rir do riso e da satisfação dele. 

É daqueles que começa a contar as histórias do fim. Género: «Bem vocês já não se lembram! Nem eu, ó 'atão' isto foi há tantos anos. Eram vocês pequenas! Nesse dia até levamos a Tinda. ... » e por aí segue, sem dizer ao que está a referir-se, até que, normalmente sou eu que lhe dou o safanão - 'atão mas estás a falar do quê?'

Bicho liga-me quando está a ouvir cantares alentejanos - normalmente só eu partilho da animação dele com o cante-, conta-me pela enésima vez as aventuras da tropa e chora- basicamente é um boneco chorão -, ansioso por mais um jantar com os camaradas da 24.ª Companhia.

Tem uma paciência de santo para os netos, com quem brinca como se fosse miúdo - tem mais agora do que alguma vez teve para as filhas (toma lá a alfinetada). Mas o ciclo da vida é mesmo assim, certo? (Estou tão profunda!)

O Bicho está cada vez mais mouco - duro de ouvido que vai lá vai - mas ainda que já passado dos 70 anos mantém uma ondinha no cabelo que é o seu maior orgulho. Cabelo pouco branco e a bela da ondinha lá no topo da cabeça que parece trabalhada com o mais perfeito brushing mas que toda a vida lhe foi natural. Por norma Bicho está sempre bem disposto - querem vê-lo passado? Joguem-lhe a mão à ondinha....

Mas hoje quero-te muito feliz, por seres o melhor pai que alguma vez poderia ter tido.
Fui muito abençoada. Eu e a Zabelinha, naturalmente, que não é moça destas exposições.

Noutra publicação logo conto as vezes em que estás a falar com pessoas sem saberes quem elas são, ou quando lhes trocas os nomes, ou quando andas despassarado e até esqueces de aniversários importantes.....Ainda esta manhã: «ciao Nana, beijinhos Tuta, ai espera és Noca...»

Feliz dia do Pai meu Bicho!

 

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Ora cá ando eu a tentar fazer com que gostem de mim na minha nova atividade profissional (nada definitivo porém!). Confidencio-vos que não está a ser nada fácil e que não estou habituada a ver caras fechadas. Mas enfim, vivendo e aprendendo.
Mas outro dia disseram-me: «Temos de praxar a menina nova!»
Bem - primeiro o registo com muito agrado de me tratarem por menina. Depois, foi boa a viagem que me proporcionaram até há 20 anos. É que a última vez que fui praxada tinha entrado para a Universidade. Simpaticamente, chegaram ao pé de mim e perguntaram-me de onde era. «De Beja», respondi orgulhosa, de peito inchado. «Ai, sim, então deves dar muitos bejos. Podes começar a bejar quem encontrares na Universidade.»
Foi ou não foi uma grande praxe? Passei o dia a beijar a malta, sobretudo os rapazes mais engraçadotes, ih ih ih
Agora podiam fazer o mesmo...Pensando bem, melhor não. Não deviam achar graça! Catano!

Tal não é a moenga....

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Foi muito bom ter estado com a minha amiga Áurea quando fui a Beja.
É daquelas amigas com quem não falo meses a fio mas, quando nos reencontramos, é só paródia, sem cobranças nem atritos. Apenas muito assunto, muito assunto mesmo... E um desses assuntos foi , claro, o meu Bichanando. Diz-me ela: «Tenho estado à espera de ver quando contas aquela do Governo Civil.»
«Qual?»
«Ah, já não te lembras? Estavas tu na Rádio Voz da Planície quando cá veio o João Cravinho, então ministro das Obras Públicas. Veio cá inaugurar um troço de uma estrada e estivemos com ele no Governo Civil. Vinha o homem a descer quando tu despencaste da escadaria! »
Obrigadinha amiga por me teres recordado de mais um dos meus tesourinhos deprimentes. Acho que o meu inconsciente já os começa a bloquear com vergonha dele próprio. Também que raio de gente era aquela daquele tempo que nem se lembrou de gravar e publicar no You Tube? Catano!

Tal não é a moenga...

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Há coisas que só me acontecem a mim! De certeza.
Pois que fui passar o último fim de semana a Beja, minha santa terrinha que me viu nascer e crescer (sobretudo para os lados). Combinei logo de ir beber café, sexta à noite, com a minha amiga Áurea Dâmaso de quem gosto às carradas. Lá estivemos a por a escrita em dia, despedindo-nos, três horas mais tarde, defronte ao café. Lá me dirigi para o meu carrinho branco, entrei, sentei-me, andei à procura dos óculos na minha mala onde cabe o Fernando Mendes antes de emagrecer mas logo percebi que tinha o banco muito para trás. Raios! E que limpo está o carro. E os estofos não eram cinzentos? Estes são pretos. Só quando olhei para o tablier percebi que, definitivamente, aquele não era o meu bólide. O meu carrinho estava, pois, estacionado ao lado, sendo igualzinho aquele. E eu, despistada, entrei no primeiro sem reparar na barracada.
Saltei, então, do carro que não era meu, comecei a gritar pela Áurea que só se ria e ainda estou para perceber se o dono do outro BMW tinha deixado o carro aberto ou se eu, com o meu comando, o tinha aberto também.
Ainda fomos ao café perguntar de quem era o carro mas não tivemos sorte alguma. Lá deixei o veículo gémeo aberto, como estava, rindo com a ideia de alguém me ter visto espojada num carro que não era meu. 
Mas olha, Áurea, no outro dia voltei lá. Estava no mesmo sítio e já fechado. Fiquei com receio que alguém o tivesse roubado durante aquela noite.
Devia era ter sido eu - ao menos trazia um igual com muito menos batidas.

Tal não é a moenga....

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O meu Bicho faz 71 anos! Parabéns pai! Mê amori! O Bicho é o maior.
Está sempre a chorar - de tanto rir! Ele manda os foguetes, apanha as canas...é festa em forma humana! Depois puxa do seu lencinho de pano, que está sempre no bolso direito das calças, e ali fica a rir sozinho, divertido com pouco.
No último fim de semana estive com ele em Beja. Estava feliz, tinha trocado de carro (já não era sem tempo que o último tinha 26 anos e parecia um galinheiro: a porta do pendura não fechava e a bagageira só lá ia com um cordel...)
A alegria do homem com o carro novo chegava a emocionar. Parecia uma criança no dia de Natal. 
«Pai que estás fazendo sempre ao pé do carro?»
«Estou a guarda-lo. Nem quero que lá pousem moscas!»
E ria-se. Como sempre! E ainda hoje continuo a aprender tanto com ele.
Como bons alentejanos, além de saber rirmo-nos de nós próprios, gostamos sobremaneira de comentar a vida dos outros. E já nem sei cuja casaca cortavamos quando o belo do Bicho tem a seguinte tirada: «Está um bocadinho apozinhada!»
«Está o quê?»
«Apozinhada, anafada...gorda! Só não sei se se escreve com 'o' ou 'u'.»
E foi risada geral. Seja como for, mê pai, mê amori, que tenhas um dia apozinhado de felicidade e saúde. Nunca me faltes que não aguento!

Tal não é a moenga

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Ora, então, Feliz dia de Reis. Para nós é o fim das festas certo? Materialmente falando...Este ano adorei o meu Natal. Em Beja, na casa da minha irmã, cheios de boa disposição, cante à desgarrada - só eu e o meu pai, note-se!
É que, penso já vos ter confidenciado, fico muito baratinha no que respeita a aquecimento vínícola. Qualquer meia garrafinha me despacha. Só gosto de vinho tinto e, se der três goles numa cerveja, fico estúpida, agressiva, irritante, irritada, apetece-me morder, um desatino. Mas o vinho tinto desinibe-me (ainda mais). 
Então que o meu Toninho este ano tinha lá para mim toda uma Ermelinda. E este foi o resultado (ver o vídeo abaixo). A pedido de várias famílias aqui fica o registo (é bom que a minha Caetana não descubra que isto anda aqui senão fica envergonhada).
Dizer-vos ainda que, depois disto, ainda me aventurei a cantar Mariza e Dulce Pontes - foi quando comecei a ver o fundo à Ermelinda. O que vale é que só é Natal daqui a 12 meses! Feliz dia dos Reis!