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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Isto está tudo ao contrário. Sexta-feira Santa? Páscoa? 'Atão' onde está o borrego dominical da Gertrudes (ela faz sempre outra coisa para eu comer que aquele animal...só o cheiro ressuscitava Jesus Cristo)! Por Dios!
Então mas e a gritaria dos putos sempre cheios de fome? Onde estão os quatro ou cinco ovos de chocolate gigantescos já que ninguém se lembra de oferecer mais nada? E o convívio familiar próprio da quadra?
Ai não temos direito a nada por causa do Covid? Então- nem o mísero folar passa da porta para dentro!
Também só o queria para comer o ovo cozido. Expliquem-me lá porque é que os ovos dos folares têm gosto diferente, e bem melhor, que os normais? Por estarem ali entranhados na massa há três quinze dias? Pelo verdete que alguns até já trazem? Seja o que for - o ovo cozido dos folares de Páscoa tem outro encanto. São muito mais saborosos e nada disto tem metade da graça. Sem emaranhanço, sem tradições! 
Ai- esperem-, vai dar o Ben Hur!
Estava eu aqui a dizer que esta Páscoa era fraquinha e fajuta. Que heresia! Há coisas que nunca mudam. Venham os Covid que vierem!

P. S. - O que se bebe de alcoolico na Páscoa?
Estou a perdê-lo!!!

.... Ora o quê....o CONTROLO!

Tal não é a moenga!

Cuidem-se!

PÁSCOA FELIZ

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Isto de estar longe da rotina está a mostrar-nos, efetivamente, o que de melhor tínhamos no nosso quotidiano e aquilo que, afinal, até se nos depara superflúo.
Está a mostrar-nos as pessoas que, realmente, nos fazem bem e aquelas que, sabemos, até simpatizam connosco mas, no final da equação, não se incluem na nossa matemática.
Ainda que seja péssima nas ciências exatas (confesso que não sei sequer a tabuada do 9), há frações de mim das quais sinto muita falta. E o João Pinto é uma delas. No todo, ele representa, vá, 1/9, ok um 1/8... mais 1/3 do que de bom tenho nas minhas semanas. Isto para dizer que gosto MESMO muito dele (sabem que também não sou grande mel com lamechices!).
É daqueles gajos que puxa a malta para cima, que só diz asneiras, que também nos diz o que tem a dizer nas fuças, seja bom ou mau, um desprendido (parece). Mas, quando nuvens cinzentas nos atazanam, o Pinto é dos primeiros a perceber que não estamos bem, conseguindo transmitir-nos mais força com aqueles pequeninos olhos azuis do que com os biceps que tanto trabalha e, ilusoriamente, insiste para que também nós consigamos inchar (dah).
Hoje é o seu aniversário. Era dia de paródia. Lá está confinado em casa com a sua Carol. E bem! Está feliz. Eu sei!
E partilho dessa felicidade. É o meu PT das quarta-feiras. É o meu elixir da juventude há mais de 20 anos. 
Até das suas coças tenho saudades. Dos nomes que me chama, do quanto me achincalha, do vernáculo com que fala comigo, das palmadas secas nas pernas (onde me apanha, aliás...) que chegam a deixar marca (parece uma pessoa que é vítima de violência...), das gargalhadas que me faz ecoar ficando todo o ginásio a olhar para nós (será que sou muito espalhafatosa?)

Parabéns amigo!!!!!
E poupa-te que dentro de pouco tempo vais ter muito trabalhinho (comigo não, que estou super forte e fit....ah, ah, ah!)

P: S - Hoje também faz anos a minha sogra. Parabéns D. Elisabete. Uma santa senhora cujas emoções pouco esbanja. Sorri ao de leve quando feliz, sofre calada para não preocupar ninguém. Se bem que- dizem-, sogra é sempre a primeira. Uai!!!!!! 
Sendo assim, por sogra continuaria a ter uma senhora igualzinha à Glenn Close que, em tempos (parece noutra vida), insistia para que lhe desse uma neta cujo nome seria ( e escolhia ela, estava-se mesmo ver...), Maria Domingas!!!!!!
Há cenas na vida...Por Dios!

Tal não é a moenga!

Cuidem-se!

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Ok. Muito vou ter de ouvir a Gertrudes quando ela perceber que perspeguei esta foto na Internet.
Digam lá se não é a coisa mais linda! O casamento do Bicho e da Gertrudes. Fez ontem, dia 7 de abril, 46 anos! Por Dios!
Na véspera começaram a mandar-me por messenger tesourinhos como este que aqui apresento: muitas fotos do abençoado enlace, a típica foto da noiva agarrada ao telefone (quem terá tido a ideia de que a pose era sexy?), a minha mãe bem novinha (foi sempre bonita, mas 'atão' tão mal vestida!) e outros registos hilariantes. Como um postal que o Bicho enviou a Gertrudes no auge da assolapada paixão. Nele se lia: «Com todo o meu afeto, do sempre teu Francisco Bicho....»
Por Dios! Na manhã seguinte ligaram-me. Atendi com um entusiasta - «Parabéns».
Resposta: «Ai tu lembraste-te? Nós não! Só esta manhã, quando vi o jornal e a data de 7 de abril, é que me lembrei dos anos de casório».
«Então, mas sacarem as fotos do baú não foi por ocasião de mais um aniversário?», questionei.
«Nada! Estivemos a ver as fotos, fartamo-nos de rir com as figurinhas mas nem um nem outro se lembrou dos 46 anos de casamento.»

Enfim - como queriam que eu tivesse saído boa?
O Bicho ainda tem a desculpa das anestesias para a falta de memória, já a Gertrudes...
Escusado será dizer que o matrimónio destes dois não teve nunca de superar a provação que é uma quarentena, nem nunca teve de vencer um  estropício de um bicho que está a resumir o mundo como o conhecíamos  a uma mera e doce lembrança.
 24 sobre 24 horas em casa, nunca eles tiveram quando novos.
Agora aturam-se bem. Ele não ouve metade do que ela diz e ela também faz que não o ouve. 

Tal não é a moenga!

(sou mesmo a cara da Gertrudes chapada)

Cuidem-se!

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Agora que o cagaço passou, já posso falar disto! Até porque o belo do Bicho foi o primeiro a escarrapachar no Facebook que estava de volta. Pois que na última semana o 'mê' pai foi passar 'férias' ao piso de cardiologia do hospital de Beja. Sentiu-se esquisito e foi ver do grilo, como ele sempre diz quando fala do coração.
Esteve quatro dias internado, a fazer exames às suas arritmias, totalmente enclausurado, sem telemóvel (não sei como sobreviveu sem o Facebook), sem sequer ver televisão, ler revistas ou jornais. Ninguém merece. Estes tempos já são de seca generalizada... Calculo as horas infindáveis sem mais ter que fazer senão olhar pela janela. Meu pobre Bicho. Nós estavamos todas em cuidados. Ligavamos, diziam-nos que estava bem disposto e pouco mais. Mas já passou. O Bicho já está em casa a dizer as suas palermices (não te estou a chamar palerma, ok?) e a rir como sempre. Como só ele ri. 
Numa vídeo chamada voltou a contar as peripécias dos últimos dias.
«Santo Deus, dias tão compridos, sem nada para fazer!»
Perguntei-lhe na brincadeira: «Até tiveste saudades da Gertrudes, não?»
«Bolas!», respondeu num ápice, levando logo valente cotovelada da dita cuja minha mãe, que mais não diz a não ser que está farta «desta pasmaceira».
E lá seguiu o Bicho, relatando as novas e alucinantes experiências do confinamento hospitalar. É que aos 72 anos o impensável aconteceu: «Pela primeira vez na minha vida, dei umas colheradas num iogurte e pus manteiga no pão que aquilo sem sal não se gramava de maneira nenhuma!» 
Já viram a loucura?
'Ganda' Bicho. Fazes outra dessas e vais ver-me invadir o hospital com o Zuckenberg ( foi o iluminado que inventou o Facebook... pai!)

Tal não é a moenga!

Cuidem-se!

 

 

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A Caetana ri-se porque a bicicleta é alta demais para ela que, assim, não consegue pedalar. Se já lhe tivesse dado um amasso como eu, logo via se não chorava de dores. E ardores. Só arranjo sarna para me coçar (não literalmente, hã?)
Pois que isto de estar em casa só a fazer fooding (sou exímia a inventar palavras), ou seja a meter 'food' (comida) para dentro, tem de abrandar. Tanto como as minhas pernas em cima daquele selim que mais parece uma faca aguda do talho. Cristo! Mandei vir a bela da bike, fiquei feliz como criança na véspera de Natal e dei ali ao pedal até ficar dormente.
Contei-vos eu que estava aflita das costas - não há como nova dor para fazer esquecer a antiga. É como os amores, dizem.
Meus amigos, haja Hirudoid (passe a publicidade). E eu que tinha um banco de gel aí por casa a ganhar mofo...Porque só deito fora coisas que me fazem falta e mantenho as porquêras? Tanta falta que agora o banquinho me fazia para forrar aqueles ferros assassinos do bem estar!
Tenho as entranhas muito maltratadas. Sinto-me como aqueles macacos que vemos no National Geographic que têm o traseiro já rosa de tão raspado! 
Mais um achaque (como diz a minha mãe - tradução - mazela) para 'urticar' os meus dias superagitados e emocionantes (estou a brincar, como é lógico. Quem me dera ter dias cheios de frenesim, encontros, abraços, risos, gargalhadas... Raios partam o Covid). 

Tal não é a moenga!

Cuiudem-se!

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Digo eu! Sei lá o que já lixei nesta quarentena, além dos restantes neurónios que ainda resistiam ao meu atrofiamento cerebral. Com a mania de ser atleta e treinar em casa sozinha, dei um jeito às costas que agora até me custa olhar para a esquerda, para a direita - aliás, custa-me olhar é para a frente que o futuro já pareceu mais animador, certo?
O trapézio não foi, que as dores são mais abaixo. Terá sido o levantador da escápula?
Com um nomes destes é bem provável que tenha sido essa a mazela contraída, nem sei bem como. Nem escápula nem nada parecido que em tempos de isolamento social o levantador é só da cama para o sofá e do sofá para a cama (que moenga). Aposto mais num torção do grande dorsal , maior músculo das costas. Pois, é isso mesmo, a dor é em grande. Aliás, comigo tudo tem de ser em grande para eu não saber lidar com os acontecimentos. Mas o Covid é gigante. Tenho-lhe um asco! Que faço eu agora que até a dormir me dói? Sendo Bicho não tenho como hibernar e acordar em maio? Algum sedativo para este meu desígnio?

Tal não é a moenga!

Cuidem-se! 

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Já vou a meio da terceira semana de isolamento e o meu relógio biológico continua a ser o meu maior inimigo.
O mais irritante, mesquinho, incómodo, implicante e insuportável acontecimento da presente quarentena.
Com tantas e intermináveis horas durante o dia porque raios me levanto às oito da matina? Ninguém merece! Ontem foi ainda pior. Ouviram a chuvada? Por Dios! Que dilúvio. Escusado será dizer que acordei com aquele pranto da natureza e não mais consegui pegar no sono.
Ali fico na cama a dar voltas e voltas, a pensar em quando tudo isto vai acabar, a meditar nas cenas mais estranhas e improváveis da vida, a tentar olear o cérebro que por estes dias já nem para mioleira no tacho servia (ou a mioleira cozinha-se em frigideiras? Estão a ver: só já concebo interrogações estúpidas).
Acabei por levantar-me que não suporto as dores de corpo. Sinto-me como se tivesse sido abalaroada, passada e repassada, por uma betoneira tantas as dores musculares de não fazer nenhum (parece contraditório, certo?)
Fui ver chover. Descobri, pois, que consigo ficar em pausa. Julgava ser impossível!
Ali fiquei, estarrecida, à janela, tempo e tempo sem pensar em nada,  apenas olhando a praceta de frente, tipo estátua de cera. Embalsemada! Tanto se queixavam que eu não me calava, que estava ligada à corrente, que parecia uma bichanina... Quero ver quem agora me acorda para a vida depois do vírus se afogar.

Espero que o #$$## da $%ta tenha ido na enxurrada, que tenha ficado com as antenas escorridas, com a cor rosinha descolorada e que aquela barriga de balão se tenha implodido por todos os orifícios que doam. 

Tal não é a moenga!

Cuidem-se!

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1 de abril. Dia das mentiras. Prometem?
Isto também é tudo mentira, não é?
Foi só um pesadelo terrível, bem pior que aqueles que costumam fazer-me acordar aos berros - ou porque sonho que me caem os dentes, ou que ando despida na rua, que piso dejetos de boi, bem pior que as minhas muitas noites agitadas cada vez que, no meu sono,  me enfio por poços abaixo.
É que se fosse verdade, este era o mais terrível dos pesadelos: ficar sem ver os meus pais, minha irmã, cunhado e sobrinhos, sem ver os meus amigos, sem poder pegar no carro e esbarra-lo logo nos pilares da garagem...Sem poder chegar ao ginásio e tentar esconder uma meia de cada cor ou esquecer-me das cuecas no saco e assim ter de regressar algo desconfortável mas arejada... Sem poder escrever na 'minha esplanada' ao sol onde sempre fico com os pés cheios de formigas e apanho valentes cagaços quando se aproximam galinhas (e os cabrões dos patos?)
Seria pesadelo não poder beber café no sitio onde já me chamam pelo nome, entorna-lo em cima do senhor da mesa ao lado e continuar a ler os jornais que já me guardam na banca. Seria muito mau não poder ir buscar a Caetana à escola e ficar a 'namorar' nas grades com os seus amiguinhos que sempre dizem achar-me muito fixe e bonita (ai a inocência das crianças...)
Seria muito mau não poder ir ver as minhas tias ao lar no final das suas vidas e dizer-lhes que cá deixam descendente no que respeita a dizer pantominices (a minha tia Tinda é o hino ao humor).
Seria muito mau. Não pode ser verdade. Hoje é dia das mentiras.
Prometem?

Tal não é a moenga...

Cuidem-se!

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Muito bom! Tenho tanto orgulho de ser alentejana. Que povo com capacidade de rir de si próprio, que gente para encarar adversidades com uma anedota, de enfrentar tristezas com uma modinha (uma canção, entendem?)
Esta imagem e este slogan do 'alentejana-te' são deliciosos. E o hastag #quétosporra é simplesmente divinal. 
A mensagem é forte e apela para que todos nos aquietemos em casa enquanto o cabrão do bicho não se esvai. Raios partam os bichos que só nos dão fezes - esta expressão é talvez das mais feias do nosso dialeto mas que a usamos ... usamos!

Como sabem, saí cedo da terrinha e sempre fui um bocadinho acelerada de mais para condizer com o protótipo alentejano - acelerada a falar, a ser... Para mais não como enchidos, bebo pouco vinho tinto (acho que é por isso que sou tão desmiolada, acuso bem a falta), e desisti do pão que me faz pneus.
De alentejana conservo a alma e agora também me alentejanei (que remédio). Mas isto do isolamento social é contra a minha natureza: o corpo fica dormente, a língua presa...
Ontem pensei que estava a ter uma sulispanta: arrepios, frios, tremores, descontrolo total.
Fui ver  - fechei as janelas que já chovia!
Mais essa m$##da!
Tal não é a moenga!

Sério que este mês tem 31 dias? Catano!

Cuidem-se!

 

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Que faço eu agora? Como!
Que faço eu daqui a 15 minutos? Como!
Que fazem o frigorífico e a dispensa que sempre esbarram comigo?
Há coisas que não têm remédio. Não vale a pena lutarmos contra guerras perdidas. A comida ganha! É forte, poderosa, saborosa, sempre à mão de semear. Dançam-nos à frente dos olhos coisas para trincar, alimentos encantam-nos qual serpentes eretas dentro de cestos. Por mais que queiramos portar-nos bem e que pensemos que, presentemente, é um filme irmos às compras, a despensa ri-se de nós porque nem damos luta para aquecer. Vá lá que ainda resisto aos processados e doces (como vocês bem sabem). Mas beterrabas são às dúzias. E vocês ainda fazem bolinhos, tartes, quiches e cenas de forno...Ontem sonhei com um banquete: estava em Beja, a minha Gertrudes tinha feito sopa de entulho - chama-lhe assim porque leva todas as verduras e couves que possam imaginar. Nem tinha tomado o pequeno almoço para ter fome para todo o tacho (sempre fui tão brutinha, graças a Deus).
As saudades apertam e dava tudo para entregar-me a todos aqueles talos alentejanos (isto não soa bem, pois não?).
Vou mas é comer mais uma beterrabazinha - aquilo deita líquido vermelho por todo o lado (para filmes de terror era sugestão bem saudável para gravar cenas de morte) e a boa da minha Caetana apanha sempre o mesmo cagaço : «mamã, já cortaste os dedos outra vez?» - algo sempre passível de acontecer comigo na cozinha!

Tal não é a moenga!

Cuidem-se!