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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Não me venham cá com tangas que agora toda a gente cusca a vida de toda a gente (agora!!!!).
Toda a gente faz vídeos, mostra a casa, a sala, a cozinha...Qualquer dia mostram outras coisas mais suscetíveis para as crianças. Como a minha Caetana que já fala muito de 'sexy', como ela diz. Por Dios!
Mudemos de assunto... 
Estou assumidamente cusca (ainda mais....) Também, já não sabemos o que fazer para passar o tempo, certo? 

Infelizmente não tenho vizinhos que cantem à janela, que ponham música boa em altos berros, que toquem saxofone (adoro o som do saxofone), ou tenham qualquer atitude altruísta que inche corações alheios. Ai, esperem - tenho uma vizinha que todas as tardes dá aulas de ginástica. Ainda não percebi bem de quê! Música a bombar, grita para ali que nem uma destravada. Deduzo que esteja a dar aulas on line como a maioria dos instrutores por estes dias! Logo eu, vigorética, maluca por ginásio, já com dores em todas as juntas de tanto ressacar com falta de articulação, tenho uma prof. ao lado e não lhe consigo chegar. Nem consigo fazer as aulas através da parede. Nervos! Fecho-me logo em casa (ah, ah, ah, passo a redundância) para nem a ouvir com aquela genica. É tortura,  porra! 

Lembrem-me de quando isto passar fazer-lhe um bolinho para estreitarmos convívio - é que parece que ainda para aí vem outra quarentena no Inverno - (eu, fazer bolos?!!!) Estarei a ficar interesseira? Este isolamento está a espoletar o pior de mim. A Elsa fixe e sorridente tem os dias contados. Quem me faz uma página no Face: #vamossalvaraelsa?

Tal não é a moenga!

Cuidem-se!

 

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Juro-vos que tenho os nervos (ainda mais) feitos em frangalhos.
A quantidade de cabelos no chão com a malta toda em casa é de desesperar.
A minha Caetana tem a mania que quer ser a Rapunzel morena - cortar o cabelo é assunto que lhe abre logo as comportas dos sacos lacrimais. Para mais com o chão branco...é o descalabro. Passo os dias nisto (cada um tem o que merece e estamos todos a pagar os nossos pecadinhos).
Pessimista por natureza - sim, na história do copo meio vazio e meio cheio eu sou daquelas que parte logo o vasilhame, quanto mais ver perspetivas positivas - decidi, contudo, que tinha de tirar algum benefício deste meu agacha/levanta constante.
Pelas redes sociais é ver os meus amigos (ai que saudades das vossas coças) a orientarem treinos em direto e todos, sem exceção, insistem nos agachamentos. Pois, saibam, queridos instrutores que a nova modalidade resultante desta $%$$#$%& quarentena  é o 'hair catching'. A cada cabelo que vejo no chão faço um agachamento completo daqueles de bater com a bunda no chão (como diz a estúpida da música).
Vão ver quando isto acabar - qual Kardashian qual quê!
Braços? Flácidos. Músculo do adeus? Umas badanas do pior. Resistência - nenhuma, é só arfar da cozinha para a sala. Mas o befe? Rijo como os meus bifes de frigideira!

Tal não é a moenga!

Cuidem-se! Agachem!

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Era grande galo ter cirrose sem beber pinga de álcool!
Era grande galo ter icterícia com esta idade!
Confesso que começo a ficar preocupada. Querem ver que ainda para aqui tenho problemas de fígado?
Há uns tempos já que acuso falta de cor. E o que pensava ser maluquice minha, começa já a ser notado por amigos e outras pessoas que dantes de mim se acercavam.
As palmas das minhas mãos parecem de cera. E nem pressionando consigo que o sangue me avermelhe a pele. Ai se a minha Gertrudes me visse! Ela que nunca teve problemas em dizer-me na fuça quando me achava «engelhocada», feia, gorda, magra...'whatever'. Parece que a oiço gritar-me: «há cadáveres com mais cor que tu!». Mas agora que já passaram uns dias e continuamos a olhar, e já a subir, paredes, desconfio que a minha ictericia, ou lá o que é esta moenga, vá agravar-se. Há umas noites, na ronha com a minha Caetana - a nossa nova modalidade preferida (remédio)- diz-me a gaiata: «mamã, tens as solas dos pés tão amarelas!»
Uai - que isto está a espalhar-se galopantemente. É que nem os comprimidinhos de vitamina D, que tomo há meses por o meu corpo sempre ter dificuldade  em absorve-la diretamente do sol, me safam desta.
É daqui direta para Londres, para o Madame Tussaud. Ou será que o Governo poderá entender este meu problema como situação de emergência e reservar-me uma qualquer praia algarvia só para mim (uma qualquer que não sou esquisita nem ligo a luxos, só com o básico - massagens, um morenaço de olhos verdes a abanar-me e a servir-me pratos vegetarianos, muita beterraba e quiche de brócolos)?

Tal não é a moenga!

Cuidem-se!

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Ora, cá está! Pois que a notícia acima não é grande novidade, certo? Acontece que, em tempos de isolamento, sem muito para fazer, com a malta entediada... Bem: das duas, três: ou fartamo-nos todos uns dos outros ao ponto de já nem conseguirmos ouvir as nossas vozes sem ficarmos com urticária (o que me rio com os memes e parvoíces, vídeos e cenas, que a malta inventa...é preciso ser-se muito inteligente para conseguir 'brincar' com situações de crise),  ou a coisa corre bem e olhem - desata tudo a reforçar o sistema imunitário!

Neste caso, tenho cá para mim que em dezembro vão nascer muitos putos de nome Covid! 
Agora outra dúvida: é certo que os casais que estão em casa, que dividem paredes, manterão a sua vida íntima e aí, a história do metro de distância passa a ser tanga. Também já vi imagens nas redes sociais de um adaptado Kama Sutra em tempo de quarentena e distanciamento. Mas aquilo é para gente normal ou para contorcionistas?
Por Dios! Ainda para mais, com o pessoal a reduzir a atividade e a forma física...ainda se aleijam!

Bem, melhor voltar a pensar no que fazer para o jantar....

Tal não é a moenga...

Cuidem-se!

Reforcem-se (do mal o menos)!

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E o impensável aconteceu! Cristo! Por Dios!
Estou a ficar tão enferrujada, tão enferrujada que já não consigo converter em palavras a velocidade do meu raciocínio. Não vos acontece? Quererem dizer qualquer coisa que já não sai? Ficarem a gaguejar quando apenas querem pedir uma faca, um guardanapo? Isto é gravíssimo! Não sei como vou sair disto... Cheché, certamente!

Lembrei-me logo de fazer trava línguas - aquelas cenas em que temos de dizer palavras difíceis rápido e seguidas, género: «num ninho de mafagafos há sete mafagafinhos, quando a mafagafa gafa, gafam os sete mafagafinhos....»

É que no último dia do meu curso de espanhol - sim, 'cariños', que estava a «tener classes de español», antes desta porra toda-, estive a fazer este tipo de exercícios na «lengua de nuestros hermanos». E eu era tão boa naquilo!
Ria-me sozinha! Mesmo croma. Estão a imaginar-me, certo? Toda feliz, eufórica como só eu consigo ficar com parvoíces e trivialidades, de conseguir dizer aquilo tudo rápido, sem me enganar. Agora, nem consigo já dizer o meu nome todo sem trocar o Galamas por Galamba. 
Quero a minha vida de dondoca de volta! Queixava-me, queixava-me - era feliz e não sabia!
Quantos de vocês já pensaram como eu: tanto que deixei de fazer, tanto que deixei de dizer?
Agora cai a ficha!
Saudades! De rir de vontade!
De ser papagaia! De vos azucrinar o sentido com toda a minha alentejanice e inconveniencia!

Tal não é a moenga....

...A aranha arranha a rã. A rã arranha a aranha. Nem a aranha arranha a rã, nem a rã arranha a aranha...

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Ora, expliquem-me lá de forma muito básica: vou ter de cozinhar durante dias e dias a fio?
Não estava preparada para isto!
Não bastava ficar fechada em casa, ser assaltada por doses galopantes de medo, receio, tédio e saudade, de sentir as juntas do corpo enferrujarem-se-me com falta de atividade e ainda tenho de encostar a barriga ao fogão? É que por Dios, sabem que não vai correr bem... E já começou.
Obrigo-me a fazer e a comer sopa todos os dias para ver se a minha tufão de 9 anos não sai muito da linha. Nessa minha missão de grande mamã e boa doméstica....que raio faz ali aquele exaustor? Mandei uma fuerada no bico daquela tanga! Mesmo na fonte! Até dei passos atrás. Senti revolver-se-me o estômago. Fiquei branca (ainda mais - já notaram que estamos a ficar sem cor? Eu já de mim, nunca fui muito espintalgada...)
Disse tanta asneira ... para dentro, obviamente (vá, é capaz de ter-me saído um imprompério ou outro...)
E o olhar reprovador da Caetana, como quem estava a pensar: «rifo-a ou não?»
Tal não é a moenga!

Cuidem-se!

Ainda falta tanto....

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Enfim! Figurinhas! Nada a que já não esteja habituada, certo?! 
Encafuada no Moinho do Guizo, resta-me passear os ténis aqui pelas redondezas e pelos seus depressivos ermos que até causam arrepios: acreditam que encontrei um quintal com montes de tangas- bonecos, panos, ervas e outras cenas maradas- penduradas num género de altar? Vudu? Por Dios!

Lá peguei na minha' mini me' (a Caetana) que é ginasta e atleta mas não pode com uma gata pelo rabo. Dá três passinhos e começa logo a reclamar cansaço. Ou seja, acelerar a minha frequência cardíaca depara-se-me como tarefa hercúlea. Tive, então, a brilhante ideia de fazer marcha para ver se conseguia imprimir alguma  velocidade ao passeio enquanto puxava pela Caetana. Que figurinha. Ainda bem que não encontrei ninguém na rua ou ainda ia parar ao You Tube. Com todo o respeito por esta modalidade olímpica - senti-me uma perfeita 'tantan' (mais ainda). Mas lá me obriguei a percorrer alguns metros naquele esforço - anca para cá, anca para lá... Suar? Esquece lá isso. Só consegui ficar com mossa na crista ilíaca; fémur que desde nascença me obriga a consultas de ortopedia. Sabem que isto de não andar aos saltos está a consumir-me a existência!  Sou estupidamente maluca com o ginásio , mais pelo bem que faz à cabeça que ao corpo... que isso já foi tempo!

Curioso que muitos de vocês mandaram-me mensagens preocupados com o fecho do Fitness Hut e das consequências disso na minha já escassa sanidade mental. Como se me tivesse falecido o hamster!!! Conhecem-me tão bem! Pessoinhas 'mai' lindas do meu coração!

Enfim! Já marchava já. Mas era de casa para fora!
Isto não vai ser fácil!

E esperem lá: chegou a Primavera? E se a dita fosse para o real orifício? Chuva? Nem marchar posso?

Tal não é a moenga!

Cuidem-se!

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'Mê' Bicho! Hoje é Dia do Pai! 
Todos nós dizemos que os nossos são especiais mas acreditem que o meu é, de facto, suis generis. É um bem dispostão, sempre  a rir, a contar anedotas - muitas delas sem gracinha alguma (aproveito para dizer-te). É uma casa cheia. Um sol. Agora é já mais netos, como é normal, mas quando era só eu e a minha irmã, ainda que sem grandes manifestações, ai de quem criticasse as moças do Bicho. 
Receber carinhos do meu pai sempre foi experiência marcante. Literalmente. Antes de chegar ao beijo na bochecha há sempre um puxão pelo braço, um calduço que não dói tão pouco quanto isso (até me chegam as lágrimas aos olhos). Tem a mania de dar-me um palmadão que, devendo ser no rabo, apanha-me sempre a zona dos rins, o meu calcanhar de Aquiles.  Baterem-me no final das costas é o mesmo que ligarem-me a um poste de alta tensão.
Pensando bem - a palmada que era no rabo apanha-me os rins - será que já tenho o befe assim tão descaído? Caraças que isto está a ficar galopante!
Seja como for, já passei muitos dias do Pai sem estar contigo, meu Bicho, mas este custa mais porque, efetivamente, podia por-me a caminho de casa se não fosse o estropício do Covid.
Sei que te vou ligar, dar um beijinho virtual e tu vais responder: «Obrigadinha. Obrigadinha!»
E já que hoje não corro o risco de levar a bela da galheta no lombo: 1) enerva-me estar ao telefone contigo e tu continuares a falar com outras pessoas 2) já paravas de ir para o clube da pesca - dedica-te ao Facebook - convida os meus amigos que eles são fixes 3) Adoro-te e nunca no mundo haverá pai como tu 4) És o meu vírus para o qual jamais haverá vacina. 

P. S - Quando te apanhar estrafego-te.

P. S 2- Espera até eu entrar em estado de emergência.

Tal não é  moenga! 

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Ela chorava e eu ria! 
Publicava o meu amigo Adolfo outro dia no Facebook - «daqui a uns dias, com os putos a estudarem a casa, vai tudo para as janelas aplaudir os professores de hora a hora». Estou contigo moço! Isto é um filme.
Tirando as letras e as línguas, sou burra que nem um calhau às restantes disciplinas (até a função dos caules, folhas e nhanhas que tais tive de 'reavivar' com a minha irmã Isabelinha).
Matemática? Contas? Frações? Agora fazem tudo ao contrário! Vão buscar números de empréstimo que depois subtraem em vez de fazerem cálculos diretos (como?) Por Dios! Caetana, filha, é bom que sejas inteligente que aqui com a tua mãezinha não te safas.

Mas os trabalhos de português...vão correndo. 

Pedia um exercício para escrever palavras no feminino. A boa do meu tufão em forma de criança caminhava para mim, altiva, cheia de personalidade, cheia de certezas para mostrar-me os TPC que, para ela, eram 'peaners'. 
Ficou, porém, toda ofendida quando me larguei a rir quando vi que, para a minha mulherzinha cheia de estilo, o feminino de patrão era...patrã!

Ao ver-me rir, a bela da minha criança largou-se num pranto.
Mais eu ria, mais ela chorava. As lentes dos óculos embaciavam-se e foi difícil resolvermos o dilema e fazermos as pazes. Um abracinho e umas mordidelas no pescoço, polvilhadas com 'bejos' babosos, resolviam mas os tempos não estão para isso - já agora: conseguem não estrafegar os vossos em casa? Eu tento mas quando dou por mim estou a comer cabelos dela (beijos brutos na cabeça!)

Por fim, a minha 'patrã' cá de casa lá se calou! 

Resumindo e baralhando - pensava eu tirar o CAP para dar formação!!! Melhor desistir, não? Pedagogia também já se percebeu não ser o meu forte. Mais um requisito a incluir na extensa lista dos «esquece lá isso, Elsa Marina»!

Tal não é a moenga!

Cuidem-se!