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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Agora que já passou o aniversário do meu Clube (Moinhos da Funcheira), assaltam-me a memória outras calinadas que eu, Elsa Marina de minha graça, insisto em protagonizar. 'Atão' que pensamos em fazer grande festa na Amadora, com rua fechada, palco com luzes e confettis e um grupo popular a fazer a malta dançar (ideias que logo esbarram nas dificuldades logísticas e burocráticas deste país que adora incentivar convívios e momentos culturais). Reunimos com o «Ponto final», nome de um grupo de senhores bem dispostos que até nos fazia preço de amigo para o bailarico- nós é que somos tesas que nem um pau e qual espetáculo qual quê!

Ainda assim recebemos o Ponto Final e mostramos-lhe as instalaçoes do nosso centro.
Senhor havia de olhinhos fechados a falar comigo. Quando viemos para a esplanada, encalhei num pequeno degrau e lógico que vim parar aos pés do dito cujo que tentava perguntar-me se me tinha aleijado enquanto eu tentava parar de rir agarrada ao tornozelo todo escalavrado. «Está bem, menina? Então não viu isso? Já aí estava - olhe que até eu com 5 por cento de visão reparei que não podia encalhar aí!»

Fiquei mesmo a sentir-me patega. E depois, como só me saem alarveidades quando estou nervosa ou quando quero sair de alguma situação confrangedora, ainda me desculpei com o meu alvoreamento: «se nas notícias ouvirem que alguém se esbardalhou da varanda do clube, já sabem que fui eu», saiu-me, sem graça alguma. Desata a Caetana a chorar porque eu ia cair da varanda e morrer. Enfim, só mais uma (duas ou três) oportunidades para estar calada.