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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Estive na Suécia, no último ano de curso, a fazer Erasmus (se fosse hoje não me metia no avião).
Até hoje ainda não percebi se foram os melhores, se os piores tempos da minha vida. Mas quando tento lembrar-me de algumas situações à Elsa Marina, a verdade é que alguns embaraços assaltam-me a memória.

Pois que fui para uma universidade em Sundsvall, na mesma latitude que o Alasca e o Norte da Sibéria. Inverno rigoroso, sempre de noite... Saía de casa de manhã e tinha de abrir caminho com neve pela cintura (nunca eu tinha visto neve no Alentejo e levei logo com montes dela...camadas...paletes).

A Universidade aguardava, impacientemente, pelos estudantes estrangeiros, a tal ponto que organizou toda uma semana de boas-vindas, cheia de atividades e passeios para mostrar o melhor do país e da região.

Ora bolas. Passeio número um: cavalos. Agora imaginem um bosque daqueles frondosos, à filme, com árvores gigantescas a delinearem gigantescos penhascos cobertos de neve e gelo. O resto do grupo era constituído por belgas, franceses...mais do que habituados aquelas práticas. Eu nunca sequer tinha andado a cavalo. Aliás, nunca andei (a mula Gabriela do Jardim Público de Beja não conta, certo?)

Ora, comecei logo a ficar para trás. Lá expliquei que estava cheia de medo, que não queria participar daquele filme à Frozen, ainda que me chamasse Elsa, mas os suecos insistiam e ainda me foram buscar um pónei cheio de pêlos e crinas já que os cavalos impunham muito mais respeito. Mas o bichano não engraçou comigo. Dava coices para trás, voltava a cabeça e fugia de cada vez que tentava fazê-lo de banco. Resultado: fiquei duas horas fechada num estábulo enquanto os outros foram ver as maravilhas naturais da Suécia profunda, com medo de sair dali não fossem aparecer-me outros seres manhosos, ficando ali, prostrada e indefesa, à mercê do pónei mau feitio.