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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Ora, tinha de ser! Não fosse eu ter saudades!
Já vos falei do Guerra?
Pois que Fernando Guerra, José Fernando de seu nome, foi meu editor e chefe no jornal A BOLA durante largos anos. Quem o conhece sabe a peça de que falo. Sempre tivemos relação especial. De amor/ódio muitas vezes! Quando estavamos para embirrrar um com o outro...ui! Eu não me calava e ele até gostava de ser desafiado!
A verdade é que me ensinou muito (além do curso intensivo de gestão de nervos que me proporcionou).
Muitas vezes fui para casa a chorar, depois de sair do jornal. Muitas vezes chegava à cama e continuava a ouvi-lo falar comigo! Mas, também, quando lhe dava para ser meu amigo...Era alentejanita para cá, alentajanita para lá.  Adorava chamar-me Madre Teresa de Calcutá por sempre defender quem o receava.
Enfim, foram 18 intensos anos. Saí do jornal A BOLA, por decisão pessoal, por a minha filha precisar mais de mim que o jornal, e propuseram-me agora escrever um livro. Um livro sobre um individuo cheio de histórias (ainda não posso dizer muito mais). E o que tem isso a ver com o Guerra?
Nada - se o protagonista do meu livro não fosse igualzinho a ele. Esculpido e escarrado. O cabelo branco com risco ao meio, a estatura, o olhar, a voz rouca e arrastada, o rastilho curto, as reações espaventadas... E este ainda fuma cigarro atrás de cigarro como o Guerra nos tempos em entrei para a Travessa da Queimada. Ainda me lembro da primeira reportagem que me pediu. Depois de lê-la, chamou-me ao corredor - quando alguém era chamado ao corredor já sabíamos que precisaria de consolo. E perguntou-me: «Ouve lá, quem é que escreveu isto por ti?»
Sempre simpático. Levava com cada arranque... E este agora é o mesmo: «Lá está você, menina! Você e essas manias de jornalista...»
Só Guerras na minha vida! Ó karma!
Tal não é a moenga...

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Hoje é dia mundial da voz! Que poderoso instrumento!
Bem - eu cá sempre tentei brincar com a minha. Fiz rádio, tenho um timbre não muito agudo - acho! É porque, cada vez que penso neste assunto, vem-me logo à ideia a imitação que o meu amigo Rui Baioneta fazia da minha pessoa quando trabalhavamos juntos no jornal A BOLA - um misto de galinha com sotaque ligeiramente arrastado da etnia cigana.
Eu ria-me, claro. Mas a verdade é que o 'Neta' náo era o único . Cada vez que alguém me imita leva o meu falar para a esfera galinácea - será que é assim que soou? 
É que à minha alentejanice toda a gente acha graça - sobretudo eu! O melhor elogio que podem fazer-me é dizerem-me que ainda conservo bem aceso o meu sotaque (haja algo ainda bem aceso a esta altura do campeonato!)
Mas acreditem que, se quiser (e nunca quero), consigo falar sem musicalidade alentejana. Mas fico ridícula a parecer uma das imitações do Herman (aquelas boas de há uns 20 anos).
É isso: o Baioneta a imitar-me parecia a Maximiniana do Herman- lembram-se?
Impossível que alguém concorde com isso....Minha bela voz! Por Dios!

Tal não é a moenga....

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As Marinas - não era bom nome para um tasco?
Imaginem eu e a minha amiga Célia Marina à frente de um pitoresco estabelecimento comercial? Enfim, era o descalabro!
Há muito tempo que não estava com a minha Celufa, amiga que me ficou dos tempos de A BOLA (uma entre muitos, com a graça de Deus e com a graça de eu própria ter graça - ah - ah - ah).
Levei-a ao Belenenses-Portimonense mas confesso que não vi nadinha. Pomo-nos as duas na galhofa e o tempo voa!

A Célia é daquelas pessoas cujo coração não lhe cabe no peito, cuja gargalhada contagia, cujo masgnetismo é irresistível. Junta-se o magnestimo dela com o meu carisma destrambelhado e a chaladice acontece. Além de estarmos a conversar tão animadamente que a criança à nossa frente só nos olhava com ar matador - já que não a deixavamos prestar atenção ao jogo com a risada -,  à saída, lá ia a boa da Célia a tentar publicar uma foto nossa - gentilmente tirada pelo nosso Miguel Nunes (A BOLA).
Ia a boa da moça tão embrenhada na tarefa, colada ao telemóvel sem olhar para a frente, quando começo a vê-la desviar, a andar em zigue zague em direção a uma senhora já assustada com a hipótese da Célia lhe dar uma cabeçada! Não a devia ter chamado. Quando se apercebeu que não era eu que estava à sua frente e que ia dar barraca (apenas mais uma) largou-se a rir, ecoando o Estádio Nacional.
Será possível ter a tua gargalhada como tom de toque?
Tal não é a moenga...

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Valha-me Deus que iniciei o caminho sem retorno! Tantas vezes que ralho com a minha Caetana - come como deve ser, devagar que ninguém te vai tirar o prato, fecha a boca que pareces uma máquina de lavar, não metas tanta comida ao mesmo tempo, dá para não te babares a comer a sopa... 
Acreditam que estou com uma certa dificuldade em comer o belo e nutritivo liquido de que sou tão fã? Não sei se tenho a boca dormente, se já vou com a colher à boca com esta ideia fixa de babar-me, a verdade é que quando dou por mim espirro espinafres por todo o lado...
 Lembro-me logo quando, ainda no jornal A BOLA, ia jantar com a malta à salinha do quarto andar. Lógico que todos gozavam comigo devido às minhas saladas, sopas e pratos verdes. Naquela noite tinha tomates cherry. Sentei-me à frente do Ricardo Quaresma, chefe de redação que tinha uma bela camisinha branca. Assim que cravei os caninos nos ditos tomates - foi de esguicho! Sujei o desgraçado que tantas me aturou! E depois para eu parar de rir? 

Tal não é a moenga!

(já agora, e sem querer abusar da vossa santa paciência, dá para gostar desta página - https://www.facebook.com/Bichanando/?ref=bookmarks - e deixar uma criticazita jeitosa que vá de encontro à vossa consciência e ao meu agrado? Bom poder contar com vocês!!!!)

 

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Prefiro levar uma sova de cinto a meter-me nestes dias de festa nas grandes superfícies. É que me comunica com o sistema nervoso. A malta parece que se transforma com a fuçanguice. Credo! Por Dios!
Mas o que tem de ser tem muita força (leia-se a minha amiga Susana Batista) e em vésperas de Natal lá fui até à Primark (passo a PUB que não ganho nada com isso, infelizmente). Deve ter sido a segunda ou terceira vez que lá fui mas assim que entrei recordei-me logo da primeira vez que entrei naquela gigantesca loja cheia de formigas de um lado para o outro (leiam-se pessoas). Pois que estava eu na Primark, há já uns bons anos, mergulhada numa pilha de roupa, quando o meu telemóvel tocou. Por norma não atendo números privados, para mais num sítio que parecia casa de loucos. Mas acabei por atender. «Estou, sim, quem fala? Quem? Vítor Serpa [diretor de A BOLA]... Deve ser, deve....Vá quem fala?», gritava eu, tapando uma orelha a ver se filtrava o ruído. E não é que era mesmo o diretor do jornal? Nunca me ligara e naquele dia quis dar-me os parabéns por uma entrevista que tinha feito ao Fittipaldi. Nem imagino, com tanta barulheira e brutidade, o que terá imaginado que eu estava a fazer....Nunca mais me ligou, curiosamente. Mas não deve ter sido por isso...

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Já nem sei quantos anos tem esta foto! Foi no teu casamento Mimi! Não queres renovar os votos???!!!!
O Mimi, meu amigo do jornal A BOLA, fez outro dia anos. Já nem sei quantos - é mais novo que eu. É o meu caçula, o meu afilhado, aquelas gajos muito bem caçados que dão vontade de estrafegar (desculpa aí Sofia!). Pois que no casamento do Mimi - lindo, por sinal - eu estava gravidérrima, a dias de estourar (como pode ver-se bem na foto).
Fiz questão de ir, mesmo correndo o risco de parir ao km 321 de uma estrada nacional.
E diverti-me tanto. A bela da Filipa Reis estava linda. Depois do enlace religioso fomos para o almoço e aí começou a minha saga. Estava um indíviduo, de kilt (acho muito charmoso homens de saia) a tocar saxofone! ADORO o som do saxofone. Aquilo enfeitiçou-me. 
Até que ganhei coragem - o músico até tinha um ar meio rebelde, desgadelhado, torrado do sol e já estava bem bebido - este pormenor é importante para o desfecho da história. 
Agarrei na bela da Filipa e fui ter com o suposto galês: «Posso tirar uma fotografia consigo?»
Resposta do bem bebido indíviduo: «Contigo não....mas com a tua amiga!!!!!»
Bela tampa! Aish - uma mulher grávida, com as hormonas em festa, catano!
Se fosse hoje, Filipa Reis, não digo que esteja mais engraçada que tu - mas tenho muito menos barriga (tão bom........!)

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Ora cá está outra aventura que o jornalismo me proporcionou! Não me vou esquecer!  Andar de balão. Partimos do Algarve. De um estádio. Juntei-me a um grupo de outros jornalistas, fomos divididos e lá me calhou um balão bem colorido. Entrar para o cesto até foi fácil. Ainda que tivesse o estômago colado às costas, naturalmente! Lá iniciamos viagem. Começamos a subir. O balão que ia à minha frente ficou enleado no poste da luz do estádio e veio por aí abaixo. Pensei:« já estás! A ti vai acontecer-te pior». Mas não. Continuamos a flutuar pelos céus. É uma sensação maravilhosa: uma paz, um silêncio, uma calma.... Não se ouve nada. É como se tivessemos, de facto, ido para o céu. Naqueles momentos não dá para pensar em nada. Apenas para desfrutar daqueles minutos de puro encontro com nós próprios. Mas tivemos de começar a descer. Vai ser suave, achava, já muito zen! O catano - é que aquilo não tem mesmo trem de aterragem! Começamos a perder altitude e o cesto começou a embater no chão, aos saltos. Batia, subia, batia, subia... até que no derradeiro sopro foi-se arrastando pelo chão aos trambolhões! Não foi simpático: meteu terra, pedras, urtigas...Mas valeu muito a pena!

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Outra situação embaraçosa ao serviço de A BOLA . Já nem me lembro quando foi. E até me custa partilha-la porque o protagonista já não está entre nós. Fui destacada para fazer reportagem acerca de uma exposição de robótica - outro tema que sempre dominei (estou a brincar e a falar como as gentes de Corte Gafo que dizem tudo ao contrário). Lá fui tentar descortinar a graça da cena (aquilo é para gente muito inteligente, qualidade com a qual Deus Nosso Senhor não me abençoou por aí além). Até que me disseram que o Ministro estaria a chegar. Pensei, estou safa - faço umas perguntitas ao Ministro e siga a banda. Assim fiz. Esperei, fui olhando para os robotszinhos, abanava a cabeça como que a dizer que era tudo espetáculo, até que chegou o governante. Falei com o assessor e pedi-lhe para roubar cinco minutinhos ao senhor. Ele acedeu. Acontece que quando chegou ao pé de mim, o senhor engasgou-se! Começou a tossir e a pedir: «água, água, água». Foi confrangedor. Já não mais o vi. E já nem sei que raio escrevi eu sobre a mostra para inteligentes. 

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É incrível como o nosso disco rígido guarda coisas fúteis e esquece outras bem mais importantes! Não é o caso do que aqui vou contar que sempre me recordarei enquanto todos os dias acordar ramelosa. A minha primeira saída pelo jornal A BOLA. Imagine-se: campeonato de motonáutica em Portimão. Ora, da modalidade percebia tanto como de astrofisica, ou de costura! Lá fui eu, nervosa, sem saber como me desenrascar, sem saber com quem havia de falar, nem percebia quem estava a ganhar!
Sabia que o reporter de imagem do Algarve ia lá ter comigo - Vidigal, pai! Um personagem!!!
Até que entramos numa tenda onde estava servido um almoço volante. Eu estava tão encavacadinha de estar ali que mal me aproximei da mesa. Quando finalmente o fiz e peguei numa coxinha de frango (naquele tempo não tinha aversão a fritos), o bom do Vidigal, para me ajudar a quebrar o gelo, começou a gritar da outra ponta da tenda: «então, não paras de comer? Já aviaste isto tudo! Foi para isso que cá vieste? Queres levar o resto nos tupperwares?». Ficou tudo a olhar para mim. Quase tive vontade de me afogar. Que vergonhaço! Depois de melhor conhecer o Vidigal percebi que ele até foi meiguinho naquela altura. Um personagem!
Deus o tenha!

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 Vamos acelerar um bocadinho. Nem sei quantos Pais Nossos e Avés Marias rezei eu de olhos fechados, enfiada no carro de rali do Jari-Matti Latvala. Verdade! Uau! Mais uma reportagem em A BOLA. Primeiro, não sou amante de velocidades, muito menos num carro claustrofóbico com uma rede a tapar a janela - já vos disse que tenho pânico de espaços fechados???
Lá me fiz de forte e fui dar a voltinha com o filandês - trombudo, como só ele. Bem me metia com o conceituado piloto, em inglês, naturalmente, durante o passeio, pelo micro, mas o homem nem me voltava resposta. Sei que abria os olhos de vez em quando e via as árvores a virem na nossa direção.
Terminada a grande oportunidade, para mim um calvário, por fim, vi algo que me entusiasmou. É que o carro, como devem calcular estava castanho de tanta terra. Um dos operadores da box veio de lá com um borrifador e, amigos, o carro ficou a espelhar em segundos - lá fui eu a correr atrás do individuo:« ai amigo que produto é esse que me dava um jeitaço lá nos vidros de casa?» Só eu para me encantar neste pormenor - barraca!
Mas o Latvala não se ficou a rir. É que o finlandês decidiu despir-se atrás de um autocarro que se pôs em marcha. Nós, jornalistas, já estavamos no nosso bus para ir embora. Fiz questão de bater no vidro, apontar para ele - branquelas, branquelas em boxers - e largar-me a rir!