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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Lembram-se de ter desabafado com vocês e dizer-vos que, depois dos pássaros, gatos e galos, agora eram grilos com fartura debaixo da janela que não me deixavam dormir e que não deveria faltar mais nada para me azucrinar o descanso? Pois, aquilo que eu mais temia aconteceu.
Já vos contei, também, que tenho um medo estúpido de pássaros - aliás, tudo o que tenha bico e aquelas patas metem-me mais asco, pânico e impressão que um leão. Juro! Ora, com estes calores, a boa da Elsa Marina vá-de abrir janelas para a casa apanhar solinho.
Saí de manhã, cheguei ao fim do dia e estava a arrumar coisas na cozinha quando comecei a ouvir um bater de asas. Olhei pela janela - deve ser mais um cromo de um pombo a rasar o estendal da vizinha, pensei.
Assim que me viro - catano - lá estava ele! Um pardal ou um pintassilgo ou que raio era o bichesgo com umas cores maradas. Feio que doía. Cheio de penas e patas. Fiquei logo apavorada.
Pensei ligar ao Zé Luís mas ia gozar-me para todo o sempre (mais ainda). Engoli o medo, corri para a porta... e fechei-me na cozinha. O animal há-de acabar por ir-se embora, pensei. E assim fiz.
Ali fiquei a ver televisão na cozinha até serem horas de ir buscar a Caetana à escola. Com a graça de Deus o pássaro abalou. Voou. Morreu. Foi-se. Escafedeu-se.
Fechei as janelas, respirei fundo e ao ver-me no espelho do elevador reparei que ainda me deixou uma pena no casaco. Deixou foi ADN em todo o lado, o filho da mãe!

Tal não é a moenga...

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Sério - só pode ser castigo! Nunca morei tanto no campo como desde que mudei de casa em plena Amadora. Além do raio do galo, da passarada toda que parece saber quando estou em casa para abrir as goelas, além do sino que toca quase dentro de casa às nove e pouco da manhã de domingo, o sol e o bom tempo trouxe-me novo inflamador do sistema nervoso: grilos.
Há duas noites que é o mesmo. O estupor do bicho parece que está à espera que me deite para por-se ali a ... o que fazem mesmo os grilos? - cricrilar, diz o Google -, para por-se ali a cricrilar no meu parapeito.
E engana-se quem pensa que o som do grilo embala: pelo contrário: enerva e acorda.
Almofadas nos ouvidos, contar carneiros, sonhar acordada, nada resolve a insónia grilar a não ser quando o inseto se farta dele próprio. Ontem, voltou a estar muito bom tempo e lá voltou o bicho a esmifrar-se naquele ruído, madrugada inteira, até acordar o galo. Porra! 
O que ainda me faltará aqui no Guizo, em A da Beja? Um filha da mãe de um pavão a abrir o rabo?
Tal não é a moenga..

 

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Se já me soava a campo a zona para onde vim residir há alguns meses, devido ao esgoelado do galo que canta toda a madrugada, manhã e fim do dia (até estou desconfiada que devem ser vários - é impossível que só um energúmeno faça todo aquele cagaçal), agora, para mal dos meus pecados, há um...cuco!
Cristo! Por Dios! Que sinfonia. Nem queria acreditar. Mandei calar a Caetana: «Xiu - isto não é de galo!» Pois não! É mesmo um cuco que também é forte de pulmões.
Ó recital dum raio. Não sei se é um cuco-rabilongo, um cuco-canoro ou de qualquer outra espécie mais badameca. Sei que é um bocado repetitivo, criatura irritante e monocórdica que nem me deixa ouvir os meus próprios pensamentos.
Ou será que sou eu que também não penso muito? Raios...

Tal não é a moenga...

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Cá ando eu ainda no reconhecimento da minha nova residência e arredores que são deveras....místicos! Depois do estropício do galo, do sino (ainda hoje foi um fartote de manhã), da vizinha que ouve aquela música tão badalada do - «eu 'tou' bem, tu também 'tás bem...», nem sei o prodígio da sua autoria - ontem, dia dantesco de chuva, descobri mais uma relíquia. Costumo vir para casa por uns atalhos de A da Beja, estrada turtuosa, ladeada de muros de pedras e de casas cada uma de sua nação, à antiga portuguesa.
Pois que chovia a potes, Caetana dormia lá atrás no carro, estava escuro como breu e eu vinha entregue aos meus perspicazes pensamentos quando tocou o telefone. Conscienciosamente, como é meu apanágio, encostei defronte de um portão. Vi que não ia atender e qual não foi o meu espanto quando levanto a cabeça e até se me deu um arrepio na espinha com o grifo/águia que decora a entrada da dita moradia. Cristo, my lord! Por Dios! Misericórdia! Que é aquilo? Susto dum raio. Que faz ali aquilo? Imagino os despistes que ali já não se deram à pala daquele bom gosto!
P. S- Escrevo às 12. 24 h e o cabrão do galo ainda está a cantar!

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Será possível? Nem ao domingo consigo dormir mais um bocadinho? E não....não é (só) pela Caetana! Já vos contei que no sitio para onde fui morar (perto do Vale Grande, fiquei a saber, junto a muitos quintais) há um energúmeno dum galo com os horários trocados que canta como se não houvesse amanhã a meio da madrugada e a partir das 9 horas da manhã cala-se. E como se não bastasse o estropício do galo, agora é o sino da Igreja! E toca, toca, toca....foi um regabofe. Até acordou o cabrão do galo. E acordou a Caetana! E acordou o pior em mim que fiquei com uma embirrância daquelas! Saí eu de Beja, vim para A da Beja (a minha freguesia é outra mas aquela zona antigamente era A da Beja) para sentir-me na província? Agora que a minha melhor disposição começa a voltar, pensando bem, até gosto e até tem a sua graça! Soubesse o que sei hoje não tinha deixado o Alentejo (se calhar até tinha!) - estou um bocado baralhada!
Vou dormir!