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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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O meu pai é incomparável. É tão giro, tão giro!
No último fim de semana fui a casa, leia-se Beja, e sabe ainda melhor o cafezinho após a almoçarada de domingo na companhia do Bicho e da Gertrudes. Estava um calorzinho daqueles de fazer relembrar o Alentejo antigo mas, simultaneamente, soprava um ventinho que sabia tão bem...Ora o belo do Bicho, assim que se encosta, pesam-lhe as pálpebras. O homem consegue dormir onde quer que seja. E adormece numa fração de segundos. Desgraçado acorda logo com a Gertrudes aos berros: «Frasquinho, parece impossível! Onde quer que chega está sempre pendendo». E é verdade - não sei se ainda é na fase de adormecimento ou se já está na twilight zone, o meu Bicho parece um radar - consegue dar a volta à cabeça quando dorme sentado. Eu, nem nos alongamentos do ginásio consigo rodar assim o pescoço...
«Epá, está-se aqui bem», justificava-se. E acorda sempre bem disposto. Contou logo o Bicho:
«Sabes a do homezinho que chega aí a um lugarejo no Alentejo e pergunta a um velhote- amigo, já nasceu aqui algum grande homem? Não - aqui só nascem crianças!»
Ha, ha, ha, ha!
O que eu me tenho rido com esta parvoêra!
Tal não é a moenga...

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20190420_172100.jpgFui passar a Páscoa a Beja, minha santa terrinha que me viu nascer e virar nesta destrambelhada que sou, terra abrilhantada pelo meu castelo que vislumbro da varanda de casa dos meus pais. Páscoa bem animada, logicamente, com os meus sobrinhos, filha, e, claro, com o bom do Bicho e a bela da Gertrudes que estavam enxonfrados. E contaram-me porquê. Atentem no despautério. Começa o Bicho.
«Estava eu na loja, aparece-me uma senhora com três pacotes de amêndoas. Bem, não eram amêndoas, eram ovinhos de chocolate...tão bons! Disse-me: olhe, isto é para si. Não conhecia a pessoa, pensei que fosse alguém conhecido da tua mãe, agradeci e pensei - fica um pacote para cada neto. Mas depois, refleti melhor: se vou dar isto à Nana [a minha Caetana], a Noca [eu] joga-se ao ar por causa do açúcar. 'Atáo' abri um pacote, fui comendo e guardei os outros dois pacotes para distribuir por todos os netos. Cheguei a casa diz-me a tua mãe: 'atão' não te foram levar nada? Sim, três pacotes de amêndoas. E onde estão? Um comi-o.»
A Gertrudes interrompe.
«Ó Frasquinho, parece impossível! Porque hás-de ser tão gulerpa? Fui eu que encomendei as amêndoas à Lúcia da mercearia para dar aos filhos do teu sobrinho Luís se ele aparecer por aí. E agora? Tem três filhos e só lhes dou dois pacotes? Sabes que és pré-diabético e só te embutes em doces! És um depósito! Uma plataforma! Pior que um crematório - esmaga tudo!»
A discussão continuava...
«Não foi 'atão' nada... Tive de ir a correr debaixo de chuva comprar mais três pacotes de amêndoas para dar aos gaiatos. Nisto tudo, gastei mais de 20 euros em doçaria. E o Luís não apareceu com os putos! Foi só deitar dinheiro fora», gritava a Gertrudes, possessa com o guloso do Bicho, que, verdade se diga, não tinha como adivinhar que as amêndoas tinham destino reservado.
Resumindo e baralhando: «Onde estão os outros dois pacotes que foram levar à loja, pai?»
«Estão para aí...», respondeu, baixinho, o Bicho, como quem diz: cala-te, continuando a levar esbregues da Gertrudes. 
Uma animação...Nem me deixaram ver a 'Música no Coração' como deve ser...
Tal não é a moenga...

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Todos nós passamos na vida por momentos de profunda tristeza. Acontece quando nos despedimos de alguém que sempre fez parte da nossa vida. É o ciclo da existência, mas custa sempre! Momentos em que dá sempre jeito ter por perto um ...Bicho!
Apesar de ser o maior chorão de todos, quando lhe dá a força, mesmo de forma inconsciente, é impossível não rir perto dele.
Estavamos juntos, em pesar, quando nos lembramos de mais uma saída do pai.
E ainda nos rimos ao lembrar o dia em que veio a Lisboa e conversavamos defronte do prédio da minha tia Dulce que vive nas ruas acima do Jardim Zoologico.
Dizia, então, o Bicho nessa altura: «Vá lá, apanhamos bom tempo, há muito que aqui não vinha, bla, bla, bla e até apanhamos aqui uma procissão!»
«Uma procissão pai?»
«Sim, atão não a vês?»
«Não - onde está a procissão?»
«Atão não vês ali ao fundo os altares?»
«Pai: aquilo é o teleférico do Zoo!» 
Ah, ah, ah, ah
Sério - só aquele homem! E ainda me rio só de lembrar-me da cara dele quando se apercebeu da calinada que tinha dito. 
Tal não é a moenga...

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Ora cá está uma bela definição do meu ser: «Um Bicho de sete cabeças com muitos sorrisos para dar!» 
Confirma-se! As sete cabeças...tem dias. Quando não tomo os comprimidos (estou a brincar!)
Ora, o facto do meu apelido ser Bicho, e o facto de até diariamente promover o sorriso - queria eu que fosse através da leitura deste meu blog - mas não - é mais através do instagram Bichanando onde publico fotos e frases sobre sorrisos para ver se a malta se anima contra as agruras da vida -, fez com que não ficasse indifente a este pacote de açúcar (produto que não consumo e desaconselho à viva força, hã?).
Mas outro aspeto chamou-me à atenção - o pedido para contribuir para o Nariz Vermelho através do IRS.
Ora cá está uma bela causa, ora cá está uma bela maneira de empregar o meu sobrenome que já fez o meu pai ir a tribunal - já vos contei que amigos da pesca engalfinharam-se porque um achava que o outro lhe estava a chamar Bicho quando o desgraçado estava apenas a chamar o meu pai.

Verdade que também gostava de emprestar o nome de Bicho ao Jorge Costa, ou quando recentemente Bicho foi a designação indicada para o nosso grande Cristiano Ronaldo. 
Mas grandes, grandes são as pessoas que se dedicam à Nariz Vermelho!

Então, com toda a verdade do meu coração, desejo que todos sejam Bichos na arte de ajudar e contribuir! Que sejam muito ferozes no altruísmo de dar. 

Fui convincente? (estou neste momento a fazer aquela cara do gato das botas, piscando muito rapidamente os olhos e fazendo beicinho!)

Tal não é a moenga...

 

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O que eu me ri com isto! Mê santo pai! Só ele para me fazer rir desalmadamente.
Que boas foram estas gargalhadas, para mais numa fase em que ando mais chochinha (que isto a malta tem de rir e sorrir mas de vez em quando até essas fortes curvas do sorriso se vão abaixo- se fossem só essas curvas que descendem....enfim).
Pois que, à noite, recebo um vídeo do meu pai pelo Facebook pedindo que o partilhasse. Pouco depois, o novo vídeo com a brilhante missiva que se lê na imagem: «Noca, isto fala do quê que não percebo inglês!»

Ah, ah, ah - mas partilhou! Diz ele que foi só a mim e à minha irmã....sim, sim!
Olhem se fosse alguma coisa desaconselhável!
Retire-se forte ilação com isto do meu Bicho: atente-se bem no poder da Internet, da era digital, do facto de todos sermos 'millenials' e de todos querermos fazer o que os outros fazem.
O meu Bicho até já tem Instagram!!! Procurem-no que ele adora que se metam com ele! 'Atão' se for para lhe falarem bem da filha mais nova, delira (filha mais nova, ou seja, eu, Noca, como sempre me trataram, chegando a desligar o telefone de casa quando perguntavam pela Elsa)! 
Agora, não sei se converse com o Bicho acerca dos perigos da Internet - não vá ele por-se a partilhar tudo quanto veja e meter-se por caminhos desadequados, ou se lhe dou um cursinho intensivo de inglês!

'Mê' Bicho é muito bem caçado!

Tal não é a moenga....

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O meu Bicho faz 71 anos! Parabéns pai! Mê amori! O Bicho é o maior.
Está sempre a chorar - de tanto rir! Ele manda os foguetes, apanha as canas...é festa em forma humana! Depois puxa do seu lencinho de pano, que está sempre no bolso direito das calças, e ali fica a rir sozinho, divertido com pouco.
No último fim de semana estive com ele em Beja. Estava feliz, tinha trocado de carro (já não era sem tempo que o último tinha 26 anos e parecia um galinheiro: a porta do pendura não fechava e a bagageira só lá ia com um cordel...)
A alegria do homem com o carro novo chegava a emocionar. Parecia uma criança no dia de Natal. 
«Pai que estás fazendo sempre ao pé do carro?»
«Estou a guarda-lo. Nem quero que lá pousem moscas!»
E ria-se. Como sempre! E ainda hoje continuo a aprender tanto com ele.
Como bons alentejanos, além de saber rirmo-nos de nós próprios, gostamos sobremaneira de comentar a vida dos outros. E já nem sei cuja casaca cortavamos quando o belo do Bicho tem a seguinte tirada: «Está um bocadinho apozinhada!»
«Está o quê?»
«Apozinhada, anafada...gorda! Só não sei se se escreve com 'o' ou 'u'.»
E foi risada geral. Seja como for, mê pai, mê amori, que tenhas um dia apozinhado de felicidade e saúde. Nunca me faltes que não aguento!

Tal não é a moenga

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Leram o meu Bichanando de ontem - aquele em que contava que o meu pai Bicho queria abrir a porta do prédio por estar a ouvir uma campainha num vídeo do Facebook? São umas a seguir às outras....
Ainda nós estavamos a rir, à mesa do Natal, de imaginar a situação quando o belo do Bicho voltou a fazer das suas. pai é padrinho da sua primeira sobrinha e quando telefona a Cahita...ai, ai. Pois que a minha prima Carla ligou para o telefone fixo da minha irmã, mas, com a risada e a estroinice, quando o meu pai chegou ao telefone já ela desligara. Ainda assim o meu pai pedia ajuda.
«Não consigo atender isto...»
«Carrega no verde!»
Ouviu-se de novo o telefone.
«Estou sim! Estou! Touuuuuu» 
O Bicho não desistia de ouvir a afilhada. Acontece que a minha prima voltara a ligar mas para o telemóvel e o bom do Bicho continuava agarrado ao telefone fixo, achando que era aquele que continuava a tocar. «Ó pai, é o telemóvel!»
E depois para ele parar de rir? Chora, chora, fica com os óculos embaciados e tem de puxar do lencinho de pano do bolso das calças. É um prato!

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Ai pai - que barrigada de rir no Natal. O Francisco Bicho, já de si e da sua natureza, é um prato! Qualquer história lhe lembra uma anedota, qualquer tema o recorda de uma piada, todos os assuntos o conduzem a uma música. Mas agora, com a idade, está cada vez mais engraçado (leia-se pior).
O que nos rimos com a Gertrudes a contar o episódio.
Pois que o Bicho tem uma loja de loiças e utilidades em Beja e, há anos, teve a bela ideia de colocar no estabelecimento uma daquelas campainhas de sensores para saber quando alguém entra ou sai. Aquelas campainhas muito irritantes, que fazem grande chinfrineira. Pois que ultimamente o Bicho tem um grande novo amigo - o Facebook-, e decidiu fazer um filme da loja para melhor mostrar os artigos em exposição e venda. Estava ele a olhar o vídeo e a mostra-lo à minha mãe quando começou a descer as escadas do prédio.
«Frasquinho, que vais fazer?»
«Vou abrir a porta! Estão tocando!»
«Estão tocando o quê, homem, não vês que é a campainha da loja que se ouve aí do vídeo?»
Já choravamos só de imaginar o Bicho, com o telemóvel na mão, a ver o vídeo, a ouvir a campainha e, mesmo assim, a descer as escadas do prédio que «estavam a bater à porta lá em baixo...» 
Abençoado seja!

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Ora vamos lá a ver se a gente se entende! Querem ver, Cristiano Ronaldo, que ainda tenho de te processar também? Não pelo mesmo motivo que todas as outras... (sniff), mas isto agora do Bicho já passa das marcas. Arranja um apelido só para ti, amigo! 
Brinco! Sempre gostei muito de ser Bicho e entendo na palavra um lado bem positivo. Aliás, o epíteto agora a rodar pela imprensa mundial é para te elogiar, certo? Contigo não me importo de partilhar o Bicho! Assenta-te muito bem! Aliás, se quiseres conversar um bocadinho, beber um café....uai, que é sempre assim que começa...
Mas comigo estás descansado - de ti só queria mesmo o privilégio da companhia de um colosso do futebol como tu e um autógrafo (e foto, vá) para o filho do Zé Luís. Que eu não sou como os outros de me aproveitar de quem tem muito - mas se quisesses fazer uma doação para o Centro Cultural e Desportivo dos Moinhos da Funcheira cujo teto precisa ser isolado e já nos chove em cima durante a Zumba....
És Bicho, sim senhora! Bem-vindo à família! (Traz o Cristianinho para a minha Caetana!)

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Ora cá está um belo miminho de pai. Quando chegas aos 41 e o teu pai te publica esta bela mensagem na cronologia percebes que de facto a genética é lixada. Sempre fui muito bem criada e feliz, ainda que nunca fôssemos de grandes lamechices lá em casa.
Quando miúdas os outros pais punham as filhas nos píncaros. Os meus muitas vezes só apontavam as nossas falhas. Não esqueço quando fiz história no liceu ao tirar o único 19 com o professor de história mais bera do estabelecimento. Corri para a loja do meu Bicho com o teste na mão: «pai, pai tive 19 a história!»
«Não fizeste mais que a tua obrigação!», respondeu-me, cortando-me logo as vasas. Até me vieram as lágrimas aos olhos. Mas sei que depois foi para o Clube da Pesca contar que a «sua mais nova» tinha tirado grande nota. Ter estado no jornal A BOLA foi para ele grande vaidade. Quando ia a Beja e encontrava alguém, logo dizia o meu Bicho: «esta está em Lisboa. Está na BOLA!»

Agora que conto as larachas da minha vida nesta forma digital e que por fim me descobre os podres e carecas, achincalha-me desta forma jeitosa publicamente. Atão, pai, sabes que mais?
Lembras-te de todo o prejuízo que te dei durante toda a vida com as dezenas de tranquitanas que te parti na loja atafulhada de coisas? Nem soubeste nem de metade....A Tóia (funcionária) encobria-me. Partia candeeeiros, biblots, pratos e canecas, ela embrulhava tudo em papel e ia logo deitar ao lixo. As contas que fizeste à minha falta de jeito estão muito por baixo....Não havia dia que não fizesse estrago ao chocar com a mochila nos teus pertences da Louça dos Compadres. E agora? Já não me podes por de castigo! Toma!

Ih ih ih ih ih !!!!!! (riso à Mutley!)