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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Começou a Telescola. Pandemia? Pandemónio!
Eu já só me rio com esta valente tourada e ainda agora começou.
A minha Caetana está a levar aquilo a sério. Levantou-se bem disposta, ansiosa, cheia de genica... Deus a conserve. Depois, com o andamento da aula, começou a ficar impertinente com a tarefa de ter de fazer um horário...Dah, deixa lá isso, miúda. Aliviei-lhe a inerente pressão de uma situação nova, de tempos diferentes, de vivencia esquisita... Mas acho que fui muito branda. Bem, a miúda lá sossegou. Até demais. Até sair da casca.

-«Mamã, trazes-me uma chá?»

-«Aquece só minuto e meio.»

-«Ah- de frutos vermelhos.»

-«Agora não posso sair daqui que estou a estudar.»

-«E prepara já umas bolachinhas que vou ter fome daqui a pouco.»

-«E o almoço? Sabes que tenho de despachar-me que as 14. 30h tenho conferencia com a professora.»

-«Estás a acompanhar mamã?»

Mau...E rabinho lavado com água de malvas? Não queiras baixar a garimpa não!
Estou bem tramada com esta ditadora de cabelo pelas costas, crente de que é valente mulher!

Tal não é a moenga!

Cuidem-se!

 

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Juro-vos que não sei como aguenta quem tem três, quatro e cinco filhos... Eu, com uma, já estou precisada de um implante capilar tantos os nervos de andar sempre atrás dela a dizer-lhe o mesmo: «Caetana arruma/ Caetana não deixes as luzes acesas/ Caetana limpa/ Caetana não sejas calhandrona (em bom alentejano!)»
Quando me salta a tampa - e salta disparadíssima muitas vezes - , tiro-lhe o telefone. Acabam-se os whatsapps e  Tik Toks. É o pior que lhe posso fazer.
Vem, depois, a boa da moça, tentar amansar-me.
-Mamã, vou arrumar as gavetas.
- Ora aí está uma boa ideia que cada vez que lá mexes deixas tudo revolvido.
-O que é revolvido?
-Ai....

Dois minutos mais tarde...
-Anda ver como ficou tudo arrumadinho mamã!
-Caetana, então desdobraste as cuecas todas? Isto parece uma loja. Estavam todas dobradinhas... Para que foi isso? Ai se a tua avó Gertrudes visse!!!!!
-Mas ela não vai saber porque tu não lhe vais contar!
-Mas vou escrever no blog!
-Mãe, por favor, não escrevas isto no teu blog . Toda a gente tem direito a sua 'parvoicidade'!
(Ah, ah, ah, ah, ah...)

-Agora é que disseste algo acertado - parvoicidade.
Deverá ser mistura de parvoíce e privacidade. Digo eu. Na cabecinha dela foi só tentativa de articular as palavras mais rápido que o raciocínio. Depois fica toda chateada quando me rio das tiradas dela. Minha Caetana é a maior! E está-se mesmo a ver que respeito a sua 'parvoicidade', né?

Tal não é a moenga!

Cuidem-se!

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Isto vai ser bonito, vai! Deus me dê paciência, porque se me dá força...
Naturalmente brinco, ainda que, de vez em quando, a minha Caetana sinta os meus cinco dedos naquele befe! Mas é uma benção de menina (a ver se ela não me ouve)!
Fechadas em casa há mais de um mês, um pequeno diálogo torna-se já na discussão mais pertinente das nossas vidas. Uma ligeira contrariedade é mais que suficiente para que se abram as comportas.  E solta-se uma choradeira qual Maria Madalena em ponto pequeno.

Chegou, enfim, a hora DA conversa : (não aquela, ainda, de mãe para filha...por Dios)
«Piqui (como lhe chamo): amanhã começa o terceiro período e volta a tua rotina. Tens de te levantar cedo e fazer os trabalhos que a professora mandar. De tarde tens os treinos (sim, faz ginástica on line com as amigas e a professora da acrobática - Deus a conserve que tem uma disposição para entreter as crianças...)»
Resposta:
- Sim, mãe! Sabias que hoje o Toni vai ser preso?
-Quem?
-O Toni da Nazaré.
- Mau...estamos a falar da escola, de como já és uma mulherzinha, que tens de ter responsabilidade..
-É que parece que foi ele que matou o Felix!
- Ai, 'atão' mas afinal estás a prestar-me atenção ou chateamo-nos já antes sequer de começar o terceiro período e a teleescola?
- Está beeemmmmmm.....Mas a Nazaré também caiu numa armadilha e voltou para a prisão!

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9............Zen, Elsa Marina, zen....

Vai ser muito complicado a menos que o Ministério da Educação seja sensível a esta temática e faça testes e a avaliação dos putos sobre a Nazaré (passe a publicidade à SIC). Fica a sugestão!

Tal não é a moenga!

Cuidem-se!

 

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Há muito tempo que mudei a minha vida pela minha filha Caetana. E nunca me arrependi. Nem vou arrepender. 
Antes do #%$%&/&ta do Coronavírus já passava muito tempo em casa com ela.
Mas tem 9 anos, quer brincar, é cheia de saúde e energia, graças a Deus, e é já muito difícil entretê-la (grande Tik Tok, obrigada!)
Vai agora passar a ter escola em casa e, mesmo que a vida volte- mais ou menos- a ser o que era, eu continuarei dedicada à minha pequena tufão. E é tão bom. É mesmo tão bom receber miminhos constantes, sorrisos, cumplicidades, cabeçadas e pisões também... Mas, por Dios! É que nem na casa de banho consigo estar sozinha. Assim que me sento (vocês sabem onde) vejo logo a porta a abrir-se e os olhões dela a espreitarem. Entra e depois....depois é a mesma conversa todo o santo dia e noite!
Deixo-vos com os nossos considerandos: 

«Mamã...mamã, mamã....mamã, mamã!»

«Mamã...mamã, mamã....mamã, mamã!»

«MAMÃÃÃÃ......»

«Mamã...mamã, mamã....mamã, mamã!»

«MAMÃÃÃÃ......»

«MAMÃÃÃÃ......»

«Mamã...mamã, mamã....mamã, mamã!»

«MAMÃÃÃÃ......»

«Mamã...mamã, mamã....mamã, mamã!»

«MAMÃÃÃÃ......»

«Mamã...mamã, mamã....mamã, mamã!»

«MAMÃÃÃÃ......»

«Mamã...mamã, mamã....mamã, mamã!»

«MAMÃÃÃÃ......»

«Mamã...mamã, mamã....mamã, mamã!»

«MAMÃÃÃÃ......»               To be continued...

Que boa moenga!

Cuidem-se!

PÁSCOA FELIZ!

P. S - 'Atão' e o 'Quo Vadis' pá? Não dá este ano na TV?
Isto nem sabe a Páscoa nem a coisa nenhuma! Sniffffffff

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É certo e sabido que o c#$#$# do Covid veio dar cabo do realejo, como se diz em bom alentejano.
A economia vai ressentir-se; isto já estava mau e vai ficar bem pior.
Eu cá continuo, fechada em casa na companhia da minha Caetana que se tem revelado ótima sucessora do ministro Mário Centeno (que até se fala poder sair).
Verdade seja dita: a miúda gosta de trabalhar ( a quem terá saído?).  Quieta é que não aguenta estar (a quem terá saído?). Tem os chamados bichos escarapinteiros no corpo (faz sentido...) Pois que a moça autoencarregou-se de sempre ser ela a tirar cafés. E se eu bebo cafés! Pensava eu que estar em casa era boa oportunidade para reduzir o consumo mas, afinal, tem sido o contrário : mas, depois, também penso - o comendador Nabeiro, um SENHOR, altruísta como ele só, benemérito em todas as situações, um coração do tamanho de todos os Alentejos do Universo, merece que a sua DELTA seja a marca das marcas para que também ele continue a ajudar quem precisa. 
Vai daí que bebo cafés e descafeinados como se não houvesse amanhã (pelos vistos já esteve mais longe de acontecer).

O que eu não estava à espera era que a minha 'Salazar' (salvo seja) visse nisto oportunidade de negócio.
Larguei-me a rir quando chegou ao pé de mim exigindo que cada café tirado e trazido à mesa valesse um euro para o seu  'minalheiro', como antes dizia. Está bem feito, sim senhora. O governo não nos diz para ver nesta grande adversidade, boas oportunidades?
Pior: nem se preocupa quando lhe digo: «filha, sabes que a mãe não está a trabalhar»!
E ela com isso. Por Dios!
Tal não é a moenga!

Cuidem-se!

 

 

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Ela chorava e eu ria! 
Publicava o meu amigo Adolfo outro dia no Facebook - «daqui a uns dias, com os putos a estudarem a casa, vai tudo para as janelas aplaudir os professores de hora a hora». Estou contigo moço! Isto é um filme.
Tirando as letras e as línguas, sou burra que nem um calhau às restantes disciplinas (até a função dos caules, folhas e nhanhas que tais tive de 'reavivar' com a minha irmã Isabelinha).
Matemática? Contas? Frações? Agora fazem tudo ao contrário! Vão buscar números de empréstimo que depois subtraem em vez de fazerem cálculos diretos (como?) Por Dios! Caetana, filha, é bom que sejas inteligente que aqui com a tua mãezinha não te safas.

Mas os trabalhos de português...vão correndo. 

Pedia um exercício para escrever palavras no feminino. A boa do meu tufão em forma de criança caminhava para mim, altiva, cheia de personalidade, cheia de certezas para mostrar-me os TPC que, para ela, eram 'peaners'. 
Ficou, porém, toda ofendida quando me larguei a rir quando vi que, para a minha mulherzinha cheia de estilo, o feminino de patrão era...patrã!

Ao ver-me rir, a bela da minha criança largou-se num pranto.
Mais eu ria, mais ela chorava. As lentes dos óculos embaciavam-se e foi difícil resolvermos o dilema e fazermos as pazes. Um abracinho e umas mordidelas no pescoço, polvilhadas com 'bejos' babosos, resolviam mas os tempos não estão para isso - já agora: conseguem não estrafegar os vossos em casa? Eu tento mas quando dou por mim estou a comer cabelos dela (beijos brutos na cabeça!)

Por fim, a minha 'patrã' cá de casa lá se calou! 

Resumindo e baralhando - pensava eu tirar o CAP para dar formação!!! Melhor desistir, não? Pedagogia também já se percebeu não ser o meu forte. Mais um requisito a incluir na extensa lista dos «esquece lá isso, Elsa Marina»!

Tal não é a moenga!

Cuidem-se!

 

 

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Juntemos mais uma tirada da minha Caetana a esta minha coleção de tesourinhos.
A miúda tem mesmo graça - tal e qual sua mãezinha (ah, ah, ah).
Se há coisa que a chateia é quando começo a praguejar no trânsito - sim, até a mim me salta a tampa e mando as minhas asneiradas quando à minha frente segue malta que parece conduzir só para estorvar os outros.
Bem - muito mais se chateia a minha filhota quando, após ver-me ultrapassar condutores tartaruga, constata que ao volante seguem velhotes. «Ó mãe, coitadinhos, e tu a chateares-te com eles! Já têm idade. Tens de desculpa-los e ter mais paciência». Toda a razão minha filhoca. E engulo em seco porque a miúda tem muito mais coração e sapiência que eu.
Uma destas manhãs tivemos de ir a Algés e a cena repetiu-se. Com a agravante de ser o paizinho dela a levar o carro. Descompôs a bom descompor o carro da frente que parava «sem respeito nenhum por quem vinha atrás», passou, buzinou - fez e disse tudo a que também tinha direito. Vamos a ver era um octagenário.
Ui - pensei - vai saltar lá detrás...E assim foi. 
«Ó pai...não vês que é um velhote? Como podes irritar-te com assim! Sinceramente....» 
E quando estava à espera de uma bela lição de moral das dela , quando apostava que a minha Caetana ia dar uma desanda ao pai que tinha de ter mais respeito pelos idosos «porque um dia também vai ser velhinho e não vai gostar quando gritarem com ele no trânsito», sai-se com: «Já pensaste, pai, já pensaste, que qualquer dia levas com a bengala de algum?»
Tal não é a moenga...

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Já lá vai um tempinho desde que isto se passou. Mas caiu-me tão no goto que sabia ser tema de mais uma partilha com vocês. 
O ano letivo está prestes a terminar e, com a mudança que operei na minha vida, consegui ir levar e buscar todos os dias a minha Caetana à escola. Já lhe conheço os apaixonados e namoricos, vou passeando pelas grades e chovem putos a gritar: «Olá mãe da Caetana!». Fico tão feliz!
Uma tarde um miúdo de pele escura, olhos enormes e expressivos, pôs-se a rir para mim. Tão lindo. 
Até que me interpelou: «Você é a senhora do Bichanando, não é?»
Bem - aquilo parecia fogo de artíficio para os meus ouvidos : um puto, de 11 anos, lia este meu singelo blog? Que felicidade. Ser reconhecida. Para mais pela escrita...
Depressa me caiu a ficha : «Sigo-a no Instagram», acrescentou.
Ah - ele não lê o blog. Vê o Instagram 'Bichanando' onde diariamente publico fotos a sorrir - reação que pretendo causar com estas minhas treslouquices. Bem, também não é mau de todo.
«E é mãe da Caetana!»
Ah - o rapaz conhecia-me da porta da escola! Ponto!
Lá se foi a minha ilusão de ter seguidores aqui. Também, mesmo que não tenha, este é diário que pretendo continuar, porque acho que, daqui a uns anos, vou rir-me à brava de todas as asneiradas que já aqui contei. Até porque à velocidade com que fico desmemoriada não irei lembrar-me de nada de qualquer maneira.

Mas sabem que mais? Aquele menino, de 11 anos, desde pequeno que toma conta dos dois irmãos mais novos, com muita responsabilidade e amor. É ele quem os leva e traz da escola. Muitas vezes de inverno, debaixo de chuva, de chinelo no pé, sem um mísero casaco mas com grande sorriso. Sempre! 
Há gente de metro e meio com muito para nos ensinar. E fazer calar!
E olhava para mim como se fosse eu quem fizesse alguma coisa de jeito!
Tal não é a moenga....

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A minha amiga Susana Batista tem muita razão quando diz que passo para a minha Caetana as minhas ansiedades, o meu derrotismo. Insconscientemente, é certo, mas é possível que assim seja. A minha sorte é que a minha tufão é tão melhor que eu em tudo....Minha benção!
Disse-lhe que ia à SportTV dizer umas larachas. Conhecendo bem a mãe que tem, voltou-me costas, regressando minutos depois. 
«Mamã, levas o meu squishy. Quando te puseres com as tuas coisas a pensar que vai correr mal, que vais dar barraca, que te vais engasgar... apertas o meu squishy. Podias levar o squishy maior mas depois não o podias ter contigo que ia ver-se na televisão. Assim, levas este mais pequenino, que cabe na mão, e podes estar sempre a aperta-lo», recomendou-me.
Boneca 'mai' linda da sua mamã (não o tive na mão mas estava no bolso das calças...)
Ainda que a atitude me tenha deixado enternecida, a única ilação a retirar desta história é que a minha Caetana acha que a mãe é uma descontrolada, descompensada, desiquilibrada, esmangaritada dos nervos...Por Dios!
Onde terá ela ido buscar tais ideias?!
Tal não é a moenga...

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Continuo a dar voltas à minha caixa córnea na tentativa de inventar novo projeto profissional, na tentativa de desvendar que caminho seguir, em como utilizar a escrita para , além de diversão, fazer dela o meu ganha pão (estou a pedir muito, né?). Embrenhada nestes meus pensamentos, socorri-me da minha melhor amiga - a Caetana! «Filha - se a mãe escrevesse livros infantis, que história gostarias que fosse?»
«A história de uma princesa!»
«Raios partam as princesas! O que há mais são livros de princesas. Pensa lá em qualquer coisa diferente, mais original.»
«Então as aventuras de uma menina!», sugeriu-me a minha filhota, de oito anos, metendo, de seguida, as mãos na anca e dirigindo-se a mim como se me quisesse engolir: «Mas olha lá, essa menina não era eu! Não vás arranjar outra maneira para contares a nossa vida!»
Vejam bem, a raspelha - a miss varina que é conhecida como o jornal da escola. A menina que foi comigo à depilação e logo contou ao vizinho no Pingo Doce que «a mãe tinha tirado pêlos das partes privadas!» Eu mereço...
Tal não é a moenga....

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