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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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E em copo de plástico!
Raio de sensação esta! Senti-me como se estivesse a atropelar a lei, a cometer o mais sério dos delitos, a prevaricar contra a humanidade. Por Dios!
Farta de fazer almoço e jantar todos os santos dias (sempre pensei que tudo me acontecesse nesta vida, menos isto...), decidi ir a um restaurante take away buscar grelhados que já ando enjoada de tanta ervilha com ovos, massada de bacalhau e coisas do género.

Primeiro- voltei a pegar no carro. Lord! Senti-me como se estivesse a andar de balão! Que liberdade. Que saudades. Como é que um ato dantes tão trivial agora soube como se estivesse a fazer a atividade mais radical do mundo?

Cheguei ao restaurante - a 2 km de casa, hã?. PESSOAS! Iupiiiiiiiiiiiiii!
Devia ter um sorriso tão parvo, tão grande, tão descabido que até me perguntaram se já era habitueé ou conhecida lá do sítio (acharam que eu era valente totó!)

E- loucura das loucuras - enquanto esperava bebi um café !!!!! Louvado seja Deus! Até em copo de plástico me soube ao mais exótico dos licores. Tão estranho. Há um mes e quinze dias que não me encostava a um balcão (maneira de dizer que cumpri com as regras de segurança). 

Como é possível que um badamerdas de um vírus consiga mudar toda a sociedade, consiga mudar a vida como antes a conhecíamos e fazer-nos valorizar atos e gestos de que antes até nos esquecíamos de incluir no diário do nosso quotidiano?  Isto virou-se tudo ao contrário e eu ainda não tinha aprendido a fazer pinos!!!!

Tal não é a moenga!

Cuidem-se!

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É certo e sabido que o c#$#$# do Covid veio dar cabo do realejo, como se diz em bom alentejano.
A economia vai ressentir-se; isto já estava mau e vai ficar bem pior.
Eu cá continuo, fechada em casa na companhia da minha Caetana que se tem revelado ótima sucessora do ministro Mário Centeno (que até se fala poder sair).
Verdade seja dita: a miúda gosta de trabalhar ( a quem terá saído?).  Quieta é que não aguenta estar (a quem terá saído?). Tem os chamados bichos escarapinteiros no corpo (faz sentido...) Pois que a moça autoencarregou-se de sempre ser ela a tirar cafés. E se eu bebo cafés! Pensava eu que estar em casa era boa oportunidade para reduzir o consumo mas, afinal, tem sido o contrário : mas, depois, também penso - o comendador Nabeiro, um SENHOR, altruísta como ele só, benemérito em todas as situações, um coração do tamanho de todos os Alentejos do Universo, merece que a sua DELTA seja a marca das marcas para que também ele continue a ajudar quem precisa. 
Vai daí que bebo cafés e descafeinados como se não houvesse amanhã (pelos vistos já esteve mais longe de acontecer).

O que eu não estava à espera era que a minha 'Salazar' (salvo seja) visse nisto oportunidade de negócio.
Larguei-me a rir quando chegou ao pé de mim exigindo que cada café tirado e trazido à mesa valesse um euro para o seu  'minalheiro', como antes dizia. Está bem feito, sim senhora. O governo não nos diz para ver nesta grande adversidade, boas oportunidades?
Pior: nem se preocupa quando lhe digo: «filha, sabes que a mãe não está a trabalhar»!
E ela com isso. Por Dios!
Tal não é a moenga!

Cuidem-se!

 

 

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Bem, tudo o que é demais não presta - sempre se ouviu dizer, certo? 
Nem eu para lembrar-me de tal combinação - café a saber a couve-flor?
Eu, apreciadora de café aos quilos e de vegetais aos litros, acho isto muito esquisito.
Ou bem que é uma coisa, ou bem que é outra, não concordam?
Chama-se 'Broccoli latte' e parece que saiu da 'alembradura' dos australianos.
Trata-se, mais propriamente, de uma invenção da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth da Austrália e da Hort Innovation, conforme pode ler-se na revista Women's Health.
Café é bom e faz bem, vegetais- idem idem, aspas, aspas-, mas não estou com apetites de experimentar a mistura. E, afinal- vai a ler-se-, chama-se Broccoli latte e sabe a couve-flor? Algo aqui não bate a bota com a perdigota.
Pensem ainda comigo- se os vegetais trabalham bem no intestino, se é que percebem o que quero dizer-  será que este pó dos crucíferos juntos aos graõs do café não resultarão numa baita dor de barriga - se é que me faço entender?
Tal não é a moenga...

 

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Ir a Beja é sempre aquecer o coração . Verdade que já quase ninguém me conhece, nem eu conheço muita gente, verdade se diga! Mas sempre rio com o trato tão particular. «Um café, por favor.» «Quer um cafezinho?», respondem, sempre. «Uma garrafa de água...» «É mais uma aguinha!»
«Arranja-me umas Trident» - «Quais são as pastilhinhas?»
A resposta surge sempre em forma de pergunta, terminando em diminutivo...
Respostas foi o que não ouvi do típico alentejanito que lia o jornal atrás da minha mesa. Boina, casaco xadrez, lá se meteu com a minha Caetana, calando-se depois. 
«Mãe, o senhor está a dormir.»
«Não está nada,filha, está a ler o jornal.»
«Mas nunca mais passa de página?»
Até o ler leva o seu tempo naquela terra - ah, ah, ah!
A verdade- veja-se a fotografia - é que fiquei sem saber se, de facto, o bendito velhote adormecera, cambaleando para cima do jornal, ou se a leitura estava tão interessante que não conseguia despegar-se do periódico.
Saímos  e ele lá ficou. A fazer ou não uma sestinha, louve-se que naquela terra toda a minha gente conserva o hábito de ler o jornalinho. Bem hajam!
Tal não é a moenguinha...

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Começou logo de manhã quando encontrei a minha amiga Suzana Santos.
«Elsa, tens as calças sujas. Volta-te lá. Parece café!»
«Bem, estás a querer dizer-me que tenho o rabo sujo com uma mancha castanha? Porra, já sei o que vão pensar...»
Mas como já não voltava a casa, não troquei de roupa. Ora bolas: não havia ninguém que não me dissesse: «Elsa, tens as calças sujas!»
Catano - comete uma pessoa um deslizezinho, sai uma pessoa à rua ligeiramente calhandrona- o que não é meu hábito-, e toda a santíssima gente repara na mancha.
Vejam lá se alguém me diz que a minha pele está reluzente, que os brancos estão tapados, que o meu sorriso está glorioso (se calhar é porque não está!)
O que mais me enerva é que toda a gente me olhou para o befe para reparar na porcaria da nódoa. Na minha mocidade ninguém me olhava para o traseiro. Fosse eu rabuda e empinada de bunda ainda era como o outro, agora assim...
Já sei, já sei, vou trocar de calças!

Tal não é a moenga...

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Já vos disse que, ao que parece, o meu excesso de lítio - substância existente nas pilhas- é um íman para velhotes, certo? Todos me acham graça... (ai destino, ai destino....la, la la la....)
Bem - fui aqui à Amadora comprar eletrodomésticos a uma loja que vende artigos com defeito muito mais baratos (estropiei o secador de cabelo da minha filha com tanta porrada que caiu - isto é só um à parte). 
Meti-me na fila para pagar e, ao lado, um velhote ocupava a outra caixa com uma liquidificadora. A vendedora, atenciosa, dizia-lhe: «Tirei-lhe um euro para beber um café»
Diz o meu vendedor: «Olhe, consigo vou ter de ser antipático porque numa compra tão pequena não vou poder tirar dinheiro para cafezinho!».
«Ora, deixe lá. Também já bebi para aí uns cinco hoje!»
Diz o velhote da liquidificadora: «Então, menina, peça mas é para um Whisky!»
Ao que eu respondi: «Pois, disso ainda não bebi hoje!»
Ai o que o velhote se riu.... A graça que achou ao meu trocadilho!
Saímos ao mesmo tempo. Abriu-me a porta e quando lhe disse boa tarde, respondeu-me:
«Mas se quiser beber o Whisky...»
Tal não é a moenga....

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Já vos disse que ando a tirar cursos e a investir na minha formação e cultura geral, certo? Aliás, já nem me devem é poder ouvir com esta tranquitana, que é diferente!
Bem - chegou o intervalo e a hora para o 19.º café do dia. Mas será possível que também tenha de tirar um curso para sacar um café da máquina?
À disposição tínhamos vários tipos de capsulas Delta, da qual sou fã fiel - marca portuguesa, alentejana, desse filantropo que é o Comendador Nabeiro, marca muitíssimo bem representada pela minha amiga Maria José Moura (quando crescer quero ser como tu!)
Bem , tudo isto para dizer que não consegui inserir as belas e ergonómicas cápsulas, fechar a tampinha, carregar no botanito e ouvir o lindo som do líquido a correr.
Estraguei duas cápsulas - um sacrilégio, eu sei, Deus me perdoe-, água com fartura, e fiquei por ali a rondar, a ver se alguém conseguia cumprir aquela missão impossível para mim. Lógico que chegou uma brasileirita e tirou cafés para a malta toda, sem que a máquina falhasse, como é óbvio, porque o defeito não era da maravilhosa máquina mas sim meu!
Moenga dum cabrão! Senti-me tão estúpida.
Mas fiquei com isto no sentido. Será que estava a por as capsulas ao contrário?
Tem de haver uma explicação plausível para tanta falta de jeito.

Tal não é a moenga...

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Comecei o ano com uma alegria - consegui dar sangue, prática que me envaidece. Fui recusada umas quantas vezes por ter a hemoglobina baixa - desta vez estava a 14 (só um recadinho lá para Beja para se convencerem de uma vez por todas que não preciso comer porcos para estar saudável).
Lá preenchi o questionário e esperei pela consulta médica. Tensão arterial: 8-6. «Credo, que passarinho. Sente-se bem?»
«Sim, sinto. Isso é normal em mim. Sempre assim foi. Quando tenho a tensão a 11 é porque estou irritada»!»
Passei à cadeira para a 'pica'.
«Tensão tão baixinha. Vá beber água. Já bebeu café?»
«Para aí uns quatro», respondi. «Beba mais um!» 
E lá fiquei a esgotar o stock do Instituto do Sangue.
«Quantas garrafas de água bebeu?» «Uma pequena!»
«Beba outra». Chiça. «Venho dar sangue ou fazer uma ecografia?»
Riram-se de mim. Nova avaliação.
Tensão? Já está a 9.
Ok, passemos à dádiva. «Vá abrindo e fechando a mão que a sua veia é tão fininha que o sangue para logo de correr!»
«Olhe, mas com  a quantidade de água que me fizeram beber, daqui a pouco há outra coisa que corre, sim, e pelas pernas abaixo!»
Riram-se de mim outra vez! Deixaram-me ir à casa de banho mas nem me permitiram levar a mala para se certificarem que de que voltava para comer e... beber água.
Glu, glu, glu....

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Não há dia em que não beba dois cafés logo de manhã.
Há já uns bons meses que sou cliente assídua de um café nos Moinhos da Funcheira onde arranjei uma amiga. Não sei que graça me achará mas a dita senhora nem disfarça. Fica a olhar para mim, encantada, e quando cruzo o olhar com o dela, ri-se, sem sequer fingir não estar a fitar-me. Já uma vez me sentei na mesa ao lado e lá encetou conversa comigo. Não percebi metade. A senhora fala baixinho e eu sou mouca como uma porta. Percebi estar a elogiar a minha Caetana e a falar dos filhos dela quando crianças. O resto não pesquei patavina.
Todas as manhãs, o mesmo ritual. Bom dia! E até se vira na cadeira para estar bem de frente para mim. Já nem me perturba a sensação de ter os olhos de alguém colados na minha fuça. Há dias, o diretor geral cá de casa acompanhou-me. Ia de fato já que era dia de jogo do Belenenses. Aquilo causou-lhe tanta estranheza que se foi aproximando, aproximando. Até que a ouvi: «Hoje são dois cafés e uma garrafa de água para esta mesa!»
Também acho bem - se é para cuscar que seja às claras, agora cá com sussurros e segredinhos... Ora porra!