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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Terminei 2018 a chorar. Muitas mudanças, muita incerteza profissional....
Eu, de mim, já sou esmanifância dos nervos (como diz a minha Gertrudes) e isto de ter de arranjar nova profissão e, sobretudo, forma de ganhar guito deixa-me chanfrada. É que, bem vistas as coisas, não tenho arte alguma. Não herdei da Gertrudes o jeito para a costura, não sei fazer iguarias nem bolinhos (sou mais de incendiar cozinhas), sou espaventada nas horas....pelo que continuo a ter pena de mim própria. Com este espírito animador, para onde fui eu ontem à hora de almoço? Logicamente para o ginásio, esfalfar-me em cima de uma bicicleta durante uma hora de spinning. A sala estava cheia e ao meu lado ficou uma jovem, bem menos acelerada que eu. Acontece que é no ginásio que sempre ponho as minhas ideias em ordem. Penso em tudo e mais alguma coisa, surgem-me ideias e soluções....
Ali continuava eu, imbuída nos meus pensamentos, e, enquanto as pernas obedeciam às instruções do Alexandre Júnior, a minha cabeça ecoava: «atão e agora, raios partam esta %$$## toda, como me viro, que será que me espera, bla bla bla »....E não consegui evitar que as lágrimas me caíssem cara abaixo.
Ora a jovem ao meu lado estava muito estupefacta a olhar para mim, achando, certamente, que eu chorava do esforço, do aceleramento! A pobre olhava-me com pena até que lá me deu a mão, cochichando: «vá mais devagar, ainda passa mal!»
Noutra qualquer altura, aquilo tinha-me dado para rir mas ainda me fez chorar mais. Sem nunca parar de pedalar. Isso é que não!
Andei a fugir dela, depois, no balneário, não fosse a miúda chamar o INEM ou trazer-me algum desfribilhador!