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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Que faço eu agora? Como!
Que faço eu daqui a 15 minutos? Como!
Que fazem o frigorífico e a dispensa que sempre esbarram comigo?
Há coisas que não têm remédio. Não vale a pena lutarmos contra guerras perdidas. A comida ganha! É forte, poderosa, saborosa, sempre à mão de semear. Dançam-nos à frente dos olhos coisas para trincar, alimentos encantam-nos qual serpentes eretas dentro de cestos. Por mais que queiramos portar-nos bem e que pensemos que, presentemente, é um filme irmos às compras, a despensa ri-se de nós porque nem damos luta para aquecer. Vá lá que ainda resisto aos processados e doces (como vocês bem sabem). Mas beterrabas são às dúzias. E vocês ainda fazem bolinhos, tartes, quiches e cenas de forno...Ontem sonhei com um banquete: estava em Beja, a minha Gertrudes tinha feito sopa de entulho - chama-lhe assim porque leva todas as verduras e couves que possam imaginar. Nem tinha tomado o pequeno almoço para ter fome para todo o tacho (sempre fui tão brutinha, graças a Deus).
As saudades apertam e dava tudo para entregar-me a todos aqueles talos alentejanos (isto não soa bem, pois não?).
Vou mas é comer mais uma beterrabazinha - aquilo deita líquido vermelho por todo o lado (para filmes de terror era sugestão bem saudável para gravar cenas de morte) e a boa da minha Caetana apanha sempre o mesmo cagaço : «mamã, já cortaste os dedos outra vez?» - algo sempre passível de acontecer comigo na cozinha!

Tal não é a moenga!

Cuidem-se!

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Pois cá estou eu a tentar conquistar um novo mundo, com a minha persistência, simpatia, desíquilibrio, pantominices.... Porque será que quando queremos ser simpáticos e causar boa impressão fazemos, exatamente, o oposto? Bem, se calhar sou só eu!
Meto conversa com toda a gente...
«Bom dia Vítor.»
«Eu sou Rui!»
Certo!
«Olha aqui este vídeo no meu telemóvel».
«Ah , que menino lindo. Quem é?»
«É a minha sobrinha!»
Ups. 
Sempre a somar Elsa Marina! 
«Onde está o meu casaco? Alguém viu?», ouve-se na sala open space.
«Olha, importaste-te de te levantar de cima dele?»
«Ai, mil desculpas!»
Quanto à primeira impressão estamos conversadas, certo?
E quando chega a hora de almoço e cada um puxa das suas marmitas? Abro o meu tupperware de peixinho cozido, bróculos e couve flor. Que adoro! Mas convenhamos - o cheiro dos legumes cozidos não é o mais agradável. Sobretudo abafados num plástico.
E ficam todos a olhar para mim já com aquele ar de quem está a pensar: «esta tem a mania da vida saudável e das práticas aconselháveis.» Chatarrona, pois.
Enfim - ainda ninguém inventou perfume para a comida, não? Fica a ideia!
Tal não é a moenga...

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