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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Hoje é dia 1 de agosto!
Desde que me lembro de ser gente que a data me causa ansiedade. É que a minha Isabelinha faz anos.
A minha irmã mais velha. A minha mentora. A pessoa que mais acredita em mim. Que sempre acredita em mim quando muitos duvidam. Sobretudo eu própria.
Toda a vida a segui, toda a vida a tive por exemplo, toda a vida a tive por socorro. É uma força da natureza.
Um mulherão. Recordo-me muitas vezes da nossa infância, eu ainda moça pequena, ela já adolescente - jeitosa como o raio. Tinha o rabinho empinado. As calças de ganga assentavam-lhe na perfeição e eu- cheia de pneus (ela até me chamava boneco Michelin)- embasbacava-me com ela e pensava: «é tão bem feitinha a minha mana.»
A vida revelou-me que tinha razão. A minha irmã era mesmo bem feitinha,  sobretudo na forma de ser,  de atitude, de caráter inabalável.
Hoje faz anos a Isabelinha! E sou grata por ter a benção de ser a sua irmã mais nova!
E ainda hoje, com qualquer aflição, é dela que recebo a calma, a fibra e o incentivo que nunca me deixa ter pena de mim própria - sim que tenho grande queda para armar-me em calimero!
Parabéns minha musa.

E por aqui me fico.

Dia em tudo especial: o 1 de agosto - dia em que ponho ponto final neste meu Bichanando.
Durante mais de um ano partilhei convosco histórias diárias. Dei-me a conhecer a mim e aos meus, e nunca inventei qualquer situação. Sou mesmo assim - íman para cenas inusitadas, detentora de magnetismo avariado como a porra!
Mas também receio que já vos canse com os meus disparates e conversa fiada, certo?
Não digo que, de quando em vez, não venha aqui descarregar umas alarvidades, mas vou dar-vos férias prolongadas. 
Obrigada a todos quantos me leram, sobretudo obrigada a todos quantos sorriram ao ler e imaginar as minhas caganças e fanfarronadas!
Bem hajam!
Felicidade são pequenos momentos. Vivam-nos com intensidade!
Vou abraçar a minha Isabelinha!

Ciao!

Tal não é a moenga...

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Ando cansada que nem uma preguiça. Arrasto-me. Não me desloco - vergo-me!
Mas forço-me a ir ao ginásio, nem que seja já ao fim do dia. E, assim que a música começa a bombar, passa-me tudo. Chega-me a energia, a genica e aguento-me ali que nem um macho.
Outro dia fui fazer aula de RPM ao Hut da Amadora com o Alexandre Junior. Um instrutor assim novo, da minha geração, que dá umas aulas poderosas. É um espetáculo, dentro do espetáculo. Grita, assobia, é uma animação só. Para mais aquela aula foi ao som do bom e velho rock - tipo o clássico CD do Plateau ( discoteca de Lisboa) às quartas-feiras à noite.  
Mas o que mais me confortou foram as imagens que ele pôs nas telas da sala. Eram, assim, tipo mandalas animadas - mandalas aqueles desenhos minuciosos cheios de curvas e curnocópias. A minha irmã até já me deu um livro de mandalas para colorir como forma de aliviar o stress e controlar a ansiedade (não funcionou)!
Mas ali, a correr em cima da bike, ao som de Nirvana e a olhar para aquelas cores que se engoliam a elas próprias, senti-me completamente anestesiada. Houve alturas que entrei em transe. Sem ouvir nada, sem comandar as pernas ou os pensamentos.
Eu precisava era mandalas!
Aquela horinha passou que foi um espetáculo.
Depois - depois, olhem  era manda-las- às mandalas - para o .......catano! E a dor de cabeça de ali estar a fitar aquilo?
Tal não é a moenga....

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Meus amigos- isto de andar no futebol faz canelites! Parece óbvio, né? Mas não é.
Como é que, sem jogar, sem correr atrás da bola,  sem sequer aquecer, arranjei canelites?
Ando no ginásio para baixo e para cima, fico moída ao ponto de só conseguir mexer as pálpebras mas pouco depois estou fina. Agora padeço destas dores no pegamento do pé com a perna que nem me consigo levantar bem! É que dias de jogo são a loucura total. As 'piscinas' que eu fiz para trás e para a frente. Cristo! 
Acreditem que isto dói - é como se tivessemos pernas de pau e as sentissemos a quebrar às lascas!
Pior - o que ajuda a aliviar isto? Pomadas não ajudam, forçar esforço fisico - impensável. Pareço uma tansa sem me conseguir equilibrar no meu equílibrio natural.
E desculpem lá nova foto dos presuntos!
Tal não é a moenga...

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Tanto que eu gosto de cicatrizes, tanta mocada que dou em tanto lado e não consigo ficar com marca alguma... Só pode ser castigo pelo meu alvoreamento. Agora estou na fase de martirizar a orelha esquerda. 
Outro dia, estava no parque de estacionamento do Fórum de Linda a Velha - o tal cujos postes conhecem bem as quinas do meu carro-, ia pagar o ticket, seguia olhando para o telemóvel de fuça no chão (como sempre), lá reparei no filho da mãe do espelho colocado ao nível do meu 1.69m... Que fuerada! Minha bela orelha.
Agora- há coisa de minutos minha gente-, calculei mal a distância para entrar no bólide, espetei com a mesma orelha, a esquerda, na quina do vidro da porta.
Tenho a certeza que vai ser toda a semana nisto. 
Tal não é a moenga...

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O que vale é que eu, onde quer que chego, arranjo logo companhia.
Nas minhas novas funções e respetivo poiso tenho agora nova 'sombra'- já vos contei de um filha da mãe de um gato preto que me persegue de tal forma que até se enleia nas minhas pernas, não já? Mas não é dele que quero falar-vos agora. Pois que anda lá um rapazito que vive lá dentro do recinto com os avós. Ali passa os dias inteiros, para baixo e para cima - ora a pé, ora de bicicleta. Trato-o com amizade e deferência. Perguntei-lhe o nome para trata-lo pela sua graça. Miúdo de instituição. 
Mas o moçoilo descobriu-me no Facebook. Manda mensagens a desejar bom almoço, bom jantar, acena, envia emojis - vê-se que é solitário e que mima quem lhe mostra os dentes. E eu e a minha mania e orgulho nos meus implantes....
Agora não posso dizer ao moço que não quero tanta atenção, certo? Parece que estou a ouvir a minha mãe - «Ó Noca, coitadinho»!
Estou sentada a trabalhar e só lhe vejo a sombra, a passar de um lado para o outro. E espreita. E sorri.
Não há como não ficar enternecida. Só não gosto quando me trata, vezes sem conta, por senhora!
Bem, pelo sim, pelo não, e como as pessoas puras falam verdade, fui comprar ácido hialurónico para preencher as rugas.
Tal não é a moenga...

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Eu, também, ponho-me a jeito! A verdade é essa! Ora, sai mais uma barracada à pala do ginásio.
Acreditam que há três dias que estava para comprar shampoo e esqueci-me sempre? 
Ontem não pude evitar -  ao reparar que tinha voltado a não por o belo lavadoiro de cabelo no trolley, fiz-me de parva e tive de meter conversa com a senhora da cabina de duche ao lado. Situação estranha, confesso: eu nua, a senhora, nua.
Simpática, pos-me shampoo na mão mas depois deixou cair a toalha, agachamo-nos as duas para a apanhar em simultâneo - parecia aquele anúncio da Impulse mas versão porno inocente. 
Lá fui tomar o meu banho quando a senhora, simpática- reforço-, abriu-me a porta do duche para perguntar se também precisava de gel de banho. Que confragedor. Sério. 
Querem saber que mais? Atendi uns telefonemas, despachei-me com calma e quando saí do ginásio, estava a boa da senhora- que foi tão minha amiga- à porta. Acreditam que não a reconheci...vestida?
Estou preocupada....
E o que fiz? 
Saí dali direta para o Pingo Doce, passo a publicidade, buscar uns frasquinhos de stock.

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Estou toda desasada! Empanada! Empandeirada! Descadeirada é o termo certo.
Ganha um pessoa o estatuto de diretora e pimba - alanca que é para não seres parva.
Estou a queixar-me mas é na brincadeira, naturalmente. Toda a gente sabe que, quem anda no dirigismo desportivo, tem de ser um 'faz tudo'. Isso inclui carregar cenas, móveis, porras ! Com a minha sala em obras (ora são as paredes, ora é o chão) tenho de andar a mover cadeiras, secretárias e afins para umas catacumbas. Terminada a melhoria estrutural, toca de ir buscar outra vez o mobiliário. Sozinha, uma destas manhãs, lá meti a secretária às costas....Ando eu no ginásio a levantar barras, a esfalfar-me que nem uma maluca e nunca me aconteceu nada. Vou pegar naquela tanga e toma lá uma distorção na lombar que até me dificulta a respiração (estou pro em fazer rimas sem querer!)
Antes fazer uma aula de crossfit - caramba também não! (digo com casa asneirada - Cristo)!
Vou ali comprar aqueles géis de alívio muscular....
Tal não é a moenga...

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Ora eu, Elsa Marina, de sandalocha dias inteiros num estádio em obras.... Além de ficar com os entremeios dos dedos todos sujos de terra, o piso torna-se perigosérrimo para os meus trambelhos - buracos em todo o lado, bocados de chão com cimento fresco, baias e fitas no ar nas quais engancho o pescoço... Já tive dias mais fáceis!
Agora, dramáticos são os tubos que brotam do chão sem aviso, sem placa, sem dístico, sem neón a dizer CAUTION...
Escusado será dizer que mandei uma pantufada num desses tubos. De tal maneira que fui à lua e vim mais depressa que o Armstrong! Quer dizer - à lua, não, porra- ao inferno que a dor fininha de uma castanhada com o dedo mínimo naqueles canos de betão dói para ca.....tano!
Acho que vou ter de fazer um seguro não vá eu sofrer um acidente daqueles de deixar-me toda engessada.
Uma vez, quando miúda, já tive um seguro desses...Mas acho que vou confiar no meu anjão da guarda. É que não há guito, pilim, money para estas frescuras. Tenho mais é que ter juízo e pensar que posso magoar-me à séria, certo? Quem acredita que vou conseguir? (Eu também sei que vou sofrer aqui muito...)
Tal não é a moenga...

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Ora, já perceberam que sou um bocadinho esquisitóide com a alimentação e comida saudável, certo?
Confesso que sou só um bocadinho.... Ando sempre de lancheira atrás com as minhas frutas, iogurtes, cenouras cruas, pepinos para comer à dentada e... ovos cozidos! Como muitos. Só tenho de começar a descasca-los em casa. Muitas vezes, de um lado para o outro, é no carro que saco do belo do ovinho e como-o enquanto conduzo. Logicamente, por mais que guarde a casca, há sempre umas partículas que caem para baixo dos estofos. Digamos que muitas casquinhas decoram os tapetes e tablier do meu bólide.
Fui mandar limpar o carro.
O senhor, ucraniano, ficou a olhar para mim. Primeiro o carro cheirava a ovos cozidos- e não a outras coisas que se pudessem pensar já que os ovos cozidos, como se sabe, também não cheiram assim lá muito bem. E se o homem chegou a pensar que era odor de outro género - género alívio de intestino - estavam lá as milhares de casquinhas, que lhe deram' trabalhêra' imensa - a prova-lo.
O homem  não se conteve.
«Gosta muito de ovos...»
E riu-se, gozando comigo.
Toda a gente goza comigo.
Tal não é a moenga...

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Dizia eu mal do outro desgraçado cá de casa que parece um código de barras tantas as listas e marcas do sol. 
«Epá, é de estar nos treinos!», justificava-se.
Pensava eu cá para os meus botões : «Era mesmo eu que ficava à estorreira do sol a ver os marmanjos treinar!»
Pela boca morre o peixe - e morre a pele sedosa dos meus presuntos. Agora, no Casa Pia, estou onde a equipa estiver (salvo alguns locais que naturalmente me são vedados!)
Manhã de sábado - calorzinho bom. Levei saia comprida e umas sandálias com barra no peito do pé.
Quando cheguei a casa - palavras para quê? Tenho uma certa dor na parte gorda do pé e chateia-me, sobremaneira, ter os pés inchados. E queimados. E doridos. E secos. 
Mas, ao menos, não chuto bolas- os desgraçados dos jogadores, das chuteiras, do calor, dos pontapés têm os presuntos,  (e aquelas unhas, Cristo) transformados em rolos de carne queimados. 
Não quero nem pensar quando acabar esta época que ainda nem começou a sério - devo ficar a parecer uma  peça de dominó tantas as sardas que o sol me desenha na pele.
Tal não é a moega...

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