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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Sabem quando vamos ao supermercado, trazemos tudo o que precisavamos e mais uma série de tranquitanas que só nos servem para gastar dinheiro e depois chegamos a casa e não temos shampoo para lavar a cabeça à miúda? 
E o que me enerva ir a grandes superfícies - são quilómetros lá dentro! Para comprar qualquer tanguinha, temos de atravessar os corredores todos, passar pelos dos frigoríficos e apanhar uma rigeza dos diabos...
Bem, ia de carro, com tempo e parei numa superficie mais pequenina, só para ir buscar o shampoo da criança. Pacientemente pus-me na fila e ali fiquei a observar o comportamento da rapaziada que de férias parece que emparvece - gritam uns pelos outros, entopem-se de chocolatungas, telefonam uns aos outros a 50 metros de distância... Bem, estava eu entregue a estes pensamentos quando começo a sentir no meu traseiro um pisão do carrinho do trás. Olhei, naturalmente - pensei, um velhote. E aí teria muita paciência conforme me ensina a minha Caetana. Mas não. Homem dos seus 50 anos, se tanto. Boné na cabeça, agarrado ao telemóvel. Com o carrinho cheio, assim que o largava para mexer no telefone, lá vinham as rodinhas para cima de mim.
E aquilo dói - experimentem ter sandálias e levarem com o carrinho nos artelhos. Catano!
Uma vez, duas, três - nem pedia desculpa, nem agarrava o carrinho, nem mugia nem tugia. 
Há malta mesmo estrôncia.
Paguei o shampoo, olhei para ele com ar de quem diz - só me apetecia mandar-te o shampoo à tromba - e o amigo ainda ficou incrédulo a olhar para mim, como que a pensar: o que que quererá esta tipa!
Arre!
Tal não é a moenga....

P. S - entretando o shampoo abriu-se no saco.
Deus ensina-nos humildade nas mais distintas formas...

 

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Ora cá está um exemplo de como a minha Gertrudes me daria um calduço, mesmo com 41 anos! Só dou barraca. Estes dias natalícios inspiram-nos às compras e não há como fugir a uma saltada à FNAC (passo a publicidade que não ganho nada com isso, infelizmente).
Lá gastei mais do que devia, naturalmente, paguei, e, como estava com tempo, fiquei na fila para embrulhar, até porque o trabalho era feito por voluntários revertendo os extras para beneficência. Acontece que a minha palmilha estava a aleijar-me na bota. Já vos contei que tenho uma perna mais comprida que outra e preciso de equilibrar o meu lado esquerdo para não ficar toda desasada (precisava de muito mais para me equilibrar mas enfim). Tirei a bota para ajeitar a dita palmilha mas o sapato caiu-me da mão e não tive como esconder o buracão que tinha na meia. E quanto mais depressa mais devagar, quanto mais rápido queria voltar a calçar-me, mais depressa me caíam os sacos de compras dos braços, mais me desiquilibrava do pé coxinho....Quando me recompus, a fila para embrulhos tinha duplicado. Houve quem reparasse no meu desmazelo e me fizesse aquele sorrisinho malandro de quem estaria a pensar...«já compravas umas meiucas».
Como se não recebesse no Natal...Bah!