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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Faltava-me cá este agora! E o que eu gosto de gatos!  Tenho carinho pelos animais mas confesso que os gatos fazem-me espécie! Tenho medo. Saltam muito rápido. São esguios. Assustam-me. Que porra.
Então não é que agora lá no Casa Pia - perceba-se Estádio Pina Manique - anda para lá sempre um emplastro destes, para mais preto que nem breu, a enlear-se-me nas pernas? Se é para ser superticiosa estou lixada.
Anda sempre atrás de mim, o cromo de quatro patas. E mia-se todo!
Eu fujo e ele corre atrás de mim como se estivessemos a brincar. E eu grito. E enxoto-o. E ele parece adepto da máxima - quanto mais me bates mais gosto de ti! Chego a encalhar no bicho! Imaginam o meu desespero?
Cheguei cedo. Fiquei a escrever no carro. Deixei a porta aberta.
SOCORRO! Que cagaço!
E depois para ele sair de lá de dentro? Eu gritava-lhe cá de fora mas o animal ou é estúpido ou surdo!
Ou gosta de mim - pobrezinho!
Tal não é a moenga...

P. S - E o bom do Zé Luís superpreocupado com a minha aversão ao bicho: -«Vê lá não vá o gato entrar para dentro do motor!» - Dah!

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 Eu até gosto de bichinhos! E trato-os bem, ainda que nunca tenha tido animais de estimação: não contam os 300 piriquitos que a Gertrudes se lembrou de manter numa casa minúscula, nem o Otti - Pavarotti de seu nome -, canário com asma que obrigava o meu pai Bicho a dar-lhe remédio ao bico! Só aqueles dois.
Estava eu a estender roupa na minha nova residência quando oiço miar. Faltava-me cá este, agora! Um gato gordalhão de intimidantes olhos amarelos. Os gatos sempre me fizeram espécie. Olham para nós como se nos sugassem a alma. E este, então, deixou-me desalmada. Vinha para dentro e ele miava. Quando o espreitava mirava-me como se fosse saltar-me para cima do segundo para o terceiro andar. Lembrei-me logo do Guerra! O Guerra foi meu chefe durante anos no jornal A BOLA. Um personagem. Tínhamos relação de amor/ódio. Muitas vezes me fez chorar, muitas vezes me fez rir. Uma vez contou-nos que também apareceu um gato em sua casa. E o bicho foi ficando. Não tinha nome e ele começou a chamar-lhe de gato Estúpido. E assim a bola de pêlo começou a 'responder'. E ficou o Estúpido. O vizinho que me perdoe mas fiz mesmo. Gato estúpido. Mas este é seletivo. Nem Estúpido, nem Estropício, nem Garfield, nem fofura, nem belezura, nem bacalhauzinho à brás. Nada! Tenho medo dele. Está a chamar-me lá de fora......'creepy'.