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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Prometo que é a última vez que vos falo do meu fim-de-semana na Mina de São Domingos, em Mértola!
É que o meu Alentejo é tão encantador e castiço que...só visto!
Pois que a Tapada Grande vicia-nos a ponto de não querermos sair de dentro de água mas, quando já estamos bem encarquilhados, que remédio o nosso! A verdade é que, depois, à noite, tirando o café /restaurante lá do sitio não há muito que fazer - já agora dizer-vos que o campo de jogos das Minas de São Domingos se chama Cross Brown - vejam bem o sainete! 
Decidi , então, ir até Mértola ver se via gente na rua (uma ou outra pessoa...) 
Mas, pelo caminho de curvas e contra curvas, fui prestando atenção às setas que indicavam outras povoações igualmente animadérrimas! E Sapos? Adorava fazer uma festança em Sapos! Se me casasse em Sapos vocês iam?
Parei para fotografar a placa mas raspei-me logo que, além do coaxar de batráquios ouvi muitos outros uivos, gemidos, bruás e cuá cuás no meio de sombras e barulhos de folhagem. Apanhei um cagaço, percebem?
Mas, mesmo a olhar por cima do ombro, ainda tentei ensinar a música da Maria Armanda à minha Caetana-: «eu vi um sapo, com um guardanapo, estava a papar, um bom jantar»
Cala-te mãe - que horror!, gritou-me logo.
Esta juventude não tem apreço por nada e vai ter por referências musicais o Kevinho e essas porras que ouvem!
Isto é que é uma real moenga...
Volta Maria Armanda!

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Já vos disse que as Minas de São Domingos são um oásis perdido na planície? Ali depois das curvas de Mértola, depara-se-nos a Tapada Grande. Água quente, areia fininha, caracóis...
Estava eu com os pés de molho - sim, que primeiro que mergulhe derreto com o braseiro cá fora-, quando chegam dois casalinhos enamorados. Ao menos pareciam. Um dos casais entra dentro de água e põe-se aos 'meles', o outro estava ainda em conversações. Ele escuro que nem tição, ela branca como lixívia.
Não que seja do meu feitio estar a ouvir as conversas dos outros, mas era inevitável não estar atenta aquele engate alentejano...
«Atão, não veins à água?»
«Está muito fria...»
«Queres que eu te carregui 
«Não, não faças isso.»
«Estás com medo que te dê uma amona?»
«Uma quê?»
«Uma amona, não sabes o que  isso éi 
«Ah, percebi outra coisa...»
«O que é que percebestis 
«Uma amora...»
«Eu não sou cá de amoras... sou mais de amoris
«....»
«Não queres mesmo que te carregui 
«Sério que não...»
«Vais perder a tua oportunidadi...E olha que até nem engraço com branquelas. Só com minis.»
«Também não bebo»
«Porra que não há quem te contenti...»
E não ouvi mais...
Que pena...queria tanto saber se se entenderam...
Tal não é a moenga...

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Adoro! Fui passar o último fim de semana às Minas de São Domingos. À praia fluvial da Tapada Grande, um maravilhoso aproveitamento de um lindo paraíso no meio do Alentejo profundo.
Há mais de 30 anos que não ia lá. Contam-me os meus pais que, era eu moça pequena,  ia-me lá afogando depois de ter caído ao rio de um barco cheio de malta que tinha ido à pesca.
Agora imaginem - areia fininha, um barzinho show de bola com wi- fi, palhotas a fazerem-nos imaginar estar nas mais idílicas ilhas, e, o melhor de tudo - água quentinha! Para mim, aque até acho a do Algarve gelada, foi um consolo. Trinta e muitos graus a ajudar à festa e estava ali que nem uma paxá. Feliz da vida.
Foi quando, do outro lado do rio, começo a ver chegar malta - típicos alentejanitos em excursão, saindo dos autocarros de geleira na mão, daqueles que entram na água de calções pelo joelho e boné na cabeça.
E sotaque cerrado, saído bem lá dos bofes. Bem do interior da alma.
Felizes da vida, também, gritavam de um lado para o outro do rio, cumprimentando-se e brincando como se ninguém os estivesse a ouvir ou como se mais ninguém ali estivesse a desfrutar daqueles oásis na planície.
E a cena fez-me recordar outras passagens da minha infância - não do quase afogamento (por acaso recordo-me de estar debaixo de água e sentir ser puxada pelos cabelos), mas as muitas vezes em que vínhamos de férias de Monte Gordo (claro) e paravamos no meio da estrada para comer frango assado.
Recordo com carinho os piqueniques bem barrascos que eu amava e que enchiam a minha irmã de vergonha. Os carros passavam por nós e apitavam - o meu pai respondia - tcheeeee . Eu ria, a Gertrudes abanava a cabeça, a Isabelinha escondia-se.
Haverá melhor que comer um belo franguinho cheio de pó da estrada? 
Não conhecem as Minas de São Domingos? Não percam tempo.
E ainda dá para trabalhar os oblíquos de tanto rir. 

Tal não é a moenga...

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