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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Último dia de aulas. Arraial na escola. Miúdos em êxtase. Gritaria. Excitação. Comes e bebes - bolos, fritos, pipocas, churros, ou seja, açúcar aos quilos- entenda-se! Eu, como sou meio chata com a ingestão exagerada desse veneno branco, tenho de levar com o resto da malta a tentar entupir a Caetana à minha revelia. 
Mas ela estava tão feliz que aqui a mamã bruxa até lhe deu um donut ( e juro que me arrepiei).
Eis senão quando começo a ver montar uma outra barraquinha - parabéns Jumbo - com frutinha fresca. Uvas e morangos para fazer espetada. Corri, como se não houvesse amanhã. Sem necessidade. Era a única da fila. Bah! Depois lá foram uns putos atrás de mim que logo fizeram a questão que se impunha: «e o chocolate para molhar a espetada de fruta?»
Irra !
«Caetana anda comer moranguinhos».
«Caetana espetada de fruta!»
«Filha, queres levar?»
Sabem aquele olhar de quem está a pensar : «e se te fosses mas é encher de moscas?»
E os putos todos a olharem para a minha miúda como se fosse a mais desgraçada das crianças?.. 
Tal não é a moenga...

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Como não babar ao ver a benção a que tive a felicidade de chamar Caetana exibir-se na sua acrobática?
Fico logo com lágrimas nos olhos. E canto. E chamo-a! E grito! E chamo-lhe linda!. Enfim, um despautério.
O meu pai está sempre a dar-me na cabeça: «distrais a miúda, pá!»
Mas é mais forte que eu. Só mais tarde, quando vejo os videos, é que percebo a figurinha e o quanto estrago as gravações com a minha vozinha de fim de garrafa de Porto. 
No último dia de aulas o meu CDCRMF foi fazer pequena exibição na escola dos Moinhos da Funcheira. A escola da Caetana. Ela estava nas sete quintas - feliz, feliz por todos os colegas, amiguinhos e professores irem vê-la na sua arte.
Eu, como vice presidente do clube e mamã, pus-me defronte delas para fazer um direto no Facebook do clube. 
Babava eu, gritava eu, cantava eu quando começo a ver do outro lado a minha amiga Célia e o Zé Luís a chamarem-me, a fazerem-me gestos...Porra, não vêem que estou aqui entretida e ocupada?
Liga o Zé Luís. Caramba que me estragou o vídeo:
«O que éiii, pá
«Elsa, estás de saia branca, de joelhos no chão a mostrar as cuecas e a ver-se tudo!»
Ups! Nem tinha reparado tão embevecida que estava a ver voar a minha menina!
E então? Quem nunca? Catano!
Tal não é a moenga..

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Este convite não se vai autodestruir em 30 segundos pelo que considere-se intimado a comparecer na feira da Porcalhota, Falagueira, Amadora.
Cá eu adoro tudo quanto são manifestações popularuchas. De 6 a 10 de junho, no Parque da Mónica terá, certamente, muito com que se entreter. Não, ninguém da Junta ou Câmara me está a pagar por esta bela prosa. É que o meu Centro Desportivo Cultural e Recreativo dos Moinhos da Funcheira vai lá estar com uma barraquinha cheia daquelas nhanhas de açúcar mas também com bolos, salgados, rifas, quermesse e pessoas muito simpáticas de sorriso aberto  não, não estou a falar de mim, desculpem - ha, ha, ha). 
A minha filhota, Caetana, e as minhas funchos da ginástica acrobática também lá vão exibir-se, dia 10 de junho, dia em que, de acordo com o programa, vai haver o concurso do caracol! Top! Vou ver se náo perco.
Será competição de comer caracóis, já que estamos na época deles, ou será mesmo, corrida de caracóis?
Aí está algo que, certamente, me acalmaria as glândulas nervosas bem mais que aquelas bolinhas que se apertam, apertam e nunca se rasgam - as.. p$%$$!
Pensem bem - toda uma tarde, de calor, ao sol, a olhar para um filho da mãe de um caracol à espera que o animal chegue a uma meta- não é apetecível? Haverá melhor para adormecer?
Vou arranjar uns caracolinhos para  ter no quarto para as noites em que me foge o 'amoque' do sono.

Tal não é a moenga...

 

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Dia de sol.
Dia sem birras com a Caetana logo de manhã a não resmungar da roupa, nem a importar-se com as meias que não eram curtas ou com os calções que não lhe vincavam as pernas. Sorriso nos lábios, otimismo de que algo vai ter de acontecer, mais cedo ou mais tarde. A certeza de que, o que for meu, para mim está reservado e outras pachovadas do género que nos ajudam a arribar. Miúda no carro, a caminho da escola à qual chegamos sempre, no mínimo, com 15 minutos de antecedência visto que a minha rebento tem de cuscar quem chega com quem, o que as pessoas trazem vestido, tendo, impreterivelmente, de ser sempre primeira a entrar (tal e qual a avozinha Gertrudes). Música 'cool' para ajudar ao ânimo e a inevitável paragem na passadeira para deixar passar um senhor - não muito velho, não muito novo - que até agradeceu, quando não fiz mais que a minha obrigação.
'Atão' não é que aquela alminha pespega-se a meio da passadeira para assoar-se, deixa cair o lenço e fica com a moncada presa no nariz?
Belo cenário só para abrir a pestana! Parecia o slime da minha filha, aquela nhanha viscosa, até meio amarela, que logo ali me revirou os bofes. Com toda a calma, o bendito senhor apanhou o lenço tentando que o muco pendurado não caísse no chão, limpou, por fim o nariz, e só depois arrepiou caminho.
Era preciso assistir aquela cena em slow motion? Como há-de uma miúda não andar com o rastilho curto?
Tal não é a moenga...

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'Atão' quem de vocês foi para a paródia no Carnaval?
Cá eu, desde que sou dirigente do CDCRMF (Moinhos da Funcheira), tenho a obrigação de não deixar passar a data em branco. E como tenho uma presidenta ainda mais esgroviada que a vice - que sou eu - a coisa dá-se. Lá fizemos um concurso de máscaras na coletividade - aparecem sempre os mesmos - e o que importa é que a minha Caetana estava feliz, feliz!
E, só isso, faz tudo valer a pena. Como a mascarei de Miss México, também eu quis ser um mariachi (muito fajuto, diga-se), para lhe fazer companhia.
'Atão' mas deram-me um microfone.... Lá apresentei o desfile, dizendo asneiras (como é meu apanágio), gritando para que ninguém se esquecesse de mim ao adormecer, tal a dor de cabeça!
Lá fiz das minhas - como agitar tanto a Taça do vencedor que emborquei as serpentinas todas em cima de uma só pessoa; tanto esbracejei a gritar 'Arriba' que cada vez que abria as asas dava uma galheta num - e desta vez, nem a minha Caetana me mandou calar!
É a prova provada que estou a melhorar e que passei ao lado de uma grande carreira de apresentadora - género Júlia Pinheiro ou Cristina Ferreira, no que toca a gargalhar, entenda-se! Já viram o bem que fiz à humanidade, desistindo dessa minha ambição?

Tal não é a moenga...

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Deus me perdoe. Outra vez! E outra vez! E muitas, muitas vezes...
O último fim de semana foi de intensa atividade parental (como a maioria dos pais, acredito, entre festas de Natal, saraus, apresentações, quermesses e bazares). Além do sarau dos meus Moinhos, da parte da tarde, as minhas ginastas foram fazer uma singela apresentação ao lar de idosos aqui das proximidades, juventude e sorrisos para abrilhantar a quadra dos mais velhotes que sempre se deliciam com a ternura de uma criança.
O espaço era exíguo, não dava para flicks, piruetas ou mortais mas as nossas meninas fizeram o seu melhor e receberam aplausos. E carinhos!
Um senhor havia, mesmo na frente, que não passava cartucho à arte das pequeninas. Dormia. Mesmo. Aninhado na cadeira, encostado ao cotovelo. A minha descendente, que é discreta como a mãezinha dela, apercebeu-se logo. E fazia-me olhinhos como que a chamar-me à atenção para o senhor que devia estar no sétimo sono.
Convivemos um pouco e saímos, deixando a festa prosseguir. E o senhor dormir.
«Não sei porque insistem em pô-lo sempre na frente. Não estava a dormir, não. É cego», explicaram-nos. Deus nos perdoe!

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Tenho cá um tato....Quando Deus Nosso Senhor distribuiu a sensibilidade devia ter ido à casa de banho...outra vez! Ontem à noite voltei a viver noite bem emocionante. Foi o sarau de Natal da coletividade da qual sou vice-presidente - a tal de nome curtinho e fácil de memorizar, o Centro Desportivo Cultural e Recreativos dos Moinhos da Funcheira.
A minha Piqui esteve tão bem!!!!!! Go Piquiiiiiiiiiii!
Bem, voltei a apresentar o espetáculo das minhas meninas e mais valia que ali estivesse sempre a mandar as minhas bordoadas, em vez de estar nos bastidores a desestabilizar. Além de não ter jeitinho nenhum para maquilhar as crianças, muito menos para pentea-las, muito menos para vender ingressos e fazer trocos, ali fiquei a tirar fotos.
Uma pequenina - linda, olhos verdes, cabelos loiros aos cachos - estreava-se em saraus.
A mãe, preocupada, dirigiu-se a mim (!!!!). «Se ela ficar nervosa dê-lhe água.»
«Fique descansada. Qualquer coisa chamamo-la logo da bancada.»
«Não, acho que ela fica ainda mais desconcentrada se me vir. Dê-lhe água!»
Combinado. Mas a miúda estava mais do que satisfeita. Qual nervoso, qual quê.
Ali andava, atrás das outras, feliz, feliz... Quis meter-me com ela: «Então Laurinha, valente! Aí estás tu, só de maiô, nem tens frio nas pernas!»
Grande tirada. A miúda, que estava tão bem, larga-se num berreiro, num pânico.... e eu só pensava: água, água.
Então, mas que foi? Lá se percebeu no meio do pranto, enquanto bebia as lágrimas, a razão do desespero... é que todas tinham meias por baixo do maiô e só ela estava diferente, sem meias. Lá a Susana Batista (presidente também é para estas coisas) pegou na miúda ao colo, lá a acalmou.... e eu saí de fininho, claro, depois de espetar uma carga de nervos na criança. Mas sabem que mais? Portou-se como uma senhorita. A Laurinha e todas as nossas ginastas! 

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Detesto! Abomino ir às compras ao supermercado! Pago a quem o poder fazer por mim! Irrita-me sobremaneira. Transformo-me. Viro Bicho, literalmente. É das necessidades para as quais tenho de preparar-me psicologicamente. Então se tiver de ir a uma grande superfície...Quando estou no corredor dos utensílios de casa e tenho de ir buscar iogurtes à outra ponta apodera-se de mim uma zanga....
Em supermercados mais maneirinhos, a coisa escapa. Ainda assim, já fiz levantamento das horas mais calmas lá da zona para não fazer sofrer o meu sistema nervoso. Mas é em vão. Dou por mim a filar logo a caixa mais vazia, a espreitar para ver quem é o funcionário mais despachado, a passar discretamente à frente das velhotas que têm muito tempo para ali estar (penso eu)! Faço cara de enxonfrada se ficam a olhar para a minha habitual marca de produtos láteos e não permito dividi-los com ninguém porque tenho lá de comprar logo como se fosse para um regimento.
Outro dia, na caixa do Pingo Doce dos Moinhos da Funcheira, até tive vergonha dos meus pensamentos. Tanto fiz por me despachar que fiquei logo atrás de uma senhora que deveria estar a demorar só para me testar: «Ai desculpe mas enganei-me na marca do detergente. Vou só ali trocar.»
«Olhe, esqueci-me do papel higiénico. Está já ali...»
«Desculpe, tenho de procurar o número de contribuinte.» 
«Também não sei o multibanco de cor...Deixo ver se encontro o papel onde tenho escrito!»
Iam-se-me esticando os caracóis. Obrigada, Senhor, por me ensinares o valor da humildade, pensava eu, já com os meus iogurtes no saco, enquanto me dirigia para o carro.
Uai...e a chave? Querem ver....
Voltei para cima. Nada de chaves do carro.
Eis senão quando volta a bendita senhora: «Levei por engano. Estava em cima do tapete da caixa...»

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Pois que, como prometido, aqui venho deixar as últimas do meu Halloween nos Moinhos da Funcheira!
E não é que tenho jeitinho para ser maléfica? Espetamos uma carga de nervos e pânico aos putos que, por certo, houve muitos que tiveram de dormir com os pais (e é tão bom...) Havia crianças a chorar...
«Você tem uma voz muito assustadora...» dizia-me uma miúda, encantada com a minha personagem. A verdade é que, com o corropio do dia a dia, esquecemo-nos de brincar. E faz-nos falta brincar também...em adultos!
Claro que a minha Caetana já andava envergonhada com as minhas figuras: «Cala-te mamã!». «Já chega», dizia-me, enquanto olhava para mim trajada de morte/sacerdotisa/qualquer coisa sem nexo, vendo-me encalhar e quase ir ao chão, tantas as vezes que tropecei no vestido/túnica, nos algodões que faziam de teias de aranha e nos lençois pendurados que nos embrulhavam sozinhos e nos faziam comichão e cócegas.
Por falar em quase ir ao chão: indiretamente voltei a fazer porcaria. Sabem quando pomos muita tralha nas costas da cadeira: casacos, mala pesada....e depois quando largamos a cadeira cai para trás? Nem mais - foi o que aconteceu quando a minha amiga Suzana ia sentar-se. Ela que estava tão jeitosa vestida de criada/mordoma, caiu desamparada, de cú, ficando só com as perninhas a dar a dar... Caiu-nos logo a máscara que largamo-nos a rir qual jokers!
«Não sabes pensar?», dir-me ia o meu pai, esse anjo que me pôs na terra!
E depois foi só gomas, rebuçados e sugus e nem uma abóbora para aproveitar para a sopa! Raios...

 

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 Então hoje é Halloween, esse típico costume português em que todos vão para a rua sem lavar a cara, assumindo as ramelas, certo? Concordo em absoluto. Nunca achei piada mas agora ando uma festivaleira...Upa! Upa! E como dirigente associativa, lá terei de estar com a minha melhor disposição para me fantasiar (ainda mais) e participar da Caça ao Tesouro que planeamos no meu Centro Desportivo, Cultural e Recreativo dos Moinhos da Funcheira. Vou de sacerdotisa - vestida de preto! Vou assumir as minhas olheiras (nem preciso gastar corretor), esborrato o rimel - o que também me acontece não poucas vezes, desenho umas cicatrizes na cara (algo que adoro ao natural e quando verdadeiras) e vou gritar aos moços pequenos para assusta-los. E qual a diferença disso para o meu dia a dia? Ah, já sei....vou ter mesmo de calar a boca e não resmungar quando chegar a parte de entupir os putos de açúcar! 

Amanhã, conto tudo! Bom era se participassem e pagassem um euro para ajudar a minha coletividade, formassem equipas de 4 e fossem ver in loco como sou maquiavélica e terrífica. (A última vez que me mascarei, de vaca, no Carnaval, parti um braço. Espero estar inteira para fazer a reportagem).

P.S: as abóboras são minhas e faz favor de não deitarem o interior fora que é ótimo na sopa!