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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Era bem possível, sim senhora! A mim tudo me acontece, mesmo!
Já vos contei, inúmeras vezes, por certo, que muita gente me confunde com outras pessoas?
Não sei - devo ter uma cara muito standard. Há sempre alguém que diz conhecer-me de algum lado.
«Não, não estou a ver. Deve estar a fazer confusão.» É situação recorrente comigo.
Outro dia, andava pelos corredores do shopping dos Olivais, como sempre, vem ter comigo uma rapariga para aí da minha idade (mas muito pior conservada, diga-se - ah, ah , ah). 
«Laura, então, há tanto tempo...»
«Desculpe, deve estar a confundir-me - não sou Laura!»
«Não, não és... estás armada em quê? Bem, da última vez que nos vimos... estavas cá com uma narsa!»
«Olha, estás mesmo a falar com a pessoa errada!»
«Porra Laura, no casamento da tua prima - parecias uma esponja!»
Já só me ria.
Até que chegou, deduzo, algum familiar da moça que logo lhe disse que eu não tinha nada a ver com a Laura - que essa bendita rapariga «era mais magra» que eu.... Irra!!!!!!!!! Catano. Vá, era mais magra e mais baixa (o que sempre atenua a ofensa).

Tal não é a moenga...

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Pois que hoje é dia de Santo António - abençoado do qual fiquei ainda mais devota quando, depois de o encontrar num modesto pedestal de uma estreitinha rua da Lisboa antiga lhe pedi para ser mãe. E, pasme-se, pouco depois estava grávida da minha Caetana que, agora que penso bem nisso, dava uma bela marchante tal o abanico de ancas.
Cá eu também gostava de marchar. Sério. Aquilo é uma animação - só tinha de superar a minha claustrofobia - acreditam que não consigo passar da Sé que me falta o ar no meio da multidão? Estou a ficar com frescuras a mais para o meu gosto.
Bem - há dois anos que vou à Altice Arena ver a apresentação das marchas a concurso já que o meu amigo Paulo Battista é, pelo segundo ano consecutivo, padrinho da marcha dos Olivais. Sítio que até frequento com grande regularidade - e adoro. Vou para os Olivais atrás do meu ginásio de há anos. Yé yé yé yé - OLIVAIS É QUE É!
Bem, prossiguemos. 
Lá estive toda a noite a aplaudir a alegria daquela gente embelezada com cores, purpurinas e glitters homenageando o mais típico da encantadora Lisboa. Mas nas bancadas o espetáculo é igualmente animador. Ver os típicos bairristas torcerem à desgarrada pelo seu bairro, velhotas com dificuldade em andar mas boas de pulmões e pregões, velhotes torrados do sol, com cores de saúde mas com pouca saúde dentária, crianças marchantes em ponto pequeno com rastilho mais curto que os pais...
Santos são sardinhas e arraiais, são Lisboa e muito mais e que no fim - brilhem OS OLIVAIS!
Parabéns marcha dos Olivais - estavam lindos! Honroso nono lugar! 

Tal não é a moenga....

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Já por variadíssimas vezes vos contei que estou em nervos com a praga de piolhos da qual não me consigo livrar. Shampoos, repelentes, mezinhas caseiras, vinagre, álcool etilico - tudo junto - . já não sei que mais faça para a minha Caetana não fazer, assim, tanto jus ao apelido de Bicho.
Agora tenho comprado um óleo na farmácia - que se chama árvore de chá - que lhe ponho todos os dias na nunca e atrás das orelhas antes de ir para a escola. E, como depois sempre mos pega a mim, ponho eu também aquela atrocidade ao olfato ao sair de casa. Depois, para disfarçar o cheiro de raízes podres, borrifo-me toda com Chlóe, da Cacharel, a ver se as pessoas não se afastam de mim na rua.
Estava eu a beber o meu chazinho no shopping dos Olivais, quando chega uma senhora toda muito bem posta perto de mim. Uma daquelas septuagenárias, casaco com gola de pele, cabelo ao alto, lábios vermelhos, fios e pulseiras sem destino, a cheirar ou a laca ou a um daqueles perfumes que rapidamente associamos a idosos. 
Simpaticamente, meteu conversa . «Desculpe, qual o seu perfume? Cheira tão bem.»
«Chloé», atirei de imediato.
«Ai, desculpe, é que não parece! Eu conheço bem o Chlóe e não me parece nada», dizia, enquanto me 'snifava'. «É um ótimo cheiro a flores», acrescentava...
Ai, querem ver que a mulher gosta do óleo dos piolhos que faz lembrar raízes podres?
Não me desfiz e continuei na minha. «Pois, mas olhe que é Chlóe».
«Pois, os perfumes alteram de pele para pele...» 
Quer dizer que a minha transformava perfume caríssimo em odor de canos, não?
Tal não é a moenga...

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Algum dia tinha de acontecer! Andar com uma caixinha de plástico cheia de sopa a dar a dar num saco de pano só podia dar porcaria, certo?
É que tinha comida em casa para a miúda e decidi comprar só uma sopinha para  o meu jantar - quando sou eu a fazer em casa, faço sempre tachadas tão grandes que as sopas acabam por ir fora, já azedas. Eu até penso bem mas 'atão'...
Escusado será dizer que, quem me vendeu a bela da sopa, também podia ter fechado melhor o púcaro. Assim que cheguei ao parque de estacionamento, havia sopa amarela por todo o lado. A poça que ficou no chão parecia vomitado. Foi o que terá pensado o velhote que estacionou no lugar ao lado.
«Está tudo sujo», dizia eu, a tentar desmarcar-me daquilo.
«Há pessoas que valha-me Deus», resmungava ele. E com razão. E eu concordava: «Sujavam, limpavam, caramba...»
Só espero que o senhor não me tenha olhado para os pés.....

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E jantei iogurtes!

Tal não é a moenga....

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Ai os 40...qual ternura qual quê? A mim não me assola essa coisa. Só pré- definhanço. Pois que fui à revisão de contactologia, visto que uso lentes de contacto há mais de dois anos. Lá marchei para os Olivais (que têm uma bela marcha, diga-se de facto) a um sábado à tarde. Mas vale bem o esforço, sobretudo pela simpatia daquela gente da Opticalia. Todos! E lêem o Bichanando (beijinho para vocês - quando chegarem as lentes mandem mensagem - Deus vos abençoe)!
Diz o médico: «Já sente a necessidade de aproximar as coisas para ler ao perto?» «Argh....pois, tem vezes!»
«Não se admire. Acontece entre os 40 e os 45. Então em pessoas com hipermetropia, como é o seu caso, acontece mais cedo. Chama-se presbiopia [acho que foi isto que ele disse]. Você está com 41....»
Aish que não há nada que aprimore, melhore ou mature com os 40.
Respondi: «É a presbiopia, qualquer dia a pre-menopausa, é o descalabro...»
Prefixo dum raio que promete mesmo dar-me que fazer. Cá eu preferia ser 'prelongada' num frasquinho de formol que cá me parece que vou ter uma velhice difícil. Desde que não me chegue a 'preda' de humor....senão é o prenúncio do meu triste fim!

Tal não é a moenga....

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Eu sabia que isto não ia dar bom resultado! Faço spinning/cycle há anos e sempre me deram na cabeça por não ter calçado próprio para aquela atividade tipo descolamento da placenta, como dizia a minha amiga Maria José. Este aniversário lá ganhei uns ténis de encaixe - «vais ver a diferença, ajuda imenso à pedalada», sempre me disseram. Ora, porra: isso era se eu conseguisse, de facto, enganchar os cabrões dos sapatos nos buracos do pedal. Fui estrear os ditos cujos. Vá lá que fui fazer aula virtual e não estava lá ninguém para ver a minha triste figura. Depois de muito andar à porrada com os pedais, não sei como mas aquilo lá encaixou.
Fiz a aula - de facto os ténis ajudam ao treino - mas e depois para desencaixar? Foi o descalabro. Fiz outra aula, desta vez já com professora, e tive de deixar evacuar a sala para tentar descer-me da bike. Tive de descalçar os ténis, deixa-los presos aos pedais e com a força bruta de braço quase partir o encaixe que comigo ou não encaixa ou não desencaixa, faço-me entender?

Voltei a tentar hoje na aula de spinning do João Pinto: nada a fazer, parece que falta uma chave para apertar não sei o quê.

Mostrei os sapatos a quem mos deu de prenda: «shiiiiii....já conseguiste entortar isto tudo!»

Atão mas só os usei uma vez! 

Tenho mesmo falta de poder de encaixe! Trabalheira d'um raio!

 

 

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Sou mesmo despassarada. E as melhoras não são nenhumas e as pioras são acentuadas!
Então que a minha Caetana está quase a fazer 8 aninhos. Fui comprar-lhe roupinha para estrear no belo dia - que ela detesta (vai ser bonito, vai). 
Entretanto, como sempre, andava nas minhas voltinhas pelo Spaccio, shopping dos Olivais onde me encontram com regularidade (se quiserem pagar cafezinho é só dizer) e entrei em várias outras lojas, porque uma pessoa tem sempre qualquer coisa em falta, verdade?
Lembrei-me então que o homem não tinha meias. Mas como a meia idade também traz esquisitices a rodos, não ficou o homem contente com a minha lembrança porque não eram meias normais - só queria pezinhos. Voltei à loja para trocar. Aquela loja onde vai toda a minha boa gente. Filas..... malta que demora três horas para inserir o código, depois lembram-se que ainda querem levar mais qualquer coisa e deixam o resto do pessoal ali a criar raízes....e eu a olhar para o relógio que ainda me atrasava para a minha aula de bodyattack no Fitness Hut. Lá me aguentei fazendo a minha cara de enxonfrada (sim, parece mentira mas também sei ser bem enjoada quando preciso). Até que chegou a minha vez.
«Queria trocar estas meias por pezinhos, faz favor».
«Pois, mas é que estas meias não são daqui, são da Sportzone!»
Ups! Ora se me fosse encher de moscas....

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Quem já 'perdeu' o filhos no shopping, sabe do que falo: do pânico que é achar que nos levaram o nosso mais precioso bem. Por mais que achemos que temos 40 olhos em cima deles...conseguem sempre fintar-nos. Tinha a Caetana quatro aninhos quando fomos almoçar ao Shopping dos Olivais, sitio que frequentamos com regularidade. Eu estava sentada nas mesas de refeição, o pai estava a pagar poucos metros à frente, ela andava a fazer 'piscinas' entre um e outro.

A Caetana? Entáo, não estava aqui contigo? Não, pensei que tivesse ido ter contigo.

E foi assim. De repente a miúda desapareceu.

Comecei a gritar como uma doida, todos os amigos nos ajudaram, houve quem fosse atrás dos balcões das lojas à procura da minha esguifa. Outros procuraram nas escadas rolantes e eu até fui ao MacDonalds, que o fascínio deles por aqueles bonecos é um exagero.

Foram os dez minutos mais longos e agonizantes da minha vida. Claro que fui à casa de banho ver se lá estava, gritei por ela...nada!

De repente aparece a boa da Caetana, como se nada fosse, com aquela cara de reguila com a saia aos pés.

Onde estavas Caetana? «Fui fazer cocó...», respondeu-me com ar cândido.
Ouviu-me procurá-la, não me disse nada e como ainda não chegava com os pés ao chão, não a vi quando espreitei por debaixo das portas.

Até se me parou o sangue!