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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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1 de abril. Dia das mentiras. Prometem?
Isto também é tudo mentira, não é?
Foi só um pesadelo terrível, bem pior que aqueles que costumam fazer-me acordar aos berros - ou porque sonho que me caem os dentes, ou que ando despida na rua, que piso dejetos de boi, bem pior que as minhas muitas noites agitadas cada vez que, no meu sono,  me enfio por poços abaixo.
É que se fosse verdade, este era o mais terrível dos pesadelos: ficar sem ver os meus pais, minha irmã, cunhado e sobrinhos, sem ver os meus amigos, sem poder pegar no carro e esbarra-lo logo nos pilares da garagem...Sem poder chegar ao ginásio e tentar esconder uma meia de cada cor ou esquecer-me das cuecas no saco e assim ter de regressar algo desconfortável mas arejada... Sem poder escrever na 'minha esplanada' ao sol onde sempre fico com os pés cheios de formigas e apanho valentes cagaços quando se aproximam galinhas (e os cabrões dos patos?)
Seria pesadelo não poder beber café no sitio onde já me chamam pelo nome, entorna-lo em cima do senhor da mesa ao lado e continuar a ler os jornais que já me guardam na banca. Seria muito mau não poder ir buscar a Caetana à escola e ficar a 'namorar' nas grades com os seus amiguinhos que sempre dizem achar-me muito fixe e bonita (ai a inocência das crianças...)
Seria muito mau não poder ir ver as minhas tias ao lar no final das suas vidas e dizer-lhes que cá deixam descendente no que respeita a dizer pantominices (a minha tia Tinda é o hino ao humor).
Seria muito mau. Não pode ser verdade. Hoje é dia das mentiras.
Prometem?

Tal não é a moenga...

Cuidem-se!

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Estes calores de Outono só me lembram as minhas parvoeiras. E lá volto eu ao Parque de Campismo de Monte Gordo. A um qualquer verão (não abusem do meu disco rígido) em que fui de férias com a minha mana: a 'Zabelinha'. Também já vos disse que tenho de arranjar guito para fazer terapia e curar-me da minha claustrofobia galopante? E não é de hoje. Tenho dois pesadelos que sempre me perseguem: sonho que me caem os dentes ou que estou fechada, sem conseguir sair, muitas vezes sonho que estou enterrada. 

Tenho a impressão que foi esse o sonho que tive numa dessas noites de Monte Gordo. Estava a dormir numa tenda e alguém me deve ter fechado o fecho daquela moenga. Dá-me o fanico, a falta de ar, para mais a dormir e só despertei com a Zabelinha a gritar comigo: «Noca, cala-te. Cala-te. Que é isso?»

Já eu estava tenda fora, com a cabeça na areia, a rebolar-me à procura de respirar.
De manhã, as pessoas olhavam-me com ...curiosidade digamos. «Pudera, acordaste o parque com a berraria», disse-me a boa da Zabelinha. Olha que quem me ouviu, devia ter pensado boa coisa...