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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Ai....tal pai, tal filha! Figuras tão tristes. Recordam-se de vos ter contado que o meu pai Bicho fora, um destes dias, a correr para a porta enquanto ouvia a campainha de um vídeo do Facebook e que nesse mesmo dia atendera o telefone fixo quando o que tocava era o telemóvel? Pois que não fiz melhor. 
Também, quem de nós se recorda que há um objeto ainda em casa que tem luz e som? Tenho um telefoninho branco, fixo, daquele incluído no pacote, bem escondidinho atrás da TV e da box. Nem sei o número. Nem o dei nunca a ninguém, acho. Estava eu a tomar banho em casa quando ouvi o toque.
Saí desmandada da banheira, olhei para o telemóvel- nada-, e comecei a praguejar com o estúpido do relógio. 'Atão' mas eu não tinha posto nenhum alarme...
Ah, que monga - era o forno! Tinha estado a torrar amêndoas e aquilo quando chega ao fim faz um chinfrim do catano! Lá fui molhar a cozinha toda. Nada. Raios! Voltou a tocar outra vez - será que as paredes são tão fininhas que se ouve tudo da vizinha? Não fosse a luz laranja do visor do telefone, ainda agora estaria a pensar o que raio tocava...
Tão tansa! Lógico que não atendi. Já estava em hipotermia com frio....

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Eu já sou baralhada das ideias e a malta também não me ajuda. Estamos a chegar ao Natal ou é Halloween outra vez? Eis o cagaço que apanhei uma destas manhãs no Allegro, em Alfragide. Entrei no Shopping, vinha com sacos e decidi ir pô-los ao carro para não ter de andar de cú para o ar a apanhar tralha...outra vez (sim que já tinha acontecido). Vinha cá na minha vida e sempre tive a mania/ tique/hábito de falar sozinha e andar depressa a olhar para os pés (tal e qual a minha Gertrudes!). O estacionamento estava escuro, voltei a fechar o carro e deparou-se-me este cenário no veículo ao lado (ver foto). Mandei um berrinho daqueles à croma, fiquei a olhar mas só estava eu e a máscara assustadora.
Dei voltas ao carro, espreitei lá para dentro, constatei que era apenas uma fantasia (que não acredito em bruxas mas que as há..há)... Nos vidros perto da entrada das escadas rolantes há um barbeiro. Se os clientes viram o meu espetáculo já posso ficar feliz de ter feito gargalhar alguém.

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Cá ando eu ainda no reconhecimento da minha nova residência e arredores que são deveras....místicos! Depois do estropício do galo, do sino (ainda hoje foi um fartote de manhã), da vizinha que ouve aquela música tão badalada do - «eu 'tou' bem, tu também 'tás bem...», nem sei o prodígio da sua autoria - ontem, dia dantesco de chuva, descobri mais uma relíquia. Costumo vir para casa por uns atalhos de A da Beja, estrada turtuosa, ladeada de muros de pedras e de casas cada uma de sua nação, à antiga portuguesa.
Pois que chovia a potes, Caetana dormia lá atrás no carro, estava escuro como breu e eu vinha entregue aos meus perspicazes pensamentos quando tocou o telefone. Conscienciosamente, como é meu apanágio, encostei defronte de um portão. Vi que não ia atender e qual não foi o meu espanto quando levanto a cabeça e até se me deu um arrepio na espinha com o grifo/águia que decora a entrada da dita moradia. Cristo, my lord! Por Dios! Misericórdia! Que é aquilo? Susto dum raio. Que faz ali aquilo? Imagino os despistes que ali já não se deram à pala daquele bom gosto!
P. S- Escrevo às 12. 24 h e o cabrão do galo ainda está a cantar!

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 Não viveria com o susto! Tinha sido cá um cagaço! Abençoada alminha!
Nem sei de quem falo, apenas sei tratar-se de uma miúda simpática que não esteve para me espetar um piripaque.
Num destes dias dirigi-me para o meu carro no Estádio Nacional, estando o meu bólide estacionado naquela parte da mata, debaixo das árvores. Lá vinha eu, toda lampeira, carregada que nem uma mula (como ando sempre), trazendo pendurada a minha malinha (tamanho XXL), mais a mochila do computador, outro casaco na mão e chapéu de chuva (sombrinha como se diz em bom alentejano - agora cá escrever o correto..)
Já com os botins todos enlameados- porque as poças e os charcos vêm todos ter comigo-, percebi que não conseguia puxar das chaves do carro. Ainda tentei mas tudo me caía dos ombros abaixo. Então, não estive com meias medidas: despejei tudo em cima do capot do carro que estava parado ao lado: sombrinha, mochila, computador, casaco, abri a mala, saquei carteiras, cadernos, canetas, frascos e frasquinhos, batons, comprimidos e todas as minhoquices que trago comigo. Lá encontrei as benditas chaves, lá arrumei tudo à pressa e entrei, a custo, para dentro do carro. Assim que acendo as luzes, olho para o lado, e não é que a rapariga estava sentada ao volante assistindo à forma como fazia do capot dela meu tapete?
Larguei-me a rir, pedi desculpa com as mãos e acelerei dali para fora não fosse a bendita criatura dizer-me alguma coisa. Atão, o que é que querem - não vi a rapariga dentro do carro com aquele breu...
Se me tivesse buzinado ou acendido as luzes no meio do processo...tinha apanhado o cagaço da minha vida. Agradecida miúda!