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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Já vos contei que o ginásio é a minha terapia, certo? Fico piurça se não consigo ir suar as estopinhas. Então agora que o João Pinto se lesionou - ninguém merece ficar sem o João Pinto -, tenho de deambular pelos vários ginásios Hut à procura de aulas que me desafiem. O Spinning é uma das minhas eleitas. Bicicletas paradas a simular retas, montanhas e sprints. À hora de almoço os lugares são concorridos.
Hoje fiquei 'entalada', salvo seja, entre dois amigos de proeminente composição fisica.
Tipo sardinhas em lata lá pedalamos durante uma hora. Mas a vizinhança só me fazia rir:
O homem a respirar parecia um camião TIR a parar: bupffffffffffffffff... Alto e bom som.
Só aquilo já me fazia rir mas o bafo que mandava ao expirar - só me lembrava da minha amiga Célia Lourenço e da Filipa Reis, duas distintas maganas que não suportam cheiros e hálitos. E quando o da direita bufava, o da esquerda guinchava ... ainhe, ainhe, ainhe!
O esforço tem muito que se lhe diga. Cada um esfria conforme lhe apetece mas eu já não conseguia pedalar, nem rir, nem barafustar, nem respirar, diga-se!
Terminada a aula diz-me o camião TIR: «Cuidado ao sair, não escorregue que o chão está muito molhado!»  «Pudera,» pensei eu! «Mas hoje até foi calminho!», acrescentou o individuo. Olha que grande desplante: nem imagino o que seja uma aula puxada para aquele colchão de pêlo!

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O que eu gostei daquilo! Da lavandaria self service...
Pois que com a mudança de casa, já não sei o que fazer a tanto trapo. Pensei, já que ando em limpezas, ficava bem lavar edredons e cobertores, certo? A minha Gertrudes nem dormia se soubesse que fiz mudança sem limpeza a fundo. Pois estou a portar-me bem e lá decidi a ir uma lavandaria self service para tratar rapidamente da roupa de cama. Passei lá toda a manhã. Musiquinha chill out (Smooth FM, já com uns sininhos de Natal à mistura), cheirinho a detergente perfumado e uma surpreendente tranquilidade e paz conseguida só de observar os tambores a rodar. Que terapia! Dei por mim a rodar a cabeça à velocidade da máquina e a ser feliz com aquele momento: tão bronca que sou!
Até me lembrei daquela anedota do japonês a olhar para o aquário e a explicar ao alentejano que «a mente de japonês mandava na mente de peixe», explicando, assim, o porquê do Nemo andar à roda dentro da grande taça de vidro. O alentejano quis experimentar a mandar na mente do peixe e ficou ele a abrir e a fechar a boca, qual anfíbio. Perceberam? Foi a mente do peixe que dominou a do alentejano - ah, ah ah (um dos grandes atributos dos alentejanos é saberem rir-se de si próprios).
Assim estava eu a olhar para a máquina de lavar, que me hipnotizou! Gostei daquilo.
Acho que lá vou passar umas manhãs...

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Isto de ir ao ginásio tem muito que se lhe diga! Eu, meus amigos, encontrei nele uma terapia. Naquela horinha, rio-me, convivo, estou com amigos, suo as estopinhas e saio de lá renovadinha, qual carro de rali após banho de jato no Elefante Azul. Agora as motivações de cada um... vêem-se miúdas de carnes rijas a fazer olhinhos a instrutores, aparecem rapagões de corpos ondulados de tanto músculo que ali vão uivar ao levantar ferro, surgem meninas que apenas vão passear os modelitos e que depois usam pesos mais leves que cotonetes e vão os cheios de boas intenções que se ficam por isso mesmo: pela intenção. Longe de mim criticar quem quer que seja, que se for para falar de cromos eu sou aquela que sai repetidamente e que já ninguém quer para a troca. Mas convenhamos: estar na sala de musculação de polo da Ralph Lauren (passo a publicidade), bermudas de tecido cheias de bolsos de lado, soquetes e tenizinhos de pouca sola...por Dios! Atão o que lá vai fazer aquele individuo? Pouco se mexe (nem a roupa tal permite), nem transpira (nem tem como), só fica a olhar para quem ali fica defronte a pular como se não houvesse amanhã! Mesmo que não nos queiramos rir, amigo, fica dificil. Mas gabo-lhe a descontração. Retratei bem Nélia?