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Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

Bichanando

Onde uma jovem quarentona limpa o cotão que tem no cérebro!

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Fim de semana em Beja. Sim- cada vez que lá vou trago uma coleção de histórias e 'happenings'.
A Praça da República reviveu os tempos da Pax Julia, os tempos romanos e, à noite, enquanto se enchiam as tasquinhas - com pizzas e pães com chouriço (muito típicos da era romana - dah), um grupo rufava tambores, animando a malta. Todos fizeram um círculo à volta do grupo mas senhor houve - talvez mais duro de ouvido - que foi especar-se mesmo no meio.
Atentem na fotografia - um velhote, todo típico, de cajado e samarra - estavam 27 graus-, com cara de poucos amigos e boina na cabeça. E lá ficou ele, no meio da animação, sem se dar conta de ser o motivo de todas as conversas e risos. Mostrei a fotografia ao meu pai. «Epá, esse homenzito é muito conhecido. Está em todas. Aparece em todo o lado. Sabes onde é que costuma estar sempre? À porta do cemitério de São Matias!», contou-me.
Bem - nem quis saber mais. Fica no meu imaginário o patusco velhote sobre o qual não cheguei a perceber se tinha dentes. Semblante fechado, o queixo chegava-lhe ao nariz! Muito me ri!
Tal não é a moenga...

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Ir a Beja é sempre aquecer o coração . Verdade que já quase ninguém me conhece, nem eu conheço muita gente, verdade se diga! Mas sempre rio com o trato tão particular. «Um café, por favor.» «Quer um cafezinho?», respondem, sempre. «Uma garrafa de água...» «É mais uma aguinha!»
«Arranja-me umas Trident» - «Quais são as pastilhinhas?»
A resposta surge sempre em forma de pergunta, terminando em diminutivo...
Respostas foi o que não ouvi do típico alentejanito que lia o jornal atrás da minha mesa. Boina, casaco xadrez, lá se meteu com a minha Caetana, calando-se depois. 
«Mãe, o senhor está a dormir.»
«Não está nada,filha, está a ler o jornal.»
«Mas nunca mais passa de página?»
Até o ler leva o seu tempo naquela terra - ah, ah, ah!
A verdade- veja-se a fotografia - é que fiquei sem saber se, de facto, o bendito velhote adormecera, cambaleando para cima do jornal, ou se a leitura estava tão interessante que não conseguia despegar-se do periódico.
Saímos  e ele lá ficou. A fazer ou não uma sestinha, louve-se que naquela terra toda a minha gente conserva o hábito de ler o jornalinho. Bem hajam!
Tal não é a moenguinha...

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Deus me perdoe. Outra vez! E outra vez! E muitas, muitas vezes...
O último fim de semana foi de intensa atividade parental (como a maioria dos pais, acredito, entre festas de Natal, saraus, apresentações, quermesses e bazares). Além do sarau dos meus Moinhos, da parte da tarde, as minhas ginastas foram fazer uma singela apresentação ao lar de idosos aqui das proximidades, juventude e sorrisos para abrilhantar a quadra dos mais velhotes que sempre se deliciam com a ternura de uma criança.
O espaço era exíguo, não dava para flicks, piruetas ou mortais mas as nossas meninas fizeram o seu melhor e receberam aplausos. E carinhos!
Um senhor havia, mesmo na frente, que não passava cartucho à arte das pequeninas. Dormia. Mesmo. Aninhado na cadeira, encostado ao cotovelo. A minha descendente, que é discreta como a mãezinha dela, apercebeu-se logo. E fazia-me olhinhos como que a chamar-me à atenção para o senhor que devia estar no sétimo sono.
Convivemos um pouco e saímos, deixando a festa prosseguir. E o senhor dormir.
«Não sei porque insistem em pô-lo sempre na frente. Não estava a dormir, não. É cego», explicaram-nos. Deus nos perdoe!